O São Paulo terá de administrar duas prioridades na sequência da temporada. Antes de voltar ao Morumbis para decidir a classificação na Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, o Tricolor encara o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. A intenção inicial de Dorival Júnior é montar uma equipe forte para o Choque-Rei, mas a escalação dependerá da resposta física dos jogadores após a derrota por 1 a 0 na Bombonera.
A comissão técnica pretende observar o elenco nos treinamentos que antecedem o clássico. A avaliação será individual, já que a partida na Argentina teve alto nível de intensidade e alguns atletas terminaram o confronto sentindo os efeitos do esforço. Assim, a ideia de usar a força máxima disponível não significa que todos os principais jogadores estejam confirmados desde já.
Luciano é dúvida após novo incômodo muscular
O principal caso acompanhado pelo São Paulo é o de Luciano. O atacante voltou a sentir a parte posterior da coxa durante o jogo contra o Boca Juniors e aparece como candidato a ser preservado diante do Palmeiras. A decisão tem relação com o cuidado para evitar o agravamento do problema e manter o jogador em melhores condições para a partida decisiva da Sul-Americana.
Se Luciano não atuar, Gustavo Santana surge como uma das alternativas para o setor ofensivo e larga à frente na disputa por uma vaga. Calleri também é uma opção para o ataque, mas sua utilização precisa ser analisada dentro do planejamento para o compromisso continental. O argentino recebeu cartão amarelo na Bombonera após uma discussão com um jogador do Boca e ficará suspenso no duelo de volta.
A suspensão muda o peso da decisão sobre a participação de Calleri no clássico. O centroavante voltou a ser titular na Argentina depois de permanecer no banco nas duas partidas anteriores do São Paulo. Ele foi substituído por Ferreira no segundo tempo e deixou o campo sob vaias dos torcedores do Boca, clube pelo qual atuou em 2015. Após a partida, afirmou à ESPN da Argentina que não se incomodou com a recepção, por considerar normal a reação da torcida aos adversários.
Retornos podem aliviar a montagem do time
O São Paulo também trabalha com a possibilidade de contar novamente com Bobadilla e Arboleda. O meio-campista ficou afastado por causa de um desconforto físico, enquanto o zagueiro vinha se recuperando de um problema que o tirou de partidas recentes. Os dois ainda dependem da avaliação do departamento médico e do desempenho nos trabalhos antes do clássico.
Uma eventual volta de Bobadilla ampliaria as alternativas para o meio-campo, setor que teve uma mudança importante no duelo com o Boca. Dorival optou por iniciar com Pablo Maia no lugar de Danielzinho, buscando um jogador mais fixo à frente da defesa. Depois da partida, o treinador explicou que a alteração procurava proteger a região central e limitar a circulação de passes do adversário.
Na avaliação de Dorival, o São Paulo conseguiu controlar o meio-campo argentino e não apresentou problemas pelo centro. Para o treinador, o gol sofrido no início do segundo tempo nasceu de um descuido, e não da escolha do homem utilizado à frente da defesa. Merentiel marcou aos seis minutos da etapa final, depois de uma jogada construída por Blanco, em uma das principais oportunidades do Boca no confronto.
O resultado deixou o São Paulo em desvantagem nas quartas de final. Para avançar diretamente, o time precisará vencer por dois gols de diferença no Morumbis. Um triunfo por apenas um gol levará a decisão para os pênaltis, enquanto empate ou nova derrota elimina o Tricolor. A partida de volta está marcada para a próxima terça-feira.
Clássico pode manter reação no Brasileiro
Apesar da proximidade da decisão continental, o duelo com o Palmeiras tem importância própria no Campeonato Brasileiro. O São Paulo chega ao Choque-Rei depois de duas vitórias consecutivas na competição e tenta dar continuidade à reação. Por isso, a comissão técnica não trata o clássico como um compromisso secundário, ainda que precise controlar a carga dos atletas.
Dorival indicou, após o jogo na Argentina, que o elenco passaria por trabalhos de recuperação antes de uma nova análise. O treinador afirmou que os jogadores fizeram atividades normais depois de uma partida anterior e que a comissão voltaria a avaliar a situação a partir da sequência de compromissos. A definição, portanto, ficará ligada ao rendimento físico apresentado nos próximos treinamentos.
O calendário exige uma solução de equilíbrio. O Palmeiras representa um confronto de alta intensidade e pode ajudar o São Paulo a sustentar o momento de reação no campeonato nacional. Poucos dias depois, porém, o time precisará buscar uma vitória expressiva contra o Boca para seguir na Sul-Americana. A montagem da equipe para o clássico terá de considerar não apenas o adversário, mas também a necessidade de chegar inteiro à decisão.
Morumbis é trunfo para a volta contra o Boca
A confiança para o jogo continental está associada ao desempenho recente em casa. As quatro vitórias de Dorival desde que assumiu o comando do São Paulo ocorreram no Morumbis, e o time venceu os três compromissos mais recentes no estádio. A sequência transformou a arena em um dos principais argumentos para tentar reverter a vantagem argentina.
Depois da derrota na Bombonera, Dorival pediu o apoio dos torcedores e manifestou o desejo de ver o estádio cheio na partida de volta. O treinador também terá de lidar com a ausência de Calleri e com a condição física de Luciano, dois nomes diretamente ligados às opções ofensivas. Por esse motivo, o desempenho do ataque no Choque-Rei poderá ser observado tanto pelo resultado no Brasileiro quanto pela necessidade de preparar alternativas para a decisão.
A escalação contra o Palmeiras só deverá ser definida depois da reavaliação do elenco. A tendência é que Dorival utilize os titulares que apresentarem condições adequadas, preserve os jogadores mais desgastados e aproveite os possíveis retornos para distribuir melhor os minutos. O São Paulo, assim, tentará competir no clássico sem comprometer a preparação para a partida que definirá seu futuro na Copa Sul-Americana.