Gustavo Scarpa decidiu permanecer no Atlético-MG depois que o São Paulo demonstrou interesse em sua contratação na última janela de transferências. O meia revelou que foi informado sobre a possibilidade pelo vice-presidente atleticano Paulo Bracks e precisou avaliar a mudança enquanto ainda se recuperava de uma cirurgia.
Em entrevista à Band, o jogador explicou que o clube paulista precisava de uma resposta rápida. Como ainda não tinha certeza de como seu corpo reagiria no retorno aos gramados, Scarpa entendeu que não era o momento ideal para iniciar um novo ciclo profissional.
“O Bracks até comentou que não tinha partido do Galo, mas que o São Paulo tinha se interessado. Eu conversei com o Dorival, conversei com o Rafinha, expliquei para eles minha situação, que eu estava voltando de cirurgia”, relatou.
As conversas mencionadas pelo meio-campista envolveram Dorival Júnior, então treinador do São Paulo, e Rafinha, liderança do elenco paulista. Scarpa apresentou aos dois o estágio de sua recuperação antes de tomar uma decisão sobre a possibilidade de transferência.
A condição física foi o principal fator prático para que Scarpa não avançasse na mudança de clube. O jogador afirmou que, para um atleta recém-operado, não é possível prever com segurança o ritmo de retorno e o desempenho nas primeiras partidas. A exigência por uma definição imediata aumentou a dificuldade de aceitar o convite.
“São Paulo precisava de uma resposta imediata e, para um cara que está voltando de cirurgia, a gente nunca sabe como vai ser”, disse o meia.
A decisão, porém, não foi tomada apenas por cautela médica. Scarpa também avaliou que ainda tem condições de recuperar espaço no Atlético. Mesmo reconhecendo que vinha recebendo poucos minutos nas partidas recentes, ele apontou as atuações contra Cruzeiro e Santos como sinais de que continua capaz de ajudar a equipe.
“Eu acredito no meu potencial e acredito que consigo dar a volta por cima e recuperar o meu espaço no Galo. Mesmo com poucos minutos nesses últimos jogos, já pude mostrar um pouco do meu valor, tanto contra o Cruzeiro como contra o Santos”, afirmou.
Assim, a permanência representa uma aposta do próprio jogador na retomada dentro do elenco alvinegro. Em vez de trocar de clube durante um período de incerteza física, Scarpa preferiu concluir a recuperação em Belo Horizonte e disputar novamente uma posição de maior importância na equipe comandada por Eduardo Domínguez.
Contrato e trajetória pelo Atlético
Scarpa tem vínculo com o Atlético-MG até o fim de 2027. Contratado em 2024, o meio-campista soma, conforme os dados apresentados na apuração, 160 partidas, 14 gols e 29 assistências pelo clube. Aos 32 anos, ele permanece ligado ao projeto atleticano por mais duas temporadas além da atual.
Durante sua passagem pelo Galo, o jogador conquistou os Campeonatos Mineiros de 2024 e 2025. Também fez parte das campanhas que levaram o Atlético às finais da Libertadores, da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. Esses resultados ajudam a explicar a relevância de sua permanência, embora o momento atual seja marcado pela necessidade de recuperar sequência e espaço.
O interesse do São Paulo não evoluiu, segundo o relato do atleta, para uma negociação concluída entre os clubes. Não houve confirmação de proposta aceita, acordo ou contratação. O episódio ficou no campo da consulta e das conversas mantidas por Scarpa com integrantes do clube paulista.
Ao escolher permanecer, o meia também indicou que não considera encerrada sua história com a camisa atleticana. A declaração sinaliza que ele pretende voltar a ter participação mais constante e transformar a recuperação física em desempenho dentro de campo.
“Eu sei da minha capacidade, do meu potencial e sei que o meu tempo com a camisa do Galo ainda não terminou”, declarou.
Na prática, Scarpa seguirá à disposição do Atlético até 2027, enquanto o São Paulo deixa de ser uma possibilidade imediata para o jogador. O desafio agora é recuperar plenamente as condições físicas, conquistar minutos e voltar a disputar um papel central no elenco. A permanência mantém aberta essa tentativa de reação em Belo Horizonte, decisão que o próprio meia descreveu como tranquila e coerente com sua confiança no futuro pelo clube.