O São Paulo terá de mudar sua referência ofensiva no jogo que pode definir a permanência do clube na Copa Sul-Americana. Suspenso pelo terceiro cartão amarelo, Jonathan Calleri não estará em campo contra o Boca Juniors, terça-feira (15), às 21h30, no Morumbis. O Tricolor perdeu a partida de ida por 1 a 0, em La Bombonera, e precisa vencer por dois gols de diferença para avançar às semifinais no tempo regulamentar.
Uma vitória simples leva a decisão para os pênaltis. A missão será cumprida sem o capitão e vice-artilheiro da equipe na temporada, que soma 13 gols, um a menos que Luciano. A ausência obriga Dorival Júnior a escolher entre manter um centroavante de origem ou alterar a estrutura do ataque para aumentar a mobilidade diante da defesa argentina.
Calleri ficará fora por suspensão e cautela física
O cartão que tirou Calleri do confronto foi aplicado no segundo tempo do jogo de ida. O atacante se envolveu em um episódio com Tomás Belmonte durante uma parada técnica e acabou advertido pelo árbitro chileno Piero Maza. Como já havia recebido dois amarelos na competição, ele terá de cumprir suspensão automática.
Depois da partida em Buenos Aires, Dorival Júnior definiu a perda como “considerável” e ressaltou a importância do argentino para o elenco. Calleri não é apenas o jogador mais adiantado no sistema: também costuma oferecer apoio de costas para o gol, disputar bolas com os zagueiros, proteger a posse e participar da primeira linha de pressão.
A suspensão não é o único cuidado relacionado ao centroavante. Calleri vem se recuperando de uma lesão e, por isso, foi preservado no clássico contra o Palmeiras, disputado no sábado (12). Dorival explicou que não quis correr o risco de agravar o problema depois do esforço realizado na partida contra o Boca.
O treinador também decidiu escalar uma formação alternativa no clássico, com o objetivo de preservar os principais titulares para a decisão continental. O São Paulo perdeu por 2 a 0, em jogo no qual ficou com um jogador a menos após a expulsão do zagueiro Osório, aos 39 minutos do primeiro tempo. A justificativa de Dorival foi que a prioridade física do elenco estava voltada ao duelo de terça-feira.
Gustavo Santana ganha força entre as opções
Gustavo Santana aparece como uma das alternativas mais consideradas para ocupar a vaga. O atacante foi utilizado como titular contra Red Bull Bragantino e Atlético-MG quando Calleri ainda buscava recuperar a melhor condição física após uma entorse no tornozelo esquerdo. A sequência recente fez dele um candidato natural para assumir a área no Morumbis.
O jovem oferece características diferentes das do argentino. Sua velocidade pode ser aproveitada em ataques às costas da defesa e em movimentos para abrir espaços, enquanto Calleri costuma participar mais intensamente do jogo físico e das disputas diretas. A escolha por Gustavo, portanto, manteria um camisa 9 de origem, mas exigiria que os meias e pontas ajustassem a forma de abastecer o ataque.
Outra possibilidade é André Silva, que entrou nos minutos finais do primeiro confronto com o Boca. Mais experiente na função, ele pode permitir ao São Paulo preservar uma referência central tradicional, aproximando-se do estilo de ocupação de área adotado com Calleri. A decisão dependerá da avaliação de Dorival nos treinamentos que antecedem a partida.
Comissão também avalia mudança no desenho ofensivo
A ausência do centroavante pode levar o treinador a optar por uma solução sem um camisa 9 fixo. Artur e Luciano podem atuar mais centralizados, com a entrada de outro jogador no meio-campo. Nesse modelo, o time apostaria em trocas de posição, infiltrações e movimentação para tentar retirar os defensores do Boca de suas referências.
Luciano tem peso adicional na definição por ser o maior goleador do São Paulo entre os nomes citados nas informações disponíveis, com 14 gols na temporada. Ele iniciou o jogo de ida, mas deixou o campo aos 15 minutos do segundo tempo após sentir um desconforto. O atacante não recebeu cartão naquela partida, diferentemente de Calleri, e permanece como uma das principais peças ofensivas para a volta.
Ryan Francisco também aparece entre as opções mencionadas para o setor, embora não tenha viajado com a delegação para a Argentina. A alternativa, neste momento, está atrás das possibilidades de Gustavo Santana, André Silva e da mudança de posicionamento de jogadores que já atuam com frequência no time principal.
São Paulo precisa equilibrar pressão e eficiência
O placar construído pelo Boca impõe ao São Paulo a necessidade de buscar gols, mas não exige uma postura descontrolada desde o início. Um gol iguala o confronto e leva a definição para as penalidades; dois gols de vantagem garantem a classificação direta. O desafio será transformar o domínio territorial esperado em oportunidades claras sem oferecer espaços para os contra-ataques argentinos.
O Morumbis será o palco da decisão, e a torcida tricolor deve exercer papel importante no duelo. O clube registrou apoio expressivo dos são-paulinos no setor visitante de La Bombonera, e a expectativa é de um ambiente de pressão na partida de volta. A presença dos torcedores, contudo, precisará ser acompanhada por organização para que o time não desperdice energia em uma busca precipitada pelo resultado.
Sem seu capitão, o São Paulo terá de distribuir a responsabilidade entre o substituto escolhido, Luciano, Artur e os jogadores que chegarem de trás. A escolha de Dorival não definirá sozinha o confronto, mas será determinante para estabelecer como a equipe pretende atacar o Boca. A bola rola às 21h30 de terça-feira, e o Tricolor entra em campo precisando reverter a desvantagem para continuar na Sul-Americana.