Dorival Júnior analisa estratégias para o São Paulo.Foto: Reprodução da Internet
O São Paulo chega ao duelo com o Vitória sob pressão por causa de um problema que se tornou evidente nos resultados recentes: a equipe perdeu força no ataque. Nos seis compromissos mais recentes, o Tricolor marcou apenas três vezes. O dado chama ainda mais atenção porque somente um desses gols ocorreu durante uma jogada com a bola em movimento, enquanto os outros dois saíram de cobranças de pênalti.
O cenário ofensivo contrasta com o momento da defesa. No mesmo recorte, o time sofreu oito gols, resultado que evidencia o desequilíbrio entre a dificuldade para marcar e a quantidade de vezes que foi vazado. A sequência contribuiu para as duas derrotas consecutivas e elevou a cobrança sobre o elenco na reta final do Campeonato Brasileiro.
Produção ofensiva ficou concentrada em bolas paradas
O único gol do período registrado em uma jogada com a bola rolando aconteceu contra o Boca Juniors, no MorumBIS, pela partida de volta das quartas de final da Copa Sul-Americana. Artur cobrou uma falta para a área, e Domingos Duarte desviou de cabeça. Embora a conclusão tenha ocorrido durante o jogo, a construção do lance começou em uma situação de bola parada.
As outras duas bolas na rede foram marcadas em penalidades máximas. Luciano converteu contra o Internacional, enquanto Calleri fez o gol diante do Santos. Assim, o São Paulo não conseguiu transformar ataques trabalhados em uma fonte constante de gols no recorte mais recente.
A última partida em que o time marcou em jogadas construídas ocorreu em 5 de setembro, na vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG. Na ocasião, Luciano recebeu passe rasteiro de Artur e finalizou. O segundo gol foi marcado por Iago, de cabeça, após cruzamento de Lucas Ramon.
Os números ajudam a dimensionar o problema, mas não resumem apenas a pontaria dos atacantes. A equipe também tem tido dificuldade para criar movimentos que levem a bola até a área em condições favoráveis. Sem volume suficiente nas ações trabalhadas, faltas próximas ao gol e pênaltis passaram a ter peso maior na produção ofensiva.
Trio principal teve pouca continuidade
Outro ponto do recorte é a falta de sequência na formação considerada mais forte para o setor. Artur, Luciano e Calleri começaram juntos em apenas três dos seis jogos analisados. A oscilação impediu que Dorival Júnior mantivesse por mais tempo a mesma combinação entre criação, velocidade e presença na área.
Calleri ficou fora de três partidas, sendo duas por suspensão automática. Nas oportunidades abertas no ataque, Gustavo Santana foi utilizado contra o Boca Juniors, enquanto Ryan Francisco recebeu uma chance diante do Santos. As trocas alteraram a referência ofensiva e reduziram o tempo de convivência entre os jogadores que precisavam dividir responsabilidades no setor.
Artur também não começou o clássico contra o Palmeiras. Naquele compromisso, Dorival optou por preservar os titulares, e o meia-atacante iniciou a partida no banco. Luciano, que vinha sendo aproveitado com regularidade, sofreu uma lesão e não participou do confronto com o Cruzeiro.
A ausência de cada jogador teve uma causa diferente: suspensão, preservação e problema físico. Ainda assim, o efeito conjunto foi a interrupção da continuidade no ataque. Com mudanças frequentes, o São Paulo teve menos oportunidades para consolidar combinações pelos lados, infiltrações e jogadas por dentro.
Derrotas aumentam o peso da falta de gols
A derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro, na última quarta-feira (7), agravou a situação. O resultado foi o segundo revés seguido do Tricolor e manteve a equipe com 36 pontos, na 11ª colocação do Brasileirão. O São Paulo tenta se afastar da zona de rebaixamento e, por isso, precisa recuperar a capacidade de transformar partidas equilibradas em resultados positivos.
Quando a produção ofensiva é baixa, qualquer gol sofrido passa a ter impacto maior. O time precisa marcar mais para compensar os momentos em que a defesa não consegue sustentar o resultado, mas os números recentes mostram justamente o contrário: oito gols sofridos contra apenas três marcados em seis partidas.
O calendário imediato também reduz o espaço para ajustes. Depois da partida contra o Cruzeiro, o elenco teve apenas um treinamento previsto antes do compromisso seguinte. A atividade foi programada para a manhã de sexta-feira (9), no CT da Barra Funda, em uma preparação curta para a rodada do fim de semana.
Vitória será oportunidade de reação
O São Paulo enfrenta o Vitória no sábado (10), às 21h, no MorumBIS, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. Além da necessidade de interromper a sequência de derrotas, o duelo representa a primeira oportunidade de resposta após a atuação contra o Cruzeiro.
Dorival Júnior precisará definir como reorganizar o setor ofensivo e quais jogadores estarão disponíveis para o confronto. A possível reunião de Calleri, Luciano e Artur pode ampliar as alternativas, mas a presença dos principais nomes não garante, sozinha, uma mudança no desempenho. O desafio é fazer com que eles participem de uma construção mais constante.
O adversário encontrará um São Paulo que marcou pouco, sofreu muito mais do que gostaria e terá pouco tempo para preparação. Por isso, a partida no MorumBIS terá importância tanto para a tabela quanto para a confiança do ataque. Depois do resultado diante do Cruzeiro, o Tricolor precisa encontrar respostas sem depender exclusivamente de pênaltis ou bolas paradas.