A entrada de Domingos Andrade e Paulinho reflete a busca por soluções em meio a turbulência no Botafogo.Foto: Reprodução da Internet
O empate por 1 a 1 com o Coritiba, na segunda-feira (12), pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, produziu um efeito que vai além da soma de pontos para o Botafogo. Em uma partida marcada pela necessidade de reação e pela ausência de Tite no banco, a comissão técnica recorreu a jogadores que vinham aparecendo pouco e alterou referências que pareciam mais estabelecidas no elenco.
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As entradas de Domingos Andrade e Paulinho foram os principais exemplos. Os dois receberam espaço no Couto Pereira em um momento no qual o clube precisa encontrar soluções para melhorar o desempenho e se afastar da zona de rebaixamento. O resultado interrompeu a sequência de derrotas, mas não eliminou a pressão sobre a equipe nem resolveu as dúvidas relacionadas à formação.
Durante a transmissão do confronto, o comentarista Rafael Oliveira, do Prime Video, avaliou que as substituições do Botafogo passaram a sensação de uma comissão técnica ainda tentando conhecer melhor as opções do grupo. A leitura levou em conta decisões que fugiram da hierarquia observada nas rodadas anteriores.
Paulinho, por exemplo, foi utilizado pelo lado esquerdo do meio-campo, função que vinha sendo ocupada por Kauan Toledo. A alteração chamou atenção porque representou uma mudança na disputa interna por espaço, especialmente em uma equipe que ainda busca maior estabilidade no setor.
Outra escolha destacada foi a entrada de Domingos Andrade na vaga de Allan. Huguinho, que também estava disponível, permaneceu entre os reservas. A decisão reforçou a impressão de que a comissão técnica aproveitou o andamento da partida para observar alternativas menos utilizadas, em vez de apenas repetir as escolhas mais comuns.
Rafael Oliveira associou o cenário ao trabalho de uma comissão em fase de avaliação do elenco. Segundo a análise feita durante a transmissão, a utilização desses atletas pode ter servido para dar minutagem e verificar como eles respondem em uma situação de exigência competitiva.
Minutos ainda não representam mudança definitiva
Domingos Andrade chegou ao jogo com participação muito pequena na temporada. Antes da partida em Curitiba, o volante havia disputado apenas 19 minutos pelo Botafogo, na derrota para o Vitória, no Barradão. A oportunidade contra o Coritiba foi, portanto, uma das primeiras chances para o jogador apresentar-se por um período mais longo desde que passou a fazer parte das opções da comissão.
Paulinho também enfrentava uma situação de pouca utilização. O meia acumulava somente 40 minutos com a camisa alvinegra e havia ficado fora de quatro rodadas do Campeonato Brasileiro por causa de uma lesão na coxa esquerda. Seu retorno ao campo ocorreu em um contexto no qual o clube precisava testar alternativas, mas não permite concluir que ele tenha assumido uma posição permanente na equipe.
As mudanças devem ser interpretadas como parte de uma avaliação, e não como confirmação de uma nova escalação. A comissão técnica ainda precisará analisar o desempenho dos dois nos treinamentos e observar se haverá continuidade nas próximas partidas. O jogo em Curitiba abriu uma possibilidade, mas a disputa por posição continua em aberto.
Contexto aumentou a necessidade de soluções
A ausência de Tite acrescentou um elemento incomum à partida. O treinador cumpriu suspensão depois de receber cartão vermelho na rodada anterior, quando invadiu o campo durante a comemoração de um gol anulado de Tiquinho Soares. Matheus Bachi, auxiliar e filho do técnico, comandou o time à beira do gramado, enquanto Tite acompanhou o duelo das cabines.
O Botafogo chegou ao compromisso pressionado pelos dois primeiros resultados da era Tite. A equipe havia perdido por 2 a 0 para o Mirassol, fora de casa, e por 2 a 1 para o Vasco, no Estádio Nilton Santos. Antes do empate, somava 35 pontos; com o resultado em Curitiba, passou a 36 e continuou próximo da zona de rebaixamento.
O cenário esportivo também foi influenciado por ausências. Vitinho não estava disponível depois de sofrer um trauma na cervical, sem concussão cerebral, no clássico contra o Vasco. Arthur Chaves havia apresentado trauma na bacia e no abdômen. Kaio Pantaleão, Edenílson e Jordan Barrera permaneciam no departamento médico, reduzindo as alternativas em diferentes setores.
Além das baixas, a comissão precisava avaliar o rendimento de Cristian Medina, questionado após a atuação diante do Vasco. Allan e Domingos Andrade apareciam como possibilidades para o meio-campo, e o angolano acabou recebendo a oportunidade no jogo contra o Coritiba. A escolha mostrou que a análise interna não estava restrita aos nomes que vinham iniciando as partidas.
Empate não resolve a situação na tabela
O ponto conquistado evitou uma terceira derrota consecutiva sob o comando de Tite, mas manteve o Botafogo obrigado a buscar regularidade. A equipe segue em uma disputa de alta pressão na parte inferior da tabela, e cada rodada passa a ter peso maior na tentativa de aumentar a distância para os últimos colocados.
O Coritiba também chegou ao confronto em busca de recuperação. O time paranaense acumulava quatro partidas sem vencer e vinha de derrotas expressivas para Vasco e Fluminense. Com 38 pontos antes do duelo, os donos da casa tentavam retomar uma campanha que ainda permitia mirar competições continentais, enquanto o Botafogo concentrava sua preocupação na luta contra o rebaixamento.
Esse contexto ajuda a dimensionar a importância das oportunidades concedidas a Domingos Andrade e Paulinho. Não se tratou apenas de uma rotação comum em uma partida sem consequências: os jogadores foram acionados em um momento no qual a comissão procura respostas para um time que ainda não venceu com Tite e enfrenta limitações no elenco.
Chapecoense será o próximo teste
O Botafogo volta a campo no sábado (17), às 18h, contra a Chapecoense, no Estádio Nilton Santos, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida será a primeira oportunidade para observar se as experiências feitas em Curitiba terão continuidade.
A comissão técnica terá de decidir entre preservar a hierarquia utilizada antes do empate ou manter parte das alternativas testadas diante do Coritiba. A escalação e as substituições contra a Chapecoense indicarão se Domingos Andrade e Paulinho foram soluções circunstanciais ou se passaram a integrar, de fato, a avaliação do clube para a reta final do campeonato. O alerta permanece ligado no Botafogo, e o empate apenas ampliou o número de decisões que Tite precisará tomar nas próximas rodadas.