Botafogo revisa cláusula incomum em negócio de Santi Rodríguez
Auditoria da SAF reavalia contratação feita em 2025, com US$ 15 milhões fixos e bônus condicionado a uma possível transferência dentro do Eagle Football.
Botafogo reavalia contratação de Santi Rodríguez e analisa cláusula que pode aumentar custos com bônus.Foto: Reprodução da Internet
Uma contratação realizada pelo Botafogo em 2025 voltou ao centro da revisão financeira promovida pela Sociedade Anônima do Futebol. A operação que levou o meia-atacante uruguaio Santi Rodríguez ao clube está sendo analisada pela atual administração por causa do valor envolvido e de uma cláusula vinculada ao Eagle Football, grupo de equipes associado ao empresário John Textor.
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O acordo com o New York City foi estabelecido em US$ 15 milhões fixos. Além desse montante, o contrato previa a possibilidade de mais US$ 2 milhões caso Rodríguez fosse transferido para outro clube pertencente à rede empresarial. Com o bônus, o custo total poderia chegar a US$ 17 milhões, valor informado como equivalente a aproximadamente R$ 86,3 milhões.
A previsão contratual chamou a atenção durante a auditoria dos compromissos assumidos pela gestão anterior da SAF. O ponto sob análise não é apenas o tamanho do investimento, mas também a forma como uma eventual movimentação do atleta dentro do Eagle Football poderia aumentar o custo da contratação para o Botafogo.
O mecanismo, conforme o material disponível, dependia de uma transferência para outro clube ligado ao grupo. A simples existência dessa condição, no entanto, não comprova irregularidade. A auditoria ainda precisa verificar a documentação da operação, os critérios utilizados para estabelecer os valores e se os requisitos previstos no contrato chegaram a ser cumpridos.
Também não há confirmação de que o Botafogo tenha desembolsado os US$ 2 milhões adicionais. A informação disponível não esclarece se a posterior saída do jogador para o Columbus Crew acionou o bônus nem se houve pagamento extra ao New York City ou a qualquer outra parte envolvida no acordo.
Outro elemento considerado na revisão é a diferença entre o preço definido na negociação e uma avaliação feita por profissionais especializados em scout. Segundo a apuração atribuída ao jornalista Leonardo Bessa, do Lance!, esses profissionais estimavam que Rodríguez valia até US$ 8 milhões no período em que foi contratado.
A referência representa uma distância de US$ 7 milhões em relação aos US$ 15 milhões fixos estabelecidos no contrato. Se o bônus fosse efetivamente acionado, a diferença entre a estimativa mencionada e o custo total alcançaria US$ 9 milhões.
Essa comparação ajuda a explicar por que a operação passou a ser examinada, mas não permite, isoladamente, concluir que houve prejuízo ou irregularidade. Avaliações de scout são referências técnicas e não necessariamente correspondem ao preço final de uma negociação. Potencial de crescimento, idade, concorrência entre clubes, necessidade do elenco e condições comerciais podem influenciar o valor pago por um jogador.
Por isso, a análise da SAF depende da leitura do contrato e dos documentos que embasaram a decisão. A auditoria precisa identificar se o preço foi sustentado por premissas esportivas e financeiras, além de esclarecer a finalidade da cláusula associada a uma eventual transferência dentro do grupo empresarial.
Passagem pelo clube terminou sem o protagonismo esperado
Rodríguez chegou ao Botafogo em fevereiro de 2025, depois da saída de Thiago Almada. O uruguaio foi contratado para participar da criação ofensiva e assumir espaço importante no setor de meio-campo, mas a expectativa de protagonismo não se confirmou durante sua passagem.
De acordo com os dados apresentados na apuração, o meia-atacante disputou 58 partidas pelo Botafogo, marcou cinco gols e deu seis assistências. Os números mostram a participação do jogador no período em que esteve no clube, mas não são suficientes para medir sozinhos o retorno esportivo ou financeiro do investimento.
Após deixar o futebol brasileiro, Rodríguez retornou à Major League Soccer para defender o Columbus Crew. Essa mudança é relevante para a verificação da cláusula, mas o material disponível não informa que tipo de operação foi realizada, se houve transferência definitiva ou outra modalidade contratual, nem se o negócio envolveu diretamente algum clube do Eagle Football.
Auditoria ainda não apresenta conclusão
A revisão da contratação faz parte da análise mais ampla de compromissos financeiros firmados durante a administração anterior da SAF. No caso de Santi Rodríguez, os pontos considerados incluem o valor fixo, a estimativa de scout, a estrutura do bônus e a relação da condição contratual com o Eagle Football.
Até o momento, não foi divulgada conclusão definitiva sobre a operação. Também não há, no material disponível, informação sobre medidas judiciais, responsabilização de dirigentes ou alteração do contrato. O fato de a contratação estar sob análise não significa que a atual administração já tenha apontado uma irregularidade.
O esclarecimento mais importante para o clube é determinar se o pagamento adicional foi exigido e quais fundamentos sustentaram o valor inicialmente acordado. A resposta permitirá dimensionar o custo efetivo do negócio e separar a previsão contratual de uma obrigação financeira realmente cumprida.
A apuração original sobre os questionamentos foi atribuída a Leonardo Bessa, do Lance!, em publicação mencionada pela fonte neste domingo (18). Enquanto a auditoria não apresentar seus resultados, permanecem em aberto as dúvidas sobre a aplicação do bônus e sobre os critérios que levaram o Botafogo a aceitar uma operação que poderia alcançar US$ 17 milhões.