O Grêmio deve apresentar uma configuração diferente diante do Remo. Em vez de escalar um meia centralizado como principal responsável pela criação, Renato Portaluppi prepara uma equipe com três jogadores no meio-campo e pretende aproximar os pontas do centroavante Carlos Vinícius.
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O duelo será disputado nesta quarta-feira (7), às 19h30, no Mangueirão. A formação ainda não está confirmada porque Villasanti será reavaliado após defender a seleção do Paraguai, mas o volante aparece entre os favoritos para começar.
Uma alternativa para a falta de um articulador
A mudança responde à dificuldade do Grêmio para encontrar um camisa 10 que tenha se firmado como titular. Cristaldo, Monsalve e Krovinović foram utilizados em diferentes momentos como alternativas para a função, mas nenhum deles assumiu de forma definitiva o posto de principal articulador da equipe.
Em vez de concentrar a construção em um único jogador, Renato pretende distribuir essa responsabilidade. A presença de três meio-campistas deve aproximar os setores e permitir que mais atletas participem da saída de bola, da progressão e da ligação com o ataque.
Danilo Barbosa tende a ocupar a posição mais recuada, com a tarefa de proteger a defesa e oferecer uma opção para o início das jogadas. Villasanti e Nardoni devem atuar alguns metros à frente, alternando participação na construção, avanço pelo campo e aproximação dos atacantes.
A escolha não significa necessariamente que o Grêmio adotará uma postura mais cautelosa. O objetivo descrito para a partida é usar a compactação do meio-campo para colocar mais jogadores perto da área do Remo. A equipe também precisa evitar que Carlos Vinícius receba a bola isolado entre os zagueiros.
Pontas serão importantes na mudança
O comportamento de Amuzu e Pavón será uma das principais marcas da estratégia. Os dois não deverão permanecer presos aos corredores durante toda a fase ofensiva. A orientação é que se movimentem por dentro, ocupem espaços próximos ao centroavante e apareçam em condições de finalizar.
Com os pontas entrando na faixa central, os laterais passam a ter papel importante para manter a amplitude. João Pedro e Caio Paulista poderão avançar pelos lados e oferecer a largura que deixa de ser ocupada com tanta frequência por Amuzu e Pavón.
O movimento tem duas consequências práticas para o ataque. Carlos Vinícius ganha mais possibilidades de receber apoio e dividir a atenção dos defensores, enquanto os próprios pontas passam a ter maior presença nas zonas de conclusão. A ideia é que o Grêmio tenha mais jogadores envolvidos nas jogadas decisivas.
Esse funcionamento exige equilíbrio na transição. Danilo Barbosa deverá permanecer atento à cobertura quando os laterais avançarem, e Nardoni e Villasanti precisarão alternar os momentos de apoio ofensivo e recomposição. Caso o meio se desorganize, a equipe pode perder a proteção justamente ao tentar aumentar a presença no ataque.
Villasanti ainda depende de avaliação
A provável escalação tem Weverton; João Pedro, Wallace, Kannemann e Caio Paulista; Danilo Barbosa, Nardoni e Villasanti; Pavón, Amuzu e Carlos Vinícius. A lista, porém, representa uma tendência de trabalho, não uma confirmação oficial da equipe que começará o confronto.
Villasanti ainda precisa ser liberado pela avaliação física depois dos compromissos internacionais com o Paraguai. Se não tiver condições de iniciar, Dodi aparece como a alternativa mais provável para ocupar a vaga. Krovinović também está entre as opções de Renato, embora sua entrada possa dar ao setor uma característica diferente da formação com três jogadores de meio.
A situação do paraguaio é, portanto, o principal ponto pendente da escalação. Com ele em campo, o Grêmio mantém a proposta de ter Danilo Barbosa mais preso, enquanto Nardoni e Villasanti participam da conexão entre o meio e o ataque. Sem o titular, o treinador terá de decidir se preserva o mesmo desenho ou se modifica o perfil do setor.
Números reforçam aposta em Amuzu e Pavón
A intenção de colocar os pontas mais perto de Carlos Vinícius também encontra respaldo na produção ofensiva dos jogadores. O centroavante é o artilheiro do Grêmio na temporada, com 20 gols. Amuzu aparece na sequência, com oito, e Pavón soma quatro.
Além dos gols, os dois jogadores têm participação relevante na criação. Amuzu contabiliza seis assistências, enquanto Pavón tem cinco passes para gol. Juntos, eles somam 11 assistências, número que ajuda a explicar por que a comissão técnica pretende aumentar a presença da dupla nas zonas centrais e próximas da área.
A proposta, assim, não depende apenas de Carlos Vinícius para transformar as jogadas em finalizações. O Grêmio quer que Amuzu e Pavón também ataquem os espaços, recebam em posições internas e aproveitem as oportunidades criadas pela movimentação do centroavante.
O encontro com o Remo será o primeiro teste dessa configuração. Renato tenta compensar a ausência de um camisa 10 consolidado com uma organização mais coletiva, na qual o meio-campo assume parte da criação e os pontas deixam os lados com mais frequência. A execução dependerá da condição de Villasanti e da capacidade do time de manter a compactação sem reduzir a força ofensiva.