A negociação de JP Chermont com o Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos, abriu uma nova frente de tensão no Santos. O lateral-direito, formado pelo clube e atualmente emprestado ao Coritiba, aparece envolvido em versões diferentes sobre o estágio e o valor da transferência. Uma delas aponta que o negócio foi concluído por 2,5 milhões de dólares, cerca de R$ 12,9 milhões. Outra informa que o acordo ainda estava próximo de ser fechado por aproximadamente 3,5 milhões de dólares, ou R$ 18 milhões.
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A divergência não é apenas formal. O montante bruto da operação altera a receita esperada pelo Santos e também interfere no cálculo dos valores destinados ao Coritiba. Como Chermont estava cedido ao clube paranaense, a saída antecipada exige o cumprimento das obrigações previstas no contrato de empréstimo, incluindo a chamada taxa de vitrine e a compensação pela quebra do acordo de cessão.
Até o material disponível, não havia confirmação oficial apresentada por Santos, Sharjah ou Coritiba capaz de definir qual das duas cifras prevalece. Também não é possível tratar a transferência como integralmente concluída sem a confirmação dos procedimentos finais. A despedida do jogador dos companheiros no clube paranaense indica que a mudança estava avançada, mas não esclarece o valor definitivo nem a divisão dos recursos.
Valores e repasses são o centro da divergência
Na versão que trata a negociação como sacramentada, o Sharjah teria desembolsado 2,5 milhões de dólares. Pela cotação indicada nas informações disponíveis, o montante equivale a aproximadamente R$ 12,9 milhões. Desse total, o Santos ainda precisaria descontar os valores previstos em razão do empréstimo de Chermont ao Coritiba.
Com as deduções contratuais, a quantia líquida destinada ao clube paulista ficaria perto de R$ 9,3 milhões. Esse número é decisivo para a avaliação da operação, porque representa uma receita consideravelmente menor do que o valor bruto divulgado. A diferença entre os dois montantes também explica parte da reação de conselheiros santistas, que consideram baixa a remuneração por um jogador jovem e formado na base.
A segunda versão avalia a negociação em cerca de 3,5 milhões de dólares, equivalentes a aproximadamente R$ 18 milhões. Nesse cenário, o Coritiba teria direito a 10% do valor total como compensação pela participação no desenvolvimento do atleta durante o período de empréstimo. A mesma informação indica que a transferência dependeria de exames médicos e da conclusão dos trâmites burocráticos.
As informações não esclarecem de maneira uniforme se os R$ 18 milhões seriam o valor bruto da operação, a quantia a ser recebida pelo Santos ou apenas uma estimativa inicial do acordo. Por isso, a cifra não pode ser apresentada como receita líquida do clube. A definição dependerá da formalização dos documentos e da divulgação das condições contratuais.
Conselho questiona impacto financeiro e esportivo
O caso provocou insatisfação entre integrantes do Conselho Deliberativo do Santos. O questionamento principal envolve a decisão de negociar Chermont por uma quantia considerada baixa diante de sua idade, de sua formação no clube e da possibilidade de valorização em uma sequência maior de partidas.
Os conselheiros também contestam o momento da operação. O Santos atravessa dificuldades financeiras e já admitiu atrasos no pagamento de direitos de imagem do elenco. Nesse ambiente, a venda de jogadores pode representar uma fonte imediata de recursos para reduzir compromissos, mas a pressa em concluir uma negociação também é vista internamente como um risco para o patrimônio esportivo e financeiro.
A intenção de contestar formalmente os termos da operação foi informada por integrantes do Conselho. Esse movimento, porém, não significa que a transferência tenha sido anulada ou que exista uma decisão oficial para impedir a saída. Até aqui, a discussão permanece concentrada na avaliação da diretoria e nas condições financeiras do acordo.
Além da receita, há uma consequência relacionada à formação do elenco. A lateral direita é apontada como uma posição com poucas alternativas, e a eventual saída definitiva elimina uma opção criada nas categorias de base. Assim, a operação é analisada sob dois aspectos: o dinheiro que pode entrar no caixa e a perda de um atleta que ainda poderia ganhar valor com mais oportunidades no futebol brasileiro.
Empréstimo ao Coritiba mudou o cenário do jogador
Chermont ganhou espaço no time profissional do Santos em 2024. Durante a campanha da Série B que terminou com o retorno do clube à elite nacional, o lateral disputou 31 partidas e passou a ser considerado uma alternativa importante para a posição. O número de jogos indica que ele teve participação relevante no processo de reconstrução do elenco naquele período.
Na temporada seguinte, entretanto, sua utilização diminuiu. Antes do empréstimo ao Coritiba, realizado em fevereiro, o jogador participou de cinco partidas do Campeonato Brasileiro pelo Santos. No clube paranaense, encontrou uma sequência maior e atuou em 17 jogos da competição, cenário que ajudou a recolocá-lo em evidência no mercado.
Essa diferença de participação ajuda a contextualizar a negociação. Chermont deixou de ser utilizado regularmente pelo Santos, mas ganhou minutos no Coritiba em um momento importante de seu desenvolvimento. A passagem pelo Paraná não permite, por si só, afirmar quanto o atleta foi valorizado, já que as informações disponíveis não apresentam dados de gols, assistências ou outros indicadores individuais.
O próximo passo é esclarecer se o acordo com o Sharjah foi fechado por 2,5 milhões de dólares ou se permanece em fase final por aproximadamente 3,5 milhões. Também precisam ser definidos o valor líquido do Santos, a participação do Coritiba e a conclusão dos exames e documentos da transferência internacional. Enquanto não houver confirmação dos clubes, a negociação segue cercada por versões divergentes e pressão política dentro da Vila Belmiro.