Gustavo Scarpa confirmou que o São Paulo tentou contratá-lo por empréstimo durante a temporada, em um período no qual o meio-campista ainda não havia retomado a condição ideal depois de uma cirurgia no joelho direito. As conversas avançaram, mas não resultaram em acordo, e o jogador decidiu continuar no Atlético-MG.
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O interesse, conforme o relato do próprio atleta, partiu do clube paulista. Scarpa afirmou que falou diretamente com Dorival Júnior, então treinador do São Paulo, e com Rafinha, dirigente da equipe. O jogador também mencionou Paulo Bracks, coordenador de futebol do Atlético-MG, que havia esclarecido que a iniciativa não começara no clube mineiro.
“Eu cheguei a conversar com o Dorival, com o Rafinha. Expliquei para eles a minha situação, que estava voltando de cirurgia e o São Paulo estava precisando de uma resposta imediata. Enfim, para um cara que está voltando de cirurgia, a gente nunca sabe como vai ser”, declarou Scarpa em entrevista à TV Bandeirantes.
Condição física pesou na negociação
A tentativa de transferência aconteceu em agosto e previa um empréstimo até o encerramento da temporada, com possibilidade de extensão do vínculo. Embora as tratativas tenham evoluído, havia uma dificuldade prática: o São Paulo precisava de uma definição rápida, enquanto Scarpa ainda não tinha como assegurar quando estaria pronto para atuar com regularidade.
O meia estava afastado dos jogos desde maio. Ele havia passado por uma artroscopia no joelho direito para a retirada de um fragmento e, durante o processo de recuperação, também enfrentou um edema no adutor da coxa direita. As intercorrências ampliaram o período de inatividade e tornaram menos previsível o retorno ao futebol competitivo.
Nesse cenário, a negociação não dependia apenas do interesse do São Paulo ou da vontade do jogador. O clube paulista precisava avaliar a utilidade imediata do atleta, enquanto Scarpa ainda trabalhava para recuperar força, ritmo e confiança. Uma mudança de ambiente durante a recuperação poderia acrescentar incertezas a um momento já marcado por limitações físicas.
O retorno do meio-campista ocorreu em 29 de agosto, na partida contra o Vitória, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Depois de voltar a ser relacionado e utilizado pelo Atlético-MG, Scarpa passou a ter novos minutos em campo e encontrou sinais de que poderia voltar a disputar espaço no elenco.
Confiança no Atlético-MG orientou decisão
Além da situação clínica, o principal fator citado pelo jogador foi a crença de que ainda poderia recuperar sua importância no time mineiro. Scarpa preferiu permanecer em Belo Horizonte e tentar reconstruir sua trajetória no clube, em vez de iniciar uma nova etapa enquanto ainda atravessava o processo de retorno.
“O principal motivo mesmo foi porque eu acredito no meu potencial e acredito que consigo dar a volta por cima e recuperar o meu espaço no Galo”, afirmou.
O atleta reconheceu que recebeu poucos minutos logo após a volta aos gramados. Ainda assim, avaliou que as participações recentes foram suficientes para mostrar novamente parte de suas características. Na entrevista, ele citou os jogos contra Cruzeiro e Santos como exemplos de oportunidades que ajudaram a fortalecer sua confiança.
“Mesmo com pouco tempo nesses últimos jogos, já pude mostrar um pouco do meu futebol, tanto contra o Cruzeiro como contra o Santos. Sei da minha capacidade, do meu potencial e sei que o meu tempo com a camisa do Galo ainda não terminou”, disse o meia.
A fala deixa claro que a permanência não foi tratada como garantia de titularidade. Scarpa voltou ao elenco ainda precisando conquistar espaço e ampliar sua participação, mas entendeu que tinha condições de fazer isso no Atlético-MG. A decisão, portanto, combinou a recuperação física com a avaliação pessoal de que o ciclo no clube ainda não havia terminado.
Tratativa terminou sem desgaste
Scarpa descreveu as conversas com o São Paulo como respeitosas e tranquilas. Mesmo com o avanço das negociações, as partes não chegaram a um entendimento para concluir o empréstimo. O meia permaneceu ligado ao Atlético-MG e passou a concentrar seus esforços na retomada dentro do próprio elenco.
Para o São Paulo, a necessidade de uma resposta imediata não combinava com a condição de um jogador que ainda não tinha certeza sobre a própria evolução física. Para Scarpa, ficar no clube mineiro significava evitar uma mudança durante a recuperação e manter a possibilidade de recuperar seu papel com a camisa atleticana.
A partir do retorno contra o Vitória e das oportunidades diante de Cruzeiro e Santos, o meio-campista passou a trabalhar por uma sequência maior. A recuperação, entretanto, não representa automaticamente a retomada da posição que ocupava antes da cirurgia. O jogador ainda depende de minutos, continuidade e desempenho para transformar a confiança declarada em espaço efetivo no time.
O episódio também mostra que a negociação foi interrompida antes de qualquer acordo definitivo. O São Paulo demonstrou interesse e conversou com o atleta, mas Scarpa não foi contratado pelo clube paulista. A escolha final foi permanecer no Atlético-MG, onde pretende recuperar gradualmente sua participação e provar que ainda pode contribuir na sequência da temporada.