A CBF seguirá protocolo e não publicará áudio do VAR sobre o lance polêmico de Palmeiras x Vasco.Foto: Reprodução da Internet
A Confederação Brasileira de Futebol não deve divulgar o áudio da comunicação entre a arbitragem de campo e o VAR no lance mais controverso da semifinal da Copa do Brasil entre Palmeiras e Vasco. A jogada ocorreu quando a bola tocou no braço do zagueiro Alexander Barboza, mas o árbitro Anderson Daronco mandou o jogo seguir e não marcou pênalti para a equipe carioca.
A decisão da entidade está relacionada ao procedimento adotado em situações nas quais o árbitro não é chamado para revisar a própria decisão no monitor. Como Daronco não realizou a revisão à beira do gramado, a comissão de arbitragem não pretende publicar o diálogo no site da CBF por iniciativa própria.
Por que o áudio não será publicado
O protocolo mencionado pela CBF diferencia os lances em que há revisão daqueles em que a decisão original é mantida sem consulta do árbitro às imagens. Nos casos em que a cabine recomenda a ida ao monitor, a comunicação costuma ser divulgada para explicar o processo de análise. Em Palmeiras x Vasco, porém, Daronco sinalizou imediatamente que tinha visto a jogada em campo.
Essa circunstância foi determinante para a manutenção do entendimento em campo. O VAR Rodrigo D’Alonso participou da comunicação com o árbitro, mas não recomendou a revisão do lance. Assim, mesmo com a repercussão do episódio, não há previsão de publicação pública do áudio pela entidade.
A decisão também não significa que o conteúdo ficará necessariamente inacessível ao Vasco. O clube pode formalizar um pedido para ouvir a conversa entre Daronco e a cabine. Nesse cenário, a consulta seria restrita aos representantes vascaínos, sem que isso obrigue a CBF a disponibilizar o material ao público em geral.
O que está em discussão no lance
O toque no braço de Barboza gerou interpretações diferentes depois da partida. A avaliação atribuída a Daronco foi de que o zagueiro estava em uma disputa pela bola, e não realizando um bloqueio deliberado. Nessa leitura, o braço estava relativamente baixo e apenas um pouco aberto, sem estar acima da linha dos ombros.
Essa interpretação é o ponto central da discussão sobre a necessidade de intervenção do VAR. Ex-árbitros discordaram da decisão, e o episódio continuou sendo debatido após o encerramento do confronto. A divergência não está apenas na existência do contato, mas na forma como a posição do braço e o movimento do defensor devem ser avaliados dentro da jogada.
O [debate sobre a decisão do VAR](https://www.futnetnews.com.br/noticia/rizek-contesta-decisao-do-var-em-palmeiras-x-vasco) ganhou espaço justamente porque o contato foi visível, mas a arbitragem considerou que não havia uma infração clara o suficiente para justificar a revisão. A regra de intervenção adotada pela comissão busca evitar que o vídeo seja usado para reavaliar lances considerados interpretativos.
Orientação para a cabine do VAR
A orientação da comissão de arbitragem é que o árbitro de vídeo intervenha em situações claras e não interpretativas. O objetivo é separar erros objetivos, que podem ser corrigidos com auxílio das imagens, de jogadas nas quais diferentes leituras são possíveis.
No caso envolvendo Barboza, a cabine considerou que a decisão de campo se enquadrava na segunda categoria. Daronco viu o lance, indicou que havia acompanhado o contato e manteve a partida em andamento. Por isso, não houve a etapa de revisão que normalmente serviria de base para a divulgação do diálogo.
O procedimento não encerra a discussão sobre a decisão. Ele apenas explica por que a CBF não pretende tornar a conversa pública. A avaliação técnica do lance e a eventual análise interna são questões diferentes da política de divulgação dos áudios.
Vasco também questionou expulsão
Além do possível pênalti, o Vasco reclamou da expulsão do zagueiro Saldívia. O jogador recebeu o segundo cartão amarelo após cometer falta em Victor Roque, do Palmeiras. Para Daronco, a advertência era necessária porque a infração interrompeu uma ação com relevância tática.
A expulsão teve efeito direto no andamento da partida, já que o Vasco precisou atuar com um jogador a menos. O clube contestou a interpretação tanto nesse episódio quanto no toque no braço de Barboza, enquanto a arbitragem manteve as decisões tomadas durante o jogo.
Vasco ainda pode pedir esclarecimentos
O Vasco já vinha mantendo conversas com a diretoria de arbitragem da CBF sobre os principais lances do confronto. Até a publicação da apuração, contudo, não havia uma reunião específica agendada para tratar do episódio e ouvir os áudios.
O próximo passo depende de uma eventual solicitação formal do clube. Se o pedido for apresentado, os representantes vascaínos poderão buscar esclarecimentos sobre a comunicação entre campo e cabine e sobre os critérios usados para não recomendar a revisão. Isso não altera, por si só, a decisão da CBF de não publicar o conteúdo.
Resultado deixa Palmeiras em vantagem
O Palmeiras venceu por 1 a 0, resultado que colocou o time em vantagem na semifinal. O Vasco terminou a partida sem o pênalti marcado, com a expulsão de Saldívia e em desvantagem no confronto.
O jogo de volta está previsto para domingo, em São Januário. Até lá, a discussão sobre a arbitragem pode continuar, mas a posição informada pela CBF é manter o padrão aplicado aos lances sem revisão no monitor: o áudio não será divulgado publicamente pela entidade.