As chegadas de Arthur Melo e Rodinei não encerraram o planejamento do Santos no mercado. A diretoria pretende avançar por aproximadamente três reforços para o elenco de Cuca, que enfrenta a reta decisiva da temporada entre o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana. A prioridade está no ataque, mas o clube também monitora alternativas para a defesa e a criação.
O departamento de futebol trabalha com quatro posições no radar: centroavante, zagueiro, lateral-esquerdo e meia de criação. Como a previsão é concluir cerca de três negociações, a definição dependerá das oportunidades encontradas e da avaliação sobre as carências mais urgentes do grupo.
A informação sobre o planejamento foi divulgada pelo jornalista Bruno Lima, do UOL Esporte, e também apurada pela Placar. Mesmo com duas contratações já confirmadas, o Santos considera que ainda precisa ampliar as opções disponíveis para o treinador.
O perfil mais procurado é o de um camisa 9 de referência. O Santos busca um atacante com presença física, capacidade de proteger a bola e força no jogo aéreo, características que podem oferecer ao time uma alternativa diferente no setor ofensivo.
A avaliação interna é que Gabigol não exerce naturalmente a função de centroavante fixo. O atacante tem sido utilizado no comando do ataque, mas não reúne, na visão da comissão técnica, o mesmo conjunto de características desejado para um jogador capaz de sustentar a bola de costas para a defesa e disputar cruzamentos.
A procura, contudo, não significa necessariamente uma tentativa de substituir Gabigol. A intenção é aumentar as possibilidades de Cuca e permitir que a equipe adote comportamentos diferentes conforme o adversário, o momento da partida e a estratégia escolhida. A contratação de um jogador mais físico também elevaria a concorrência em uma posição considerada importante para a sequência das competições.
Segundo a apuração da Placar, Cuca está insatisfeito com o rendimento recente de Gabigol, que atravessava uma sequência de quatro partidas sem marcar. A publicação também apontou questionamentos sobre a intensidade e a participação efetiva do atacante nos jogos.
Defesa ainda preocupa a comissão técnica
A lateral esquerda aparece entre os pedidos do treinador. A busca é por um jogador com contribuição ofensiva superior à de Gonzalo Escobar, atual titular. O argentino é reconhecido pelo empenho e pela capacidade de marcação, mas a comissão técnica entende que o setor pode ganhar profundidade e mais presença no campo de ataque.
A tentativa frustrada de contratar Emerson Palmieri, do Olympique de Marselha, reforçou a necessidade de o clube procurar outra solução para a posição. A chegada de Rodinei resolve uma demanda na lateral direita, mas não altera o diagnóstico feito para o lado esquerdo.
Na zaga, as perdas frequentes de Luan Peres e Lucas Veríssimo reduziram a margem de escolha de Cuca. A avaliação é que o elenco permanece carente de alternativas confiáveis para a função. O jovem João Ananias é citado como uma das opções disponíveis, mas o treinador considera necessário acrescentar experiência e profundidade ao setor.
As preocupações defensivas ganharam peso após o empate sem gols com o Palmeiras, em 2 de setembro. Neymar e Barreal deixaram a partida com suspeitas de lesões musculares, enquanto Lucas Veríssimo relatou dores no tornozelo esquerdo. A possibilidade de afastamentos mais longos aumentou a necessidade de o Santos contar com um grupo mais amplo.
Arthur pode definir última prioridade
A contratação de um meia de criação está sendo analisada em paralelo, mas essa necessidade pode mudar de acordo com a adaptação de Arthur Melo. O jogador é considerado polivalente e pode atuar como segundo volante ou em posição mais avançada, oferecendo controle de jogo e melhor circulação da bola.
O desempenho de Arthur em uma função próxima à criação poderá orientar a escolha do terceiro movimento do clube. Caso ele consiga atender à demanda no setor, a diretoria pode concentrar a busca em outras posições. Se a experiência não produzir o resultado esperado, um meia de criação passa a ganhar força no planejamento.
Cuca tratou as duas contratações confirmadas como importantes, embora tenha alertado para o desequilíbrio provocado pelas perdas recentes. Após o empate com o Palmeiras, o técnico afirmou que o Santos havia perdido mais jogadores do que contratado no período. A declaração considerou os possíveis desfalques de Neymar, Barreal e Lucas Veríssimo, além do impacto do transfer ban nas movimentações do clube.
Arthur estava previsto para estrear pelo Santos contra o Internacional, em Porto Alegre, no domingo, 6 de setembro. Rodinei tinha utilização projetada para a quarta-feira seguinte, dia 9, depois da realização dos exames médicos e da assinatura do contrato. O vínculo do lateral-direito foi previsto até o fim de 2027.
Prazo reduzido aumenta pressão por decisões
A segunda janela de transferências do futebol brasileiro foi aberta em 20 de julho e tem encerramento marcado para 11 de setembro. Com o prazo próximo do fim, o Santos precisa estabelecer a ordem de prioridade entre ataque, defesa e meio-campo para transformar o planejamento em contratações.
O clube disputa duas frentes com objetivos distintos. No Brasileirão, tenta se afastar da zona de rebaixamento; na Sul-Americana, busca avançar na competição e lutar pelo título. A combinação de calendário, desfalques e limitações no elenco explica a decisão de manter o mercado aberto após as chegadas de Arthur e Rodinei.
A composição final do grupo, portanto, ainda pode sofrer alterações até o fechamento da janela. A meta indicada pela diretoria é fechar aproximadamente três negócios entre as quatro posições monitoradas, com um centroavante de características específicas tratado como a necessidade mais evidente.