O Botafogo começou a desenhar o elenco de 2027 antes mesmo do encerramento do Campeonato Brasileiro. A comissão técnica comandada por Tite e o departamento de scout já discutem quais características deverão orientar a busca por reforços na próxima janela, enquanto a diretoria aguarda a definição esportiva da temporada para estabelecer o nível dos investimentos.
Matheus Bachi, auxiliar e filho do treinador, participa das reuniões em representação da comissão técnica. O objetivo é aproximar a avaliação feita por Tite das análises do setor responsável pelo monitoramento do mercado. Com isso, o clube tenta evitar que as contratações sejam definidas de forma desconectada da ideia de jogo da equipe.
O planejamento antecipado também dá ao treinador participação na formação do grupo desde o início do processo. A estratégia é diferente de receber um elenco já montado e precisar adaptar as escolhas disponíveis às necessidades da comissão durante a temporada.
Força física aparece como critério de busca
O perfil físico é um dos pontos centrais das conversas internas. O Botafogo pretende observar jogadores com maior porte, altura e capacidade de imposição, características consideradas importantes pelo departamento de scout para a composição do elenco do próximo ano.
Nesse filtro, atletas com menos de 1,70 metro tendem a encontrar mais resistência nas avaliações. A medida, porém, não foi apresentada como uma exigência absoluta. A altura funciona como uma preferência para direcionar a prospecção, e não como uma regra que elimine automaticamente qualquer jogador abaixo desse limite.
A procura por mais presença física está ligada à intenção de formar uma equipe com maior capacidade de disputar espaços e sustentar intensidade. Isso não significa que todos os reforços terão o mesmo estilo ou ocuparão posições semelhantes. A definição dos nomes continuará dependendo das carências identificadas no elenco e das oportunidades encontradas no mercado.
A participação de Bachi nas tratativas serve justamente para colocar em diálogo dois critérios. De um lado, estão as necessidades apontadas pela comissão de Tite; do outro, os parâmetros utilizados pelos analistas do clube. O consenso entre essas áreas deverá orientar a lista de jogadores acompanhados para 2027.
Diretoria mantém cautela nos gastos
O planejamento também possui uma diretriz financeira. Na primeira etapa, a prioridade será encontrar oportunidades de mercado e atletas avaliados como bons negócios em relação ao custo. Assim, o Botafogo não trabalha, neste momento, com a ideia de que a próxima janela necessariamente terá grandes desembolsos.
Se houver decisão por investimentos mais altos, a preferência deverá recair sobre jogadores jovens. O modelo procura combinar desempenho esportivo imediato com possibilidade de valorização e eventual retorno financeiro em uma venda futura.
Essa orientação não impede uma contratação de valor elevado, mas cria uma condição para que o investimento seja considerado justificável. O atleta precisaria contribuir para o time e, ao mesmo tempo, apresentar potencial de valorização. O orçamento definitivo ainda não foi estabelecido e poderá ser influenciado pela campanha alvinegra nas rodadas finais do Campeonato Brasileiro.
Uma eventual classificação para a Libertadores de 2027 é tratada como um fator capaz de ampliar os recursos destinados à montagem do elenco. A vaga continental também aumentaria o número de compromissos da temporada seguinte, mas o material disponível não confirma um valor de orçamento nem define quais posições seriam priorizadas nesse cenário.
Danilo pode influenciar o tamanho do projeto
As possíveis saídas também fazem parte da conta. Danilo continua valorizado no mercado, e o Botafogo trabalha com a expectativa de receber uma proposta próxima de 30 milhões de euros, estimada em cerca de R$ 175 milhões no material divulgado.
O Palmeiras é apontado como o principal interessado e pode voltar a tentar a contratação em janeiro. Flamengo e clubes estrangeiros também aparecem entre os times que demonstraram interesse no volante. Até agora, não há confirmação de acordo, proposta aceita ou decisão definitiva sobre a transferência.
Uma negociação nesse patamar teria potencial para alterar a margem financeira disponível para 2027. A eventual receita poderia abrir espaço para mudanças no elenco, mas não representa, por si só, uma autorização para gastos elevados. A diretriz informada para o mercado continua sendo a busca por custo-benefício e a concentração de aportes maiores em atletas jovens.
A saída de Danilo também levantaria uma questão esportiva: a necessidade, ou não, de contratar outro volante. Nenhum substituto foi definido no material disponível, e o clube ainda precisaria avaliar se a reposição ocorreria por meio de uma nova contratação ou com os jogadores já integrantes do grupo.
Reta final do Brasileiro será decisiva
O Botafogo ainda não fechou uma lista de reforços nem determinou o investimento final para a próxima temporada. O desempenho nas rodadas restantes do Campeonato Brasileiro será usado para dimensionar a reformulação e medir os recursos que poderão ser destinados ao mercado.
Por enquanto, o projeto combina três diretrizes: ampliar a imposição física do elenco, priorizar oportunidades com bom custo-benefício e reservar eventuais investimentos maiores para jogadores jovens, com possibilidade de valorização. Tite já participa da discussão por meio de sua comissão, mas as decisões dependem do desfecho esportivo e das movimentações envolvendo nomes como Danilo.
O cenário deixa o planejamento aberto a mudanças. Uma vaga na Libertadores pode aumentar a capacidade de investimento, enquanto uma negociação pelo volante pode modificar a composição financeira e criar uma necessidade adicional no grupo. Até que esses fatores sejam definidos, o clube trabalha com critérios gerais, sem confirmação de contratações ou de uma reformulação completa.