A derrota por 2 a 0 para o Mirassol, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro, deixou o Botafogo com uma série de decisões para tomar durante a pausa no calendário. Em 12º lugar, o time terá 14 dias de preparação antes da retomada da competição, período que Tite pretende aproveitar para reorganizar os setores mais instáveis da equipe.
O elenco volta às atividades na quarta-feira (23), depois de três dias de folga concedidos pela comissão técnica. Os trabalhos serão realizados no Espaço Lonier, centro de treinamento do clube, e representam uma oportunidade para o treinador observar alternativas sem a necessidade de preparar o grupo para um jogo imediato.
A atuação em São Paulo aumentou a pressão por mudanças. Além do resultado negativo, o Botafogo teve baixo rendimento de vários jogadores e não conseguiu controlar o ritmo da partida. Para Tite, a posse de bola precisa estar associada à criação e à efetividade, e não apenas à manutenção do domínio territorial.
Sistema defensivo é a principal preocupação
O problema mais evidente está na defesa. O Botafogo sofreu 45 gols em 28 rodadas do Brasileirão e aparece como dono da terceira pior campanha defensiva do torneio, à frente apenas de Remo e Chapecoense nesse ranking negativo. A equipe terminou somente três partidas sem ser vazada: duas contra o Cruzeiro e uma diante do Palmeiras.
Os números ajudam a explicar a urgência de Tite em ajustar o comportamento coletivo sem a bola. A equipe precisa reduzir os espaços concedidos e proteger melhor a área, especialmente depois de uma partida em que os gols do Mirassol reforçaram as dificuldades já observadas ao longo da competição.
Também está aberta a escolha do companheiro de Ferraresi na zaga central. Chaves recebeu elogios do técnico, mas Monzón começou como titular no duelo mais recente e acabou envolvido em um dos gols do adversário. A disputa deverá ser acompanhada nos treinamentos, sem indicação de que a comissão técnica tenha definido o titular.
Mais do que trocar uma peça, o treinador terá de encontrar uma forma de dar maior estabilidade ao sistema. A pausa permite testar a dupla de zaga, ajustar a cobertura dos laterais e trabalhar a ocupação dos espaços, mas não garante uma mudança automática no desempenho. A resposta só poderá ser medida quando o campeonato voltar.
Comissão técnica busca alternativas para o ataque
O setor ofensivo também chega ao intervalo com questões importantes. Cabral, convocado por Tite para a Seleção Brasileira, atravessa uma sequência de 11 partidas sem marcar e tem participado pouco das ações de ataque. A dificuldade não é recente: o jogador enfrenta problemas de rendimento desde que chegou ao Botafogo, em 2025, para ocupar o espaço deixado por Igor Jesus.
As opções para a posição também não oferecem, neste momento, uma solução consolidada. Pereira atravessa uma fase ruim, enquanto Tiquinho ainda precisa melhorar a condição física para disputar a vaga em igualdade de condições. Tite terá de avaliar se mantém a estrutura atual ou se modifica a referência do ataque.
A composição pelos lados do campo é outra decisão em aberto. O treinador pode utilizar pontas de origem ou recorrer a meias-atacantes capazes de se movimentar pelos corredores, como Montoro e Medina. Entre os jogadores de característica mais central, Ziyech foi quem apresentou os sinais mais positivos desde a chegada ao clube.
Villalba, Toledo e Júnior Santos, por outro lado, não convenceram nas oportunidades recentes. Barrera está lesionado, enquanto Martins não voltou a atuar desde que foi reprovado nos exames médicos realizados na Rússia. Com menos alternativas disponíveis, a comissão técnica precisará distribuir as peças do elenco de maneira diferente ou recuperar jogadores que ainda não entregaram o esperado.
Período de trabalho ocorre em meio a mudanças
Em declaração após a derrota para o Mirassol, Tite defendeu que o time seja mais equilibrado. O treinador afirmou que a posse deve ser “consistente”, mas também criativa e capaz de ser transformada em gols. A avaliação indica que o trabalho no CT não ficará restrito à defesa: a equipe também precisará melhorar a articulação e a finalização.
O técnico assumiu o Botafogo em um momento de transição. Franclim Carvalho foi demitido no mês passado, e a equipe já apresentava instabilidade defensiva e dificuldade para encontrar uma formação ofensiva regular. A nova pausa oferece a Tite uma sequência contínua para avaliar o grupo, testar combinações e definir prioridades para a reta do Brasileirão.
Esta será a segunda intertemporada do Botafogo em 2026 depois da paralisação provocada pela Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. A primeira ocorreu entre 26 de julho e 8 de agosto, quando Franclim ainda comandava o time.
Na prática, os 14 dias não alteram a posição do clube na tabela nem asseguram uma reação. O intervalo, porém, cria condições para atacar problemas específicos: melhorar a proteção da área, escolher o parceiro de Ferraresi, organizar a posse e encontrar maior participação dos homens de frente. A evolução será cobrada na volta do campeonato, sobretudo pela capacidade de sofrer menos gols e transformar as oportunidades em resultados.