O São Paulo decidiu adiar o pagamento que pode derrubar o transfer ban aplicado pela Fifa por uma dívida relacionada à contratação de Giuliano Galoppo. Nesta terça-feira, a diretoria direcionou os recursos disponíveis para quitar a folha salarial do elenco profissional, em vez de regularizar imediatamente a pendência internacional.
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A escolha ocorre depois de o clube atrasar em dois dias, no mês anterior, o depósito dos vencimentos dos jogadores. A administração considerou prioritário evitar um novo desgaste interno, enquanto ainda dispõe de prazo para resolver a cobrança na entidade máxima do futebol.
O bloqueio permanece ativo. Na prática, o São Paulo está impedido de registrar novos atletas, embora a punição não afete a utilização dos jogadores que já estão inscritos. A retirada da sanção depende da confirmação do pagamento pela Fifa.
Dívida tem valores diferentes nas apurações
As informações disponíveis apresentam divergência sobre o valor principal cobrado. O sistema da Fifa citado pela SpaceMoney registra US$ 350 mil, aproximadamente R$ 1,8 milhão na conversão apresentada pelo veículo. Já o Lance! informa que a dívida com os agentes de Galoppo gira em torno de US$ 300 mil, cerca de R$ 1,5 milhão.
Também há diferença sobre o cronograma financeiro. A expectativa inicial, segundo apuração do UOL reproduzida pela SpaceMoney, era de que o pagamento fosse realizado nesta terça-feira. A informação divulgada pela Nação Tricolor aponta, porém, que o São Paulo optou por postergar o desembolso e usar o caixa na folha salarial.
O Lance! relata que a decisão da Fifa prevê a possibilidade de dedução de seis pontos no Campeonato Brasileiro se o débito não for quitado em 60 dias. O prazo indicado pelo veículo termina em 2 de dezembro. A perda não é imediata: dependeria da continuidade do descumprimento da determinação.
A Nação Tricolor também menciona honorários advocatícios ligados ao processo, com prazo até o fim de outubro. O material disponível não esclarece se essa obrigação corresponde a uma cobrança separada ou a uma etapa acessória do mesmo litígio. Por isso, o valor de US$ 350 mil e o prazo esportivo de 2 de dezembro devem ser tratados conforme as atribuições específicas de cada apuração.
Como o caso de Galoppo chegou à Fifa
A cobrança está ligada à transferência de Galoppo do Banfield para o São Paulo, em julho de 2022. A operação custou aproximadamente US$ 6 milhões, montante que incluía taxas e comissões. O jogador era representado por Leandro Escudero na época, mas depois passou a ser agenciado pela Team Raiola. Não há confirmação, nas informações disponíveis, sobre qual representante é o credor da quantia que originou o bloqueio.
Galoppo deixou de fazer parte do elenco são-paulino após empréstimo ao River Plate em 2025 e transferência definitiva para o clube argentino no fim daquele ano. A negociação também envolveu a chegada de Enzo Díaz e Gonzalo Tapia ao São Paulo. Pelo Tricolor, o meia argentino disputou 60 partidas e marcou dez gols. Atualmente, ele defende o Atlanta United, nos Estados Unidos.
O novo transfer ban foi aplicado em 2 de outubro e representa a segunda punição do São Paulo em 2026. Em 21 de julho, a Fifa havia bloqueado os registros do clube por causa do atraso de uma parcela de 1,05 milhão de euros referente à contratação de Marcos Antônio, então jogador da Lazio.
A dívida com o clube italiano foi quitada no início de agosto, e a punição acabou retirada. Depois disso, o São Paulo conseguiu registrar seis reforços na janela seguinte: Domingos Duarte, Aurélio Buta, Iago Borduchi, Pedro Lima, Newton e Victor Sá. O episódio anterior serve como referência para o procedimento atual, mas a liberação do novo bloqueio só ocorrerá quando a Fifa confirmar a regularização.
Reincidência aumenta a preocupação
O caso atual tem peso maior porque ocorre poucos meses depois da primeira punição de 2026. De acordo com o Lance!, o Código Disciplinar da Fifa prevê consequências mais severas em situações de reincidência, incluindo a possibilidade de o clube ficar impedido de registrar jogadores por até três janelas. A aplicação de uma medida desse tipo não foi confirmada para o São Paulo, mas a sequência de sanções amplia o risco jurídico e financeiro.
O clube também já havia enfrentado outros bloqueios recentes. Até 2025, não tinha registrado transfer ban em sua história, segundo o Lance!. Em agosto daquele ano, porém, foi punido por uma dívida de US$ 300 mil com o Cerro Porteño, relacionada à contratação de Damián Bobadilla. Em dezembro, recebeu nova sanção por uma divergência de comissão com o ex-representante de Jonathan Calleri, em débito informado em US$ 1,2 milhão. Os dois casos foram posteriormente resolvidos.
Para o planejamento esportivo, a pendência restringe qualquer tentativa de registrar reforços. A próxima janela prevista no calendário da CBF será aberta em janeiro de 2027, de modo que a solução interessa tanto à montagem do elenco quanto à prevenção de novas sanções. Enquanto o débito não for reconhecido como quitado pela Fifa, o São Paulo continuará sem autorização para inscrever jogadores.
A diretoria trabalha com receitas extraordinárias e antecipações para reunir os recursos necessários. Entre as alternativas citadas está uma antecipação prevista em contrato com a Ticketmaster, firmado na última semana. As informações disponíveis não confirmam que esse dinheiro já tenha sido recebido nem que esteja destinado especificamente ao pagamento da dívida.
O São Paulo, portanto, escolheu proteger a folha salarial no curto prazo, mas manteve aberto o problema que bloqueia seus registros internacionais. A prioridade financeira desta terça-feira não encerra o caso: o clube ainda precisa quitar a cobrança e obter a confirmação da Fifa para voltar a se movimentar formalmente no mercado.