O São Paulo recebeu um novo transfer ban da Fifa e passou a conviver com o risco de perder até seis pontos no Campeonato Brasileiro. A punição está ligada a uma dívida com representantes de Giuliano Galoppo, contratado pelo clube junto ao Banfield, da Argentina.
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O bloqueio impede o Tricolor de registrar novos jogadores enquanto a obrigação não for resolvida. A perda de pontos, no entanto, não ocorre automaticamente com a aplicação do transfer ban. Ela está prevista na decisão da entidade como consequência possível caso o São Paulo permaneça inadimplente.
Os relatos disponíveis apresentam diferenças sobre o valor e o vencimento da cobrança. O ge informa uma dívida de US$ 300 mil, aproximadamente R$ 1,5 milhão, com prazo de 60 dias até 2 de dezembro. Já a TMC aponta uma cobrança de US$ 350 mil feita pelo agente Leandro Escudero, acrescida de 6 mil francos suíços em juros, totalizando cerca de R$ 1,9 milhão, com vencimento indicado para 1º de dezembro.
Como não há confirmação suficiente para eliminar a divergência, o montante exato e a data-limite devem ser tratados com cautela. Os dois relatos, porém, coincidem no ponto central: o clube precisa quitar a pendência para retirar o bloqueio e evitar que o caso avance para uma sanção esportiva.
O artigo 21 do Código Disciplinar da Fifa trata do descumprimento de decisões da entidade. O dispositivo permite a adoção de medidas adicionais contra clubes que não cumprem obrigações financeiras, incluindo a manutenção da proibição de registrar atletas, a dedução de pontos e, em situações mais graves, o rebaixamento.
A simples existência de um transfer ban não significa que o São Paulo será punido imediatamente na tabela. A possibilidade de desconto está relacionada à permanência do débito e ao eventual descumprimento da determinação. Segundo a apuração do ge, o regulamento menciona situações de inadimplência persistente, reincidência ou infrações graves. Para a inadimplência persistente, aparece como referência a permanência do clube sob bloqueio por mais de três janelas inteiras e consecutivas.
O histórico recente aumenta a pressão sobre a diretoria. Ainda nesta temporada, o São Paulo havia sido punido por causa de um atraso no pagamento à Lazio, referente à contratação do meio-campista Marcos Antônio. A parcela pendente era de 1,05 milhão de euros, valor quitado no início de agosto. Com o pagamento, o bloqueio anterior foi suspenso.
Posição no Brasileirão amplia o impacto
O risco esportivo ganha peso porque o São Paulo aparece na parte intermediária da classificação. No cenário apresentado pelo ge, o time ocupa a 11ª posição, com 36 pontos. Se a dedução de seis pontos fosse aplicada naquele momento, a equipe cairia para o 16º lugar e ficaria apenas um ponto acima do Grêmio, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento.
Essa projeção não representa uma punição já aplicada nem uma alteração confirmada na tabela. Ela mostra, contudo, o efeito potencial de uma decisão administrativa sobre a campanha do clube. Com o campeonato próximo do fim, uma perda dessa dimensão reduziria a margem do São Paulo em relação aos adversários que lutam contra o rebaixamento.
O prazo informado pelo ge termina em 2 de dezembro, mesma data apontada como a última rodada do Brasileirão. A TMC, por sua vez, indica 1º de dezembro. A diferença reforça a necessidade de o clube esclarecer internamente o vencimento exato e concluir o pagamento antes do limite reconhecido no processo.
Bloqueio também afeta o planejamento de 2027
Além da ameaça na classificação, o transfer ban interfere diretamente no planejamento do elenco. Enquanto a dívida não for quitada, o São Paulo não pode inscrever reforços. A TMC informa que o clube contratou seis jogadores na última janela: Victor Sá, Newton, Aurélio Buta, Iago Borduchi, Domingos Duarte e Pedro Lima.
A próxima janela de transferências prevista no calendário da CBF será aberta no início de janeiro de 2027. Caso o bloqueio permaneça até esse período, a diretoria poderá ficar impedida de registrar novos atletas, ainda que consiga negociar contratações. O bloqueio, portanto, não impede necessariamente conversas ou acordos, mas inviabiliza a inscrição dos jogadores enquanto a sanção estiver ativa.
O São Paulo trabalha com a expectativa de resolver a pendência rapidamente. De acordo com o ge, a diretoria demonstra confiança em realizar o pagamento ainda nesta semana. Um fator considerado favorável é que o bloqueio foi aplicado fora de uma janela de inscrições, evitando que o clube precise dividir o fluxo de caixa entre a dívida e compromissos imediatos de novas contratações.
Outro recurso citado na apuração é o acordo com a Ticketmaster, que prevê um adiantamento de R$ 110 milhões em até 45 dias. A previsão é que esse valor ajude a aliviar o caixa do clube, embora o material disponível não confirme que o repasse já tenha sido realizado nem que o pagamento aos agentes tenha sido concluído.
Relação com a passagem de Galoppo
Galoppo chegou ao São Paulo em 2022, em uma operação com o Banfield que, segundo a TMC, alcançou aproximadamente US$ 6 milhões quando incluídas taxas e comissões. O meia argentino permaneceu no clube até 2025, período em que disputou 60 partidas e marcou dez gols.
Em 2025, o jogador foi emprestado ao River Plate, que posteriormente tornou a transferência definitiva. A negociação incluiu a chegada ao elenco são-paulino do atacante Gonzalo Tapia e do lateral-esquerdo Enzo Díaz. Atualmente, Galoppo defende o Atlanta United, dos Estados Unidos.
A pendência que originou o novo bloqueio, porém, está relacionada à intermediação feita na contratação do jogador, e não a uma obrigação esportiva decorrente de sua atual equipe. Para o São Paulo, a prioridade é resolver a cobrança dentro do prazo e impedir que o processo financeiro produza consequências na tabela do Brasileirão ou no planejamento da próxima temporada.