A saída ocorreu durante a pausa do calendário nacional e ainda não foi acompanhada, no material disponível, por um comunicado oficial do clube com os detalhes do encerramento do vínculo. Por isso, a discussão com Marllon é tratada como o episódio que acelerou a decisão, mas não necessariamente como a única justificativa formal para o desligamento.
Manga entrou no segundo tempo do confronto com o Santos. Após o apito final, o atacante e Marllon se desentenderam ainda no gramado. A primeira informação divulgada era de que o jogador seria apenas separado do restante do grupo e passaria a treinar individualmente. Horas depois, porém, o cenário mudou, com a confirmação de que ele não continuaria no Remo.
A Agência RTI Esporte informou que a rescisão teve o aval de Carpini, que estreou justamente na partida contra o Santos. O Remistas.com.br publicou que a saída definitiva foi confirmada após contatos com integrantes da diretoria, a partir de informação do jornalista Magno Fernandes. Como não houve detalhamento público do clube, as diferentes informações devem ser lidas com a devida cautela.
Decisão acontece em meio a mudança no comando
O caso surgiu no início do trabalho de Carpini, contratado depois da saída de Léo Condé. O novo treinador assumiu a equipe em um momento de pressão esportiva, com o Remo vindo de cinco derrotas consecutivas. A derrota para o Santos, além de marcar a estreia do técnico, ampliou a necessidade de reorganização do ambiente interno e do time.
Segundo a reportagem do Terra, o comportamento de Manga já era tratado internamente como um problema, e o atrito com o capitão foi o acontecimento que antecipou a decisão da diretoria. Essa informação não foi acompanhada de uma manifestação oficial do Remo sobre eventuais medidas anteriores ou sobre a existência de outras razões contratuais para a rescisão.
O Diario de Pernambuco também citou relatos de discussões anteriores do atacante com Patrick, em duas ocasiões, e com Jajá. As informações foram atribuídas ao jornalista Michel Anderson e a uma fonte ouvida pelo portal DOL. Esses supostos episódios não foram confirmados oficialmente pelo Remo no material analisado e, portanto, não podem ser apontados como determinantes para a saída.
O mesmo veículo mencionou ainda uma suspensão de 360 dias relacionada ao envolvimento de Manga em manipulação de resultados. Trata-se de um antecedente de sua carreira citado pela reportagem, não de uma justificativa apresentada publicamente pelo clube para a decisão atual. O dado ajuda a contextualizar o histórico disciplinar associado ao jogador, mas não substitui uma explicação oficial sobre o encerramento do vínculo.
Saída reduz opções ofensivas do Remo
A dispensa ocorre apesar da participação relevante de Manga na temporada. De acordo com os números publicados pelo Terra, o atacante disputou 40 partidas pelo Remo em 2026, marcou seis gols e deu uma assistência. Considerando apenas a Série A, foram 28 jogos, cinco gols e três assistências.
Esses números o colocavam entre os principais jogadores ofensivos do elenco no campeonato. O Terra o classificou como vice-artilheiro do Remo no Brasileirão. Ao mesmo tempo, Manga havia perdido espaço na equipe ao longo da competição e passou a alternar entre a titularidade e o banco de reservas, em vez de manter presença fixa entre os titulares.
O atacante tinha 31 anos e havia sido o primeiro reforço anunciado pelo Remo para 2026. A contratação foi apresentada em um contexto de expectativa elevada, já que o clube retornou à elite nacional depois de 32 anos. Manga chegou para ser uma das referências do setor ofensivo, mas sua passagem termina antes do fim da temporada e novamente após um episódio de conflito.
Antes de desembarcar em Belém, o jogador havia defendido o Avaí em 2025. Segundo o Remistas.com.br, a passagem pelo clube catarinense também terminou de forma antecipada. No Remo, o período de nove meses combinou participação frequente nas partidas, contribuição em gols e perda gradual de espaço até o afastamento definitivo.
Na prática, Carpini perde uma alternativa que vinha sendo utilizada com regularidade justamente enquanto tenta modificar o desempenho de uma equipe em queda. A ausência de Manga obriga o treinador a reorganizar o setor ofensivo com os jogadores que permanecem no grupo. O material disponível, entretanto, não informa qual atleta será escolhido para ocupar a função nem registra a chegada de um substituto.
Remo tem dez jogos para reagir na Série A
O desligamento também pesa sobre uma campanha delicada. O Remo soma 23 pontos e ocupa a 19ª colocação da Série A, conforme os dados reunidos pelas reportagens. A equipe ainda tem dez partidas pela frente para tentar deixar a zona de rebaixamento e buscar a permanência na primeira divisão.
A sequência de cinco derrotas aumentou a pressão sobre o elenco e sobre a nova comissão técnica. A pausa para a Data Fifa oferece tempo de treinamento para Carpini ajustar o modelo de jogo, trabalhar a resposta da equipe e definir as alternativas ofensivas sem Manga. O intervalo, porém, também ocorre sem a possibilidade de o atacante ser reintegrado ao grupo.
O próximo compromisso informado é contra o Grêmio, em 7 de outubro, às 19h30, no Mangueirão. Até essa partida, o Remo terá de conciliar a preparação para a reta final do campeonato com a administração dos efeitos esportivos e internos provocados pelo afastamento.
Para Manga, a rescisão encerra uma trajetória que começou como aposta de impacto para o retorno do clube à Série A e termina após novo episódio disciplinar. Para o Remo, a consequência imediata é a redução do elenco em uma posição importante, em um momento no qual a equipe precisa interromper a série negativa e reagir na luta contra o rebaixamento.