A transferência de Allan para o Manchester City colocou o Palmeiras muito perto de cumprir a meta de receitas com vendas de jogadores prevista para a temporada. O negócio movimentou R$ 240 milhões e fez o clube alcançar aproximadamente R$ 380 milhões arrecadados com negociações de ativos.
O planejamento financeiro divulgado pelo Palmeiras estabelece uma receita de R$ 399,6 milhões com transferências. Com o valor obtido na saída do meio-campista, o clube já atingiu mais de 95% do objetivo projetado para o ano. A diferença restante é inferior a R$ 20 milhões, considerando os valores apresentados no documento.
A operação também mudou a condução da janela. A diretoria trabalhava com a intenção de preservar os principais jogadores do elenco e alcançar a meta por meio de negociações consideradas secundárias. A proposta do clube inglês, porém, foi avaliada como irrecusável por pessoas ouvidas pelo Lance e levou o Palmeiras a aceitar a saída de uma das suas crias.
Negociação de Allan supera venda de Vitor Reis
O valor fez Allan subir para a terceira posição entre as maiores vendas da história do Palmeiras. O meio-campista aparece atrás de Estêvão, negociado com o Chelsea, e Endrick, transferido para o Real Madrid.
A transação também ultrapassou a venda de Vitor Reis ao próprio Manchester City. O zagueiro foi negociado por 37 milhões de euros, em operação que até então ocupava posição superior no ranking de transferências do clube. A nova venda reforça a capacidade do Palmeiras de transformar jogadores formados na Academia em receitas expressivas.
Antes do acordo com o City, o Palmeiras já havia vendido Riquelme Fillipi ao Inter Miami, da Major League Soccer. O clube recebeu R$ 30 milhões por 60% dos direitos econômicos do jogador. A negociação do atacante e a transferência de Allan concentram a maior parcela da receita obtida pelo Palmeiras com vendas na temporada.
O resultado financeiro permite ao clube se aproximar da meta sem colocar no mercado vários dos atletas considerados importantes para a equipe principal. Ao mesmo tempo, a saída de Allan cria uma necessidade esportiva no meio-campo, setor que perdeu uma opção formada internamente e que terá de ser reorganizado pela comissão técnica.
Diretoria evita reposição automática no mercado
Apesar da receita gerada pela venda, o Palmeiras não planeja usar o dinheiro para contratar imediatamente um substituto de grande impacto. A diretoria deve continuar monitorando oportunidades, mas a orientação é não fazer uma contratação apenas para preencher a vaga aberta ou responder à repercussão da transferência.
Abel Ferreira indicou essa linha ao comentar os critérios para a busca de reforços. O treinador afirmou que o clube não pretende contratar por contratar. Na avaliação da comissão técnica e da direção, só haverá investimento se o jogador encontrado estiver de acordo com o perfil estabelecido pela presidente.
O técnico também admitiu que, caso não apareça uma alternativa adequada no mercado, o Palmeiras poderá trabalhar com os atletas já disponíveis. A declaração reforça uma política adotada pelo clube em janelas recentes, na qual a contratação depende da identificação de uma oportunidade considerada compatível com o projeto esportivo.
Os valores investidos em Jhon Arias e Vitor Roque ajudam a dimensionar a postura atual da diretoria. O Palmeiras desembolsou cerca de 25 milhões de euros por cada jogador, mas não pretende repetir automaticamente esse patamar após a venda de Allan. A receita da transferência, portanto, não significa que o clube buscará uma reposição de custo equivalente.
Jovens da Academia aparecem como alternativa
Uma das soluções avaliadas para compensar a saída de Allan está nas categorias de base. Heittor é apontado entre os nomes que podem ajudar a preencher o espaço no elenco profissional. A possibilidade se encaixa na estratégia de aproveitar jogadores formados no próprio clube antes de realizar uma aquisição de alto valor.
Outros cinco atletas também são observados: Erick Belé, Luis Pacheco, Koné, Benedetti e Felipe Teresa. Os jogadores estão envolvidos na decisão do Campeonato Brasileiro Sub-20, competição que serve como vitrine para a avaliação do desenvolvimento dos atletas da Academia.
A relação de jovens não representa, por si só, uma promoção imediata ao time principal. O aproveitamento dependerá da análise da comissão técnica e das necessidades do elenco. Ainda assim, a presença dos nomes entre as alternativas mostra que o Palmeiras pretende considerar soluções internas para lidar com a lacuna deixada pelo meio-campista.
O clube ainda pode aumentar a arrecadação com jogadores que estão emprestados a equipes do futebol norte-americano. O zagueiro Micael tem opção de compra fixada em 5,5 milhões de euros, enquanto o atacante Luighi pode render 6 milhões de dólares caso seu clube exerça a cláusula prevista no contrato.
Se as duas aquisições forem confirmadas, os valores serão adicionados às receitas obtidas pelo Palmeiras com transferências e poderão levar o clube além da meta de R$ 399,6 milhões. Até lá, a venda de Allan já deixou o planejamento financeiro praticamente cumprido e abriu para a diretoria a escolha entre investir no mercado ou preservar recursos e apostar no elenco atual e na base.