O Vasco protocolou nova petição no STJ para garantir a semifinal contra o Boca no Maracanã.Foto: Reprodução da Internet
O Vasco apresentou nesta quarta-feira (14) uma nova petição no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para defender a realização do jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors no Maracanã. A manifestação foi incluída no processo movido pela Fla-Flu Serviços S.A., concessionária formada por Flamengo e Fluminense, que tenta derrubar a autorização concedida pela Justiça do Rio de Janeiro.
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A iniciativa do clube ocorre enquanto o pedido do consórcio ainda aguarda análise no tribunal. O conteúdo integral da petição mais recente não foi divulgado, o que impede a identificação detalhada dos novos argumentos apresentados pelo departamento jurídico vascaíno. A medida, portanto, representa uma manifestação processual, mas não uma decisão favorável definitiva para o Cruz-Maltino.
A disputa começou quando o Vasco solicitou o Maracanã para receber o Boca Juniors no segundo confronto da semifinal. A concessionária responsável pelo estádio contestou a liberação e acionou a Justiça para impedir o uso do local. Inicialmente, uma decisão judicial no Rio autorizou a realização da partida e permitiu que o clube retomasse a comercialização dos ingressos.
Depois disso, o consórcio levou a discussão ao STJ. Na terça-feira (13), Flamengo e Fluminense apresentaram um pedido de suspensão de segurança, encaminhado à presidência da Corte, atualmente ocupada pelo ministro Luis Felipe Salomão. O objetivo é interromper os efeitos da decisão que liberou o estádio para o confronto internacional.
O Vasco já havia respondido anteriormente a um mandado de segurança apresentado pela Fla-Flu Serviços S.A. Naquela defesa, o clube pediu a manutenção da autorização e contestou a tentativa de revisão da decisão por meio do plantão judiciário. Para a diretoria, a concessionária deveria utilizar os recursos próprios do processo, e não buscar uma nova análise emergencial da medida.
Ingressos reforçam argumento sobre impacto da mudança
Um dos principais pontos apresentados pelo Vasco foi o estágio avançado da organização da partida. Segundo a defesa protocolada anteriormente, 11.446 ingressos já haviam sido vendidos até a manhã de sábado (10), quando apenas duas fases da comercialização estavam abertas. A venda começou na noite de sexta-feira (9), inicialmente para associados, e novas etapas foram liberadas na manhã seguinte.
O clube também informou que 4.000 entradas destinadas à torcida visitante foram repassadas ao Boca Juniors, que ficou responsável pela comercialização para os torcedores argentinos. Esse número não foi apresentado como quantidade já vendida. Por isso, não deve ser somado aos 11.446 ingressos efetivamente comercializados até aquele momento.
A defesa vascaína sustenta que uma eventual mudança de estádio provocaria transtornos para os torcedores e afetaria procedimentos já definidos para a partida. Entre os possíveis impactos citados estão a redistribuição de setores, a reorganização dos acessos e a revisão do planejamento de segurança de uma semifinal internacional.
O Vasco classificou esse risco como um possível dano inverso: na avaliação do clube, a suspensão da autorização poderia causar prejuízos concretos justamente porque a operação já havia começado. A diretoria também argumentou que a Polícia Militar indicou preferência pelo Maracanã e que o Ministério Público recomendou a utilização do estádio.
Clube questiona intervalo entre partidas
Outro ponto da defesa envolve a alegação de que o Maracanã precisaria respeitar um intervalo mínimo entre eventos esportivos. O Vasco contestou a aplicação uniforme de uma janela de 72 horas entre partidas e citou compromissos de Flamengo e Fluminense previstos para os dias 26 e 28 de outubro, separados por apenas dois dias.
O clube reconheceu que o Estádio Nilton Santos seria uma alternativa viável, mas afirmou que isso não eliminaria as vantagens operacionais associadas ao Maracanã. A argumentação também levou em conta a indicação do estádio à Conmebol e a informação de que a entidade anunciou o local como sede do confronto.
Esses elementos fazem parte da defesa apresentada contra a tentativa de retirada do jogo do estádio. Eles, contudo, não significam que o tribunal tenha concordado com a tese vascaína. A decisão sobre o pedido do consórcio ainda precisa ser tomada, e a venda de entradas não torna a autorização judicial irreversível.
Vasco tem vantagem dentro de campo
A discussão jurídica acontece paralelamente à preparação para um confronto decisivo. O Vasco venceu o Boca Juniors por 1 a 0 no jogo de ida, realizado na Bombonera, e avançará à final com um empate no segundo duelo. O resultado fora de casa colocou a equipe em vantagem, mas ainda não encerrou a semifinal.
A partida está prevista para 20 de outubro, no Maracanã. Enquanto aguarda a definição do STJ, o Vasco trabalha para manter o mando no estádio escolhido e, ao mesmo tempo, prepara o time para defender a vantagem construída na Argentina. A possibilidade de mudança de local interfere no planejamento logístico do clube, dos torcedores e da organização do evento, mas não altera, até o momento, o cenário esportivo da eliminatória.
O caso também mantém em disputa a validade prática da decisão obtida no Rio de Janeiro. O Vasco quer que a autorização seja preservada e que o pedido da Fla-Flu seja rejeitado. Já o consórcio tenta suspender os efeitos da medida que liberou o Maracanã.