A derrota por 2 a 0 para o Mirassol, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro, deixou o Botafogo com uma série de decisões para tomar durante a pausa no calendário. Em 12º lugar, o time terá 14 dias de preparação antes da retomada da competição, período que Tite pretende aproveitar para reorganizar os setores mais instáveis da equipe.
NOTAS DA TORCIDA
Avalie os jogadores na última partida
2 × 0 Brasileirão Série A
✓
Votação encerradaConfira abaixo as médias finais da torcida.
Alex TellesTitular
Média10,0
Álvaro MontoroTitular
Média10,0
Arthur CabralTitular
Média10,0
Cristian MedinaTitular
Média8,0
DaniloTitular
Média8,0
Gabriel BatistaTitular
Média8,0
HuguinhoTitular
Média7,0
Lucas MonzónTitular
Média7,0
Nahuel FerraresiTitular
Média7,0
VitinhoTitular
Média6,0
EdenilsonEntrou durante o jogo
Média6,0
Hakim ZiyechEntrou durante o jogo
Média6,0
Júnior SantosEntrou durante o jogo
Média7,0
Kauan ToledoEntrou durante o jogo
Média6,0
Lucas VillalbaEntrou durante o jogo
Média8,0
✓ Resultado final baseado em 15 voto(s) da torcida.
O elenco volta às atividades na quarta-feira (23), depois de três dias de folga concedidos pela comissão técnica. Os trabalhos serão realizados no Espaço Lonier, centro de treinamento do clube, e representam uma oportunidade para o treinador observar alternativas sem a necessidade de preparar o grupo para um jogo imediato.
A atuação em São Paulo aumentou a pressão por mudanças. Além do resultado negativo, o Botafogo teve baixo rendimento de vários jogadores e não conseguiu controlar o ritmo da partida. Para Tite, a posse de bola precisa estar associada à criação e à efetividade, e não apenas à manutenção do domínio territorial.
Sistema defensivo é a principal preocupação
O problema mais evidente está na defesa. O Botafogo sofreu 45 gols em 28 rodadas do Brasileirão e aparece como dono da terceira pior campanha defensiva do torneio, à frente apenas de Remo e Chapecoense nesse ranking negativo. A equipe terminou somente três partidas sem ser vazada: duas contra o Cruzeiro e uma diante do Palmeiras.
Os números ajudam a explicar a urgência de Tite em ajustar o comportamento coletivo sem a bola. A equipe precisa reduzir os espaços concedidos e proteger melhor a área, especialmente depois de uma partida em que os gols do Mirassol reforçaram as dificuldades já observadas ao longo da competição.
Também está aberta a escolha do companheiro de Ferraresi na zaga central. Chaves recebeu elogios do técnico, mas Monzón começou como titular no duelo mais recente e acabou envolvido em um dos gols do adversário. A disputa deverá ser acompanhada nos treinamentos, sem indicação de que a comissão técnica tenha definido o titular.
Mais do que trocar uma peça, o treinador terá de encontrar uma forma de dar maior estabilidade ao sistema. A pausa permite testar a dupla de zaga, ajustar a cobertura dos laterais e trabalhar a ocupação dos espaços, mas não garante uma mudança automática no desempenho. A resposta só poderá ser medida quando o campeonato voltar.
Comissão técnica busca alternativas para o ataque
O setor ofensivo também chega ao intervalo com questões importantes. Cabral, convocado por Tite para a Seleção Brasileira, atravessa uma sequência de 11 partidas sem marcar e tem participado pouco das ações de ataque. A dificuldade não é recente: o jogador enfrenta problemas de rendimento desde que chegou ao Botafogo, em 2025, para ocupar o espaço deixado por Igor Jesus.
As opções para a posição também não oferecem, neste momento, uma solução consolidada. Pereira atravessa uma fase ruim, enquanto Tiquinho ainda precisa melhorar a condição física para disputar a vaga em igualdade de condições. Tite terá de avaliar se mantém a estrutura atual ou se modifica a referência do ataque.
A composição pelos lados do campo é outra decisão em aberto. O treinador pode utilizar pontas de origem ou recorrer a meias-atacantes capazes de se movimentar pelos corredores, como Montoro e Medina. Entre os jogadores de característica mais central, Ziyech foi quem apresentou os sinais mais positivos desde a chegada ao clube.
Villalba, Toledo e Júnior Santos, por outro lado, não convenceram nas oportunidades recentes. Barrera está lesionado, enquanto Martins não voltou a atuar desde que foi reprovado nos exames médicos realizados na Rússia. Com menos alternativas disponíveis, a comissão técnica precisará distribuir as peças do elenco de maneira diferente ou recuperar jogadores que ainda não entregaram o esperado.
Período de trabalho ocorre em meio a mudanças
Em declaração após a derrota para o Mirassol, Tite defendeu que o time seja mais equilibrado. O treinador afirmou que a posse deve ser “consistente”, mas também criativa e capaz de ser transformada em gols. A avaliação indica que o trabalho no CT não ficará restrito à defesa: a equipe também precisará melhorar a articulação e a finalização.
O técnico assumiu o Botafogo em um momento de transição. Franclim Carvalho foi demitido no mês passado, e a equipe já apresentava instabilidade defensiva e dificuldade para encontrar uma formação ofensiva regular. A nova pausa oferece a Tite uma sequência contínua para avaliar o grupo, testar combinações e definir prioridades para a reta do Brasileirão.
Esta será a segunda intertemporada do Botafogo em 2026 depois da paralisação provocada pela Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. A primeira ocorreu entre 26 de julho e 8 de agosto, quando Franclim ainda comandava o time.
Na prática, os 14 dias não alteram a posição do clube na tabela nem asseguram uma reação. O intervalo, porém, cria condições para atacar problemas específicos: melhorar a proteção da área, escolher o parceiro de Ferraresi, organizar a posse e encontrar maior participação dos homens de frente. A evolução será cobrada na volta do campeonato, sobretudo pela capacidade de sofrer menos gols e transformar as oportunidades em resultados.