777 faz acordo com Vasco e libera venda de 90% da nova SAF
Empresa encerrou a oposição ao processo de reorganização do futebol vascaíno e informou que desistirá de recursos e incidentes na recuperação judicial.
O Vasco deu um passo importante para reorganizar sua estrutura societária. Em manifestação conjunta apresentada à Justiça do Rio de Janeiro, o clube, a Vasco SAF e a 777 Carioca LLC informaram que chegaram a um acordo para encerrar as controvérsias discutidas entre as partes. No mesmo documento, a empresa declarou que não se opõe à venda de 90% das ações da nova SAF que ficará responsável pelo futebol.
A composição foi alcançada no Procedimento Arbitral nº 10/2024, conduzido pela Câmara FGV de Mediação e Arbitragem. Conforme o documento apresentado no processo de recuperação judicial, os envolvidos consideraram solucionadas de forma consensual as disputas que vinham sendo tratadas no âmbito arbitral.
Na prática, a posição da 777 retira a resistência formal aos principais atos previstos para a criação da nova estrutura do futebol vascaíno e para a transferência de seu controle. A empresa também indicou que irá abandonar medidas judiciais relacionadas ao caso, incluindo incidentes da recuperação judicial e recursos apresentados anteriormente.
O que foi autorizado no acordo
A manifestação lista cinco pontos aos quais a 777 Carioca LLC declarou expressamente não se opor. O primeiro é o próprio Plano de Recuperação Judicial do Vasco. O segundo trata da constituição de uma nova sociedade anônima do futebol, chamada no documento de Nova SAF.
Essa nova empresa será formada a partir da transferência dos ativos desportivos atualmente vinculados à Vasco SAF, em uma operação descrita juridicamente como dropdown. O procedimento busca concentrar na nova sociedade os ativos ligados à atividade esportiva antes da venda de seu controle.
O acordo também contempla a criação de uma Unidade Produtiva Isolada, a chamada UPI Equity, destinada à alienação judicial de 90% das ações emitidas pela Nova SAF. A 777 declarou ainda que não se opõe à realização e à conclusão do processo competitivo para a venda dessa participação.
O último ponto é a transferência das ações correspondentes a 90% do capital social da Nova SAF ao vencedor do processo competitivo. Assim, a manifestação não representa a venda imediata da SAF, mas elimina a oposição da antiga controladora aos passos formais previstos para que a operação avance.
Desistência de recursos será protocolada
O documento informa que, depois da apresentação conjunta, a 777 protocolará a desistência dos incidentes relacionados à recuperação judicial e dos recursos que havia interposto. A empresa também deverá renunciar às pretensões formuladas nesses processos e ao direito que fundamentava essas medidas.
Com o consenso, ficou superada uma petição protocolada pela 777 em 21 de agosto de 2026, identificada nos autos pelo número 302611406. O encerramento dessas iniciativas judiciais reduz um dos obstáculos formais que envolviam a reorganização societária do clube, embora o processo de venda ainda dependa do cumprimento das etapas previstas na Justiça.
A concordância apresentada pela empresa alcança tanto a reorganização da estrutura do futebol quanto o procedimento de alienação da participação majoritária da nova sociedade. O Vasco continuará submetido ao rito da recuperação judicial, dentro do qual serão analisadas as medidas necessárias para a criação da Nova SAF e para a venda das ações.
Venda ainda depende das etapas judiciais
A operação prevê a alienação de 90% das ações, enquanto a participação restante não é detalhada nas informações apresentadas no documento. O processo competitivo deverá definir o vencedor que receberá o controle da Nova SAF, mas a manifestação conjunta não informa prazo para a conclusão da venda nem valores envolvidos.
A Administração Judicial, o Watchdog e o Gatekeeper solicitaram a extensão do prazo para cumprir determinações da Justiça. O prazo original terminaria em 2 de setembro, mas o pedido busca levá-lo até 4 de setembro. Os três órgãos deveriam apresentar uma manifestação conjunta sobre riscos, soluções e alternativas relacionados à venda da SAF.
Essa manifestação é uma das etapas de acompanhamento do processo e deverá ajudar a Justiça a avaliar os caminhos possíveis para a operação. A declaração da 777, ao retirar a oposição ao plano e à venda, passa a integrar esse conjunto de elementos que serão considerados durante a recuperação judicial.
Interesse pela compra do controle
O acordo também ocorre em meio ao interesse de investidores pela aquisição da nova SAF vascaína. A ESPN informou que Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, é o principal interessado na compra da participação. José Roberto é marido de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e fundador da Crefisa.
Marcos Lamacchia esteve em São Januário no fim de semana anterior para acompanhar a partida entre Vasco e Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro. De acordo com a ESPN, ele foi aplaudido pelos torcedores presentes no estádio. A presença, porém, não altera o caráter ainda competitivo do processo: a participação será destinada ao vencedor da disputa prevista para a alienação da UPI Equity.
Com a solução consensual do conflito arbitral, o Vasco passa a contar com uma posição formal da 777 favorável ao prosseguimento das etapas da Nova SAF. O próximo movimento envolve o cumprimento das determinações judiciais e a continuidade do processo competitivo que poderá definir o futuro controlador do futebol do clube.