A derrota do São Paulo por 1 a 0 para a Chapecoense aumentou a pressão sobre Dorival Júnior, mas não provocou, até o momento, uma mudança na comissão técnica. O resultado, registrado no domingo (25), foi mal recebido internamente e também gerou questionamentos entre torcedores. Ainda assim, a avaliação da diretoria sobre o treinador permanece positiva, e a possibilidade de demissão é considerada baixa.
O principal motivo para a permanência é a confiança mantida pelo clube no trabalho de Dorival. O técnico tem bom relacionamento com o elenco e continua bem avaliado pelos dirigentes. A visão interna é de que o momento atravessado pelo São Paulo não deve ser analisado apenas a partir de uma partida, embora o desempenho no Campeonato Brasileiro já represente um alerta importante.
O clube também entende que atravessa uma fase institucional delicada. De acordo com a apuração do Lance!, essa situação interfere diretamente no ambiente do futebol e ajuda a explicar a cautela da diretoria ao avaliar o comando da equipe. Por isso, mesmo com o resultado negativo diante da Chapecoense, não existe um cenário considerado plausível para a saída imediata do treinador.
Dorival ainda tem respaldo interno
A permanência de Dorival não significa que a sequência recente esteja sendo ignorada. O São Paulo chegou a dez partidas sem vitória no Brasileirão desde a chegada do treinador. A série aproximou o time da parte de baixo da tabela e ampliou a cobrança sobre jogadores, comissão técnica e diretoria. O desempenho na competição nacional é o ponto que mais preocupa neste momento.
O contraste aparece quando o clube é observado em outra frente. Na Copa Sul-Americana, o São Paulo apresentou uma postura diferente e avançou ao eliminar o Bolívar na semana anterior. A classificação serviu como sinal de que a equipe pode responder em determinadas circunstâncias, mas não foi suficiente para afastar as dúvidas criadas pelo jejum no Campeonato Brasileiro.
A diretoria trabalha com a expectativa de que o time consiga uma virada de chave nas próximas rodadas. Essa confiança é um dos fatores que sustentam Dorival no cargo. Internamente, a avaliação é de que ainda há espaço para uma reação em campo, desde que a equipe consiga transformar a dedicação mencionada pelo treinador em resultados e atuações mais consistentes.
Depois da derrota, o próprio Dorival adotou um tom duro ao analisar a atuação. Em entrevista coletiva, classificou o resultado como “vergonhoso” e afirmou que era “inadmissível” não alcançar o objetivo no confronto. O treinador reconheceu que o desempenho não poderia continuar daquela maneira e defendeu uma resposta baseada em ação e trabalho.
“Nós temos que ter consciência do clube que nós estamos, o tamanho do que é o clube, o que ele representa em todos os sentidos”, declarou Dorival. Na sequência, o técnico disse que a equipe estava se dedicando, mas que isso não vinha sendo suficiente. A fala indicou a necessidade de buscar algo diferente para alterar o momento vivido pelo time.
Brasileirão virou foco principal
Com a eliminação na Copa do Brasil, o São Paulo concentra sua próxima missão no Campeonato Brasileiro. A equipe terá uma semana livre antes de voltar a campo. O próximo compromisso está marcado para sábado, dia 29 de agosto, diante do Bragantino, no Morumbis.
O intervalo até a partida oferece tempo para Dorival trabalhar a equipe e procurar alternativas para interromper o jejum. A ausência de um jogo no meio da semana também permite que o treinador direcione a preparação para uma competição que, neste momento, concentra a maior parte das preocupações do clube.
O duelo contra o Bragantino ganhou importância justamente pela combinação entre a sequência sem vitórias e a proximidade da parte inferior da tabela. O São Paulo precisa reagir no Brasileirão para reduzir a pressão e dar sustentação à avaliação favorável que Dorival ainda recebe internamente. A partida no Morumbis será a oportunidade mais próxima para iniciar essa mudança.
A situação também impõe uma responsabilidade ao elenco. O treinador afirmou que o grupo precisava trabalhar ainda mais, mas reconheceu que o esforço realizado até então não havia produzido a resposta esperada. A cobrança, portanto, não está restrita a uma decisão tática ou a um único setor do time. O São Paulo precisa apresentar uma reação coletiva para deixar para trás a série negativa.
Mesmo com a classificação na Sul-Americana, o desempenho recente no torneio nacional mantém o alerta ligado. A diferença entre as duas campanhas mostra que o clube teve capacidade de competir melhor em uma disputa, mas ainda não conseguiu repetir esse padrão no Brasileirão. Para a diretoria, a tarefa agora é encontrar uma forma de levar ao campeonato a postura demonstrada na competição continental.
Treinador chegou após Roger Machado
Dorival Júnior assumiu o São Paulo depois da saída de Roger Machado. Desde então, ainda não conseguiu vencer no Campeonato Brasileiro. Essa informação pesa na análise do momento, mas não alterou a percepção interna de que o técnico continua respaldado pela diretoria e integrado ao elenco.
Até o momento, não há movimentações de saída por parte do clube nem do treinador. A permanência é tratada como a situação vigente, enquanto o São Paulo aguarda uma reação nas próximas rodadas. O resultado contra a Chapecoense gerou insatisfação, mas não foi suficiente para transformar a pressão em uma decisão pela troca do comando.
A posição da diretoria mantém Dorival à frente da preparação para o encontro com o Bragantino. O treinador terá de administrar a cobrança da torcida, o impacto dos dez jogos sem vitória e a necessidade de melhorar a campanha no Brasileirão. Ao mesmo tempo, contará com a confiança interna e com um elenco com o qual, segundo a apuração, mantém bom relacionamento.
O cenário é de cobrança sem ruptura. A derrota expôs a urgência de uma mudança de comportamento, mas a resposta esperada será buscada com a comissão técnica atual. O São Paulo entende que o momento institucional delicado exige cuidado nas decisões, enquanto a comissão trabalha para encontrar uma solução esportiva.
Por isso, a partida contra o Bragantino será observada como um teste para a capacidade de reação do time, e não como um anúncio prévio de mudança no comando. A diretoria ainda acredita em uma virada de chave, mas a proximidade da parte de baixo da tabela torna o resultado cada vez mais relevante para o futuro imediato do São Paulo no Campeonato Brasileiro.