John Textor voltou a comentar a rivalidade entre Vasco e Botafogo em um momento de definição para o futebol cruz-maltino. Questionado sobre a possível chegada da família Lamacchia ao comando da SAF vascaína, o empresário adotou o tom provocativo habitual dos clássicos, mas também afirmou que torce para o rival encontrar um projeto mais forte.
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Textor disse que não acompanha de perto as tratativas envolvendo a nova SAF do Vasco. Ainda assim, aproveitou a pergunta para resumir a relação entre os clubes cariocas. Para ele, os dois são como irmãos: existe afeto, antipatia e o desejo de que a disputa esportiva seja equilibrada.
“O Vasco é como um irmão para o Botafogo: a gente ama, a gente odeia. É uma dinâmica muito estranha para mim. Eles são nossos irmãos, a gente gosta de bater neles, mas a gente quer uma briga boa. Então estou torcendo pelo Vasco”, declarou o empresário, em entrevista publicada pelo Terra.
Na mesma conversa, Textor defendeu que o clube de São Januário consiga estabelecer uma nova parceria depois da experiência com a 777 Partners. “O Vasco merece uma boa SAF, merece um parceiro melhor do que o que eles tiveram com a 777, e espero que consigam um”, afirmou.
A manifestação ocorre enquanto o Vasco atravessa um processo competitivo autorizado pela Justiça para a alienação de 90% da nova Sociedade Anônima do Futebol. A operação, portanto, ainda não foi concluída, e a proposta ligada a Marcos Lamacchia não representa, por si só, a confirmação de uma mudança de comando.
A Almirante Participações, empresa relacionada ao empresário, apresentou a oferta-base do procedimento. Essa posição é conhecida como stalking horse: a proposta serve de referência para a disputa e estabelece um ponto inicial para eventuais interessados, mas não impede a apresentação de outras ofertas.
A audiência destinada ao recebimento de propostas está marcada para 25 de setembro, às 14h. Investidores que atenderem às exigências definidas no processo poderão participar da disputa. Assim, a oferta da Almirante Participações pode continuar como única opção ou ser confrontada por novas condições apresentadas por outros grupos.
Entre os compromissos informados na proposta de Lamacchia está a destinação de R$ 500 milhões ao futebol. O valor integra a oferta em análise, mas não significa que o investidor já tenha assumido a gestão da SAF. A operação ainda depende do andamento do procedimento judicial e de deliberações dentro da estrutura associativa do Vasco.
Mesmo que a proposta seja escolhida ao fim do processo, o negócio ainda precisará passar por etapas internas. O Conselho Deliberativo e a Assembleia Geral estão entre as instâncias do clube que deverão analisar a operação. Até essas fases serem cumpridas, o futuro societário do futebol vascaíno permanece em aberto.
Família Lamacchia é o centro da discussão
A pergunta feita a Textor também mencionou a possível participação de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, em razão de sua ligação familiar com o grupo relacionado ao investidor. O empresário não apresentou detalhes sobre as negociações nem afirmou acompanhar o caso diretamente. A resposta se concentrou na rivalidade carioca e no desejo de que o Vasco tenha um parceiro capaz de estruturar o futebol.
O cenário atual é consequência da passagem da 777 Partners pelo clube. Depois daquele período, a Justiça autorizou a abertura do processo competitivo para definir o novo controlador de 90% da SAF. A proposta de Lamacchia é, até o momento, a referência formal conhecida, mas a situação não equivale a um acordo definitivamente aprovado.
Essa diferença é importante para o torcedor. A existência de uma oferta e a realização de uma audiência não significam que a venda esteja consumada. O resultado da disputa, as eventuais manifestações de outros interessados e as decisões das instâncias vascaínas ainda serão determinantes para estabelecer quem comandará o futebol do clube.
Clássico terá novo capítulo em outubro
Enquanto a discussão administrativa avança fora de campo, Vasco e Botafogo têm outro confronto previsto pelo Campeonato Brasileiro. Os rivais se enfrentarão em 7 de outubro, em partida cujo horário e local ainda não haviam sido definidos pela Confederação Brasileira de Futebol conforme o material disponível.
O jogo colocará frente a frente os clubes citados por Textor em sua declaração e dará um sentido esportivo à provocação feita pelo empresário. A fala, no entanto, não interfere no processo de venda da SAF nem nas decisões que serão tomadas pela Justiça e pelas instâncias internas do Vasco.
O próximo marco objetivo para o clube é a audiência de setembro. Até lá, a oferta da Almirante Participações seguirá como proposta-base, sem garantia de vitória. O comentário de Textor acrescenta uma dimensão pública à disputa, mas o desfecho dependerá dos critérios do processo e das aprovações necessárias para a definição do novo projeto vascaíno.