O São Paulo encaminhou uma nova forma de pagamento para a dívida com o Grêmio Novorizontino pela contratação do volante Djhordney, de 19 anos. Os clubes ainda ajustam os procedimentos burocráticos antes da assinatura, mas a negociação pode impedir que o time tricolor sofra outro transfer ban na temporada.
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O débito é estimado em aproximadamente R$ 1 milhão. A contratação, realizada em janeiro, previa a quitação em cinco parcelas de R$ 200 mil. O São Paulo não conseguiu cumprir o cronograma original, e o atraso levou o Novorizontino a acionar a estrutura de regulação financeira do futebol brasileiro.
Parcelamento ainda depende de formalização
A informação sobre o entendimento entre os clubes foi publicada inicialmente pelo jornalista Gabriel Sá, do UOL. Em nota enviada ao veículo, o Novorizontino confirmou que as partes estão fechando um novo parcelamento, com previsão de cumprimento até o encerramento desta temporada.
“O Grêmio Novorizontino informa que um novo acordo de parcelamento está sendo fechado entre os clubes, para que seja cumprido até o final desta temporada. No momento, os clubes acertam detalhes burocráticos para formalização do mesmo”, informou o clube do interior paulista.
O comunicado deixa claro que a dívida não foi quitada integralmente neste momento. O São Paulo precisa transformar o entendimento em um documento formal e, depois, cumprir as parcelas previstas. Até que isso ocorra, a obrigação financeira continua em aberto, embora exista uma solução negociada entre as diretorias.
A repactuação atende ao prazo estabelecido no processo regulatório. A decisão analisada pelas fontes previa que o clube poderia evitar a punição caso quitasse o débito ou formalizasse uma nova composição diretamente com o credor.
Entenda a cobrança contra o São Paulo
O Novorizontino apresentou a denúncia no início de julho, com base no artigo 45 do Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira. A norma trata de valores devidos em operações envolvendo transferências de atletas, primeiros registros profissionais, indenizações por formação e contribuições de solidariedade.
A decisão da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, identificada nas fontes como ANRESF, foi emitida em 12 de agosto. Antes da definição, o São Paulo teve dez dias úteis para apresentar comprovante de pagamento ou uma defesa fundamentada. Segundo a Gazeta Esportiva, o clube reconheceu a existência do débito durante o procedimento, mas as justificativas para o atraso não foram aceitas pela agência.
Depois da análise, foi estabelecido um prazo de 45 dias para a regularização. O valor poderia incluir juros, correção monetária e eventual penalidade contratual. Conforme o prazo divulgado, a data-limite é 27 de setembro. A formalização do acordo com o Novorizontino aparece, portanto, como a alternativa encontrada pelo São Paulo para cumprir a exigência sem desembolsar imediatamente todo o montante.
As fontes também fazem referência à Agência de Fair Play da CBF, estrutura que começou a operar no futebol brasileiro neste ano. O caso mostra a aplicação de mecanismos voltados ao acompanhamento de compromissos financeiros entre clubes, ainda que a punição esportiva dependa do processo e das regras aplicáveis à situação.
O que significa o transfer ban
O transfer ban impede o registro de novos jogadores enquanto a pendência que originou a medida não é resolvida. A punição não bloqueia necessariamente conversas, sondagens ou negociações, mas impede que eventuais reforços sejam inscritos nas competições durante a vigência da restrição.
Por isso, a assinatura do novo acordo tem consequência prática para o planejamento do São Paulo. O clube não apenas tenta regularizar uma dívida antiga, mas também busca preservar sua capacidade de registrar atletas em futuras janelas. O efeito, contudo, está condicionado ao cumprimento do cronograma renegociado; um novo descumprimento pode recolocar o caso sob avaliação das instâncias responsáveis.
Essa é a segunda situação relacionada a transfer ban enfrentada pelo São Paulo em 2026. O primeiro episódio envolveu uma pendência pela contratação do volante Marcos Antônio junto à Lazio, da Itália. Naquela ocasião, a dívida foi solucionada pouco mais de duas semanas depois, e a restrição acabou retirada, permitindo novamente o registro de jogadores.
De acordo com a Gazeta Esportiva, o processo relacionado ao Novorizontino também foi o primeiro com punição envolvendo um clube da Série A desde a criação da estrutura nacional de sustentabilidade financeira. A Ponte Preta, da Série B, foi mencionada entre as equipes penalizadas, em um caso ligado a atrasos salariais.
Agenda esportiva no período
A negociação financeira ocorre enquanto o São Paulo se prepara para dois compromissos do Campeonato Brasileiro previstos no calendário divulgado. O primeiro será diante do Santos, no Morumbis, em São Paulo, em 2 de outubro, às 20h, em partida atrasada da 21ª rodada.
Depois, o time enfrentará o Cruzeiro no Mineirão, em Belo Horizonte, em 7 de outubro, às 21h30, pela 29ª rodada. A pendência com o Novorizontino não altera diretamente a realização desses jogos, mas a situação administrativa é relevante para a sequência da temporada e para a possibilidade de novas inscrições.
O próximo passo é concluir a documentação entre os clubes. Uma vez formalizado o parcelamento, o São Paulo terá de cumprir os pagamentos até o fim da temporada para encerrar a cobrança e evitar que a dívida volte a gerar sanções esportivas ou administrativas.