John Textor voltou ao Brasil e retomou publicamente a campanha para recuperar o controle da SAF do Botafogo. Em entrevista à ESPN, o empresário norte-americano defendeu uma negociação direta com o clube social, criticou a condução dos processos na Justiça do Rio de Janeiro e afirmou que não considera difícil retornar à administração do futebol alvinegro.
NOTAS DA TORCIDA
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2 × 0 Brasileirão Série A
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Alex TellesTitular
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Álvaro MontoroTitular
Média10,0
Arthur CabralTitular
Média10,0
Cristian MedinaTitular
Média8,0
DaniloTitular
Média8,0
Gabriel BatistaTitular
Média8,0
HuguinhoTitular
Média7,0
Lucas MonzónTitular
Média7,0
Nahuel FerraresiTitular
Média7,0
VitinhoTitular
Média6,0
EdenilsonEntrou durante o jogo
Média6,0
Hakim ZiyechEntrou durante o jogo
Média6,0
Júnior SantosEntrou durante o jogo
Média7,0
Kauan ToledoEntrou durante o jogo
Média6,0
Lucas VillalbaEntrou durante o jogo
Média8,0
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A declaração ocorre em um momento de disputa societária ainda sem solução definitiva no país. Textor está afastado da gestão da SAF por determinação judicial, a empresa passa por recuperação judicial e o quadro reconhecido no Brasil mantém o clube associativo com 51% das ações, contra 49% da Eagle Bidco. A tentativa de resolver o impasse por meio do diálogo, portanto, não altera neste momento o controle formal da companhia.
Empresário tenta aproximar-se do Botafogo associativo
Na entrevista, Textor sustentou que não deveria precisar de novas decisões judiciais para provar sua posição como proprietário. O empresário afirmou que gostaria de reconstruir a relação com o clube social e classificou a aproximação institucional como um caminho mais rápido para superar a disputa.
“Gostaria de manter um diálogo com o clube social e não deveria ter que ir à Justiça para provar que sou o proprietário. Quem mais é o proprietário? Está claro”, declarou.
Textor também reclamou do ritmo dos processos no Rio. Segundo sua avaliação, pedidos apresentados por seus adversários recebem respostas mais rapidamente do que as solicitações feitas por sua defesa. A crítica representa a versão do empresário sobre a tramitação dos casos e não uma conclusão judicial sobre eventual tratamento desigual.
Ele afirmou ainda que a disputa com a Eagle teria terminado e que as medidas observadas nos tribunais seriam consequências do conflito pelo controle da SAF. O norte-americano pediu a reconstrução das relações internas do Botafogo depois do período de confronto.
“Éramos uma família conquistando títulos”, disse Textor, ao comparar o ambiente atual com a fase de resultados obtida sob sua gestão. O empresário afirmou que a divisão dos últimos meses precisa ser substituída por uma união entre as partes e declarou acreditar que possui o apoio da maioria da torcida, apesar das críticas nas redes sociais.
Textor também relembrou a estrutura encontrada quando chegou ao clube. Segundo ele, havia poucos funcionários, ausência de um sistema de contabilidade e um grupo com poucos jogadores experientes na primeira divisão. Na avaliação do empresário, o Botafogo conseguiu competir no Brasil e na América do Sul e teve participação capaz de orgulhar o país no Mundial de Clubes, ao lado de Fluminense e Flamengo.
Decisão na Flórida é usada como argumento
Outro ponto citado por Textor foi a decisão publicada em 17 de setembro pela Justiça da Flórida. De acordo com a ESPN, a juíza Danielle Sherriff, da Corte de Palm Beach, declarou o empresário dono de 90% das ações ordinárias de classe B da SAF do Botafogo. Essas ações correspondem a 90% do capital social total e possuem direito a voto, conforme a reportagem.
O norte-americano usa o entendimento americano para defender que continua sendo o proprietário da participação envolvida na disputa com a Eagle. Ele argumenta que o contrato relacionado à transferência das ações foi firmado nos Estados Unidos e estaria invalidado naquele país. Textor reconheceu, porém, que o processo para produzir efeitos no Brasil ainda pode levar tempo e depender de novas decisões da Justiça brasileira.
Na prática, a decisão da Flórida não devolveu automaticamente a administração do Botafogo ao empresário. A situação no país continua vinculada aos processos que tramitam no Rio e às regras aplicáveis à SAF brasileira. Por isso, a reivindicação de Textor permanece em conflito com o afastamento judicial atualmente em vigor.
O caso também foi apresentado por Textor como uma discussão que ultrapassaria os interesses individuais do Botafogo. Ele afirmou que o episódio representa um teste para o futebol brasileiro e para a segurança de investimentos estrangeiros no modelo das sociedades anônimas do futebol. O empresário criticou a possibilidade de clubes sociais influenciarem o controle das SAFs, mas essa avaliação faz parte de sua argumentação na disputa.
Assembleia pode alterar equilíbrio acionário
O próximo movimento institucional previsto é a assembleia da SAF, marcada para 24 de setembro. A reunião deverá analisar um aumento de capital. Se a operação for aprovada e as novas ações forem subscritas, a participação da Eagle poderá ser reduzida proporcionalmente.
O efeito, no entanto, depende da aprovação e da execução da medida. A assembleia não representa, por si só, a confirmação do retorno de Textor ao comando. Segundo o Fogaonet, a operação também pode abrir espaço para a chegada da GDA Luma, mas o material disponível não indica que essa mudança esteja concluída.
Enquanto não houver uma definição no Brasil, o clube permanece administrado dentro do arranjo determinado pelas decisões judiciais e pelo processo de recuperação judicial. A disputa societária, portanto, continua tendo consequências práticas sobre quem toma decisões estratégicas no futebol alvinegro.
Textor defende continuidade de Tite
Na mesma entrevista, o empresário comentou a situação de Tite, contratado para comandar o Botafogo. O treinador estreou em 19 de setembro, com derrota por 2 a 0 para o Mirassol, e assumiu a equipe em um cenário de pressão esportiva.
Textor afirmou que já havia tentado contratar Tite anteriormente e elogiou o conhecimento do técnico, seus fundamentos e a capacidade de desenvolver jogadores. Segundo o empresário, o momento exige mais estrutura, organização e recuperação da mentalidade competitiva, mesmo que o estilo de jogo do treinador não corresponda exatamente ao que ele buscava em outro período.
“Ele certamente é o melhor treinador para nos manter no Brasileiro e é o melhor treinador para nos levar para cima da tabela”, afirmou. Textor acrescentou que, caso volte à liderança da SAF, receberia Tite e apoiaria seu trabalho.
Os próximos compromissos do Botafogo no Campeonato Brasileiro serão contra o Vasco, em casa, em 7 de outubro; o Coritiba, fora, em 11 de outubro; e a Chapecoense, novamente como mandante, em 18 de outubro. A agenda esportiva se desenvolve paralelamente à disputa institucional e coloca o trabalho do novo treinador sob observação.
Assim, Textor tenta avançar em duas frentes: busca uma solução negociada com o clube social para retornar ao comando e manifesta confiança na permanência de Tite. Até que os processos brasileiros e as medidas societárias produzam efeitos concretos, porém, o desejo do empresário continua sendo uma reivindicação, não uma mudança confirmada na gestão do Botafogo.