O atacante Kaio Jorge, do Cruzeiro, foi denunciado pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por causa da entrada que atingiu o zagueiro Ruan Tressoldi, do Atlético, no clássico pelas quartas de final da Copa do Brasil. O lance ocorreu no jogo de ida, terminou com a substituição do defensor ainda no primeiro tempo e levou o clube alvinegro a formalizar uma notícia de infração no tribunal.
O processo foi acolhido nesta quinta-feira, dois dias depois da partida. Ainda não há data definida para o julgamento. Até que o caso seja analisado, Kaio Jorge mantém condições legais de ser relacionado para o confronto de volta, marcado para a próxima terça-feira, dia 1º, na Arena MRV.
Cruzeiro e Atlético empataram por 1 a 1 no primeiro encontro. Como não há vantagem pelo resultado da ida, o vencedor do próximo duelo garantirá presença nas semifinais da competição. O classificado também assegurará uma premiação de R$ 4 milhões paga pela Confederação Brasileira de Futebol.
A jogada aconteceu no começo do clássico, em uma disputa pelo alto. Ruan Tressoldi tentou alcançar a bola, caiu com força e bateu a cabeça no gramado. O defensor recebeu atendimento médico no estádio, apresentou sintomas como tontura e confusão mental e foi retirado aos 18 minutos do primeiro tempo.
O Atlético acionou o protocolo de concussão da Confederação Brasileira de Futebol e encaminhou o jogador de ambulância para um hospital de Belo Horizonte. Segundo a atualização divulgada pelo clube, Ruan recebeu alta no dia seguinte. Os exames não apontaram lesão estrutural grave, e o zagueiro foi liberado para iniciar a recuperação.
A jogada não foi marcada como falta pela arbitragem durante a partida. O VAR também não recomendou uma revisão em campo. Esse aspecto deverá fazer parte dos argumentos apresentados pela defesa do atacante no procedimento disciplinar, embora a ausência de punição durante o jogo não impeça uma análise posterior pelo STJD.
Atlético levou o caso ao tribunal
A diretoria atleticana protocolou uma notícia de infração após o clássico. No documento, o clube classificou a entrada como grave e apontou os riscos associados à queda do defensor, incluindo possíveis consequências neurológicas e lesões na coluna. A iniciativa deu início ao caminho para que a Procuradoria avaliasse o lance e oferecesse a denúncia.
A acusação foi enquadrada no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. A denúncia considera que a ação pode ter sido praticada de maneira temerária ou imprudente, fora da disputa regular pela bola. O enquadramento exato será examinado no julgamento, quando a defesa do Cruzeiro poderá apresentar sua versão e contestar a interpretação da Procuradoria.
As informações disponíveis sobre a punição prevista apresentam diferenças quanto à extensão da suspensão. Por isso, não há definição sobre o número de partidas que poderia ser aplicado caso Kaio Jorge seja condenado. A pena somente poderá ser estabelecida pelo órgão julgador, depois da análise dos fatos e dos argumentos das partes.
O corpo jurídico do Cruzeiro será responsável pela defesa do jogador. Como o julgamento ainda não foi pautado, a tendência indicada pelas informações apuradas é que o atacante esteja apto a participar da partida de volta. Essa condição pode mudar caso o tribunal marque a sessão antes do confronto ou adote alguma medida no curso do processo, o que não foi informado até o momento.
Clubes também respondem por ocorrências
O processo aberto após o clássico não envolve apenas Kaio Jorge. Cruzeiro e Atlético também foram denunciados por atraso na entrada em campo, com base no artigo 206 do CBJD. Os dois clubes terão de responder separadamente pela ocorrência e poderão apresentar suas justificativas durante a tramitação.
Há ainda acusações relacionadas ao uso de sinalizadores nas arquibancadas. O Cruzeiro, mandante do jogo, foi denunciado sob a alegação de que não teria adotado medidas suficientes para impedir a entrada dos artefatos no estádio. O Atlético responde pelo uso dos sinalizadores por parte de seus torcedores.
Esses casos seguem a própria análise disciplinar e não alteram, por si só, a situação imediata de Kaio Jorge. O principal ponto esportivo para o Cruzeiro é a possibilidade de contar com o atacante no duelo decisivo da Copa do Brasil. Para o Atlético, a denúncia representa a formalização da contestação ao lance que retirou Ruan Tressoldi da partida e provocou a ida do defensor ao hospital.
Decisão da vaga será na Arena MRV
O empate no Mineirão deixou a classificação em aberto. A volta será disputada na Arena MRV, com o vencedor avançando para a semifinal. Quem passar enfrentará o ganhador do confronto entre Internacional e Grêmio.
Enquanto o tribunal não marcar o julgamento, o episódio continuará sendo tratado em duas frentes: na esfera esportiva, pela preparação para o segundo clássico, e na disciplinar, pelo processo contra o atacante. O STJD ainda precisará definir a data da sessão, ouvir a defesa e avaliar o enquadramento apresentado pela Procuradoria antes de determinar eventual punição.