O Vasco deu mais um passo no processo de transferência do controle da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) ao liberar aos integrantes do Conselho Deliberativo o Memorando de Entendimentos que sustenta a proposta da Almirante S.A., empresa ligada ao empresário Marcos Lamacchia. O documento foi disponibilizado em um ambiente virtual para consulta dos 167 conselheiros do clube.
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A abertura do contrato para análise ocorre depois da homologação, em 25 de outubro, da aquisição de 90% das ações da SAF pela empresa. Apesar do avanço judicial, a mudança de controle ainda não está concluída. O negócio precisa cumprir o rito político interno do Vasco e passar por procedimentos relacionados aos autos de arrematação e aos ativos envolvidos na operação.
Votação terá duas etapas no clube
O Conselho Deliberativo, presidido por João Riche, será responsável por examinar o conteúdo do acordo antes de votar. Ainda não há uma data definida para a reunião. A expectativa é que o período de leitura do material permita aos conselheiros avaliar as condições financeiras, as obrigações assumidas e os compromissos previstos para a SAF.
A aprovação do colegiado é necessária para que a proposta avance. Se o texto for rejeitado na primeira votação, o rito interno ainda prevê outras duas oportunidades para que o Conselho Deliberativo volte a analisar a operação. O procedimento, portanto, não se encerra em uma única sessão caso o resultado inicial seja contrário ao negócio.
Se o Conselho aprovar a proposta, o processo seguirá para a Assembleia Geral. Os sócios estatutários terão então a responsabilidade de decidir pela aprovação ou rejeição da operação. Ao contrário do Conselho Deliberativo, a Assembleia terá apenas uma votação, com resultado definitivo dentro da tramitação política do clube.
O que está previsto na proposta
A oferta da Almirante S.A. envolve aproximadamente R$ 4 bilhões pela aquisição de 90% da SAF do Vasco. Dentro do pacote, R$ 500 milhões estão reservados exclusivamente para investimentos no futebol. O acordo também prevê R$ 120 milhões para o centro de treinamento e R$ 30 milhões para as categorias de base.
Outro ponto financeiro é a conversão de R$ 80 milhões referentes ao empréstimo DIP em participação na SAF. A empresa deverá ainda assumir o fluxo de caixa e as obrigações relacionadas à Recuperação Judicial e às demais dívidas do clube, conforme os termos apresentados na operação.
A Recuperação Judicial foi aprovada por 97% dos credores. O mecanismo passou a fazer parte da reorganização financeira do Vasco e é citado pela atual gestão como uma ferramenta para renegociar compromissos e estabelecer um calendário de pagamentos. A homologação da venda, porém, não elimina a necessidade de cumprir as etapas legais e estatutárias previstas para a transferência.
Pedrinho pede análise cuidadosa, mas quer agilidade
Após a homologação, o presidente Pedrinho afirmou que pretende garantir tempo para que os conselheiros leiam a proposta. Ao mesmo tempo, declarou que vai solicitar celeridade ao presidente do Conselho Deliberativo para que a votação seja convocada. A expectativa manifestada pelo dirigente é de que as aprovações nas instâncias internas estejam concluídas até o fim de outubro, embora não exista data oficial para a efetivação da mudança de controle.
O presidente também afirmou que o trabalho de sua gestão foi concentrado na reorganização dos compromissos do clube. Em declaração após o avanço da operação, disse que as dívidas foram encaminhadas para pagamento e que o Vasco entraria em um novo nível financeiro com a chegada do investidor. A afirmação se refere à estrutura prevista no acordo, que não representa necessariamente a quitação imediata de todos os valores.
Pedrinho evitou prometer títulos como consequência direta da venda. Em vez disso, apontou uma reestruturação ampla como prioridade, incluindo a possibilidade de melhorias no centro de treinamento e em São Januário. O posicionamento indica que os recursos previstos no contrato deverão ser direcionados a diferentes áreas, e não apenas à formação do elenco.
O dirigente também declarou não ver conflito de interesse na relação de Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e afirmou que os critérios estabelecidos pela Confederação Brasileira de Futebol serão respeitados. A questão foi levantada no contexto da chegada do novo grupo ao comando da SAF.
Nova administração aguarda aval do Vasco
A Almirante S.A. só poderá iniciar plenamente a preparação da nova administração depois da definição do Conselho Deliberativo e, posteriormente, da Assembleia Geral. Mario Junqueira, sócio da empresa, afirmou que o grupo aguarda a conclusão do trâmite legal, a definição dos ativos e a manifestação dos conselheiros para começar o trabalho de gestão.
Até que essas fases sejam vencidas, a operação permanece em transição. A homologação da aquisição representa um marco no processo iniciado após a saída da 777 Partners, mas não equivale à transferência imediata do comando do futebol. O Vasco ainda precisa concluir as formalidades judiciais e obter as aprovações internas antes de estabelecer oficialmente a nova administração da SAF.
Pedrinho ainda revelou que pretende concorrer à reeleição no próximo ano a pedido de Lamacchia, com a intenção de continuar trabalhando em conjunto com a SAF. A continuidade política, no entanto, dependerá do processo eleitoral do clube e não altera as etapas atuais para validar a operação.