O Santos entrou em uma nova etapa da temporada depois de resolver o transfer ban e reforçar o elenco em um intervalo de duas semanas. Com auxílio da NR Sports, empresa ligada à família de Neymar, o clube viabilizou a inscrição de novos jogadores e anunciou as chegadas de Arthur, Rodinei, Lima e Everton Cebolinha.
As movimentações atendem a uma reivindicação que Cuca vinha fazendo ao longo do ano: aumentar o número de alternativas disponíveis para a comissão técnica. O treinador passou a trabalhar com um grupo mais amplo justamente enquanto o Santos divide sua atenção entre o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana.
A ampliação do elenco não representa apenas a possibilidade de trocar nomes entre uma partida e outra. Também permite administrar melhor o desgaste físico, reagir a suspensões e lesões e modificar o time durante os jogos. Para Cuca, a consequência direta será o crescimento da concorrência interna.
Três dos quatro reforços já foram utilizados. Arthur e Lima participaram do confronto contra o Internacional, pelo Brasileirão, e voltaram a ser acionados na vitória do Santos por 2 a 0 sobre o Atlético-MG, pela partida de ida das quartas de final da Sul-Americana.
Rodinei teve uma estreia de maior responsabilidade. O lateral-direito foi escalado como titular contra o Atlético-MG e integrou a equipe que construiu vantagem na disputa por um lugar na semifinal da competição continental. A presença desde o início mostrou que o jogador rapidamente passou a ser considerado uma alternativa para o setor.
Os primeiros jogos também deram a Cuca a oportunidade de observar os recém-chegados em uma sequência que combina torneios e exige diferentes respostas do elenco. A utilização de Arthur e Lima em duas partidas e a titularidade de Rodinei indicam que os reforços já começaram a participar do planejamento esportivo, em vez de permanecerem apenas como opções futuras.
Everton Cebolinha é o único dos contratados que ainda não estreou pelo clube. O atacante já treina com o grupo, mas a comissão técnica avalia que ele precisa avançar fisicamente para atuar em sua melhor condição. A possibilidade trabalhada por Cuca era relacioná-lo para o duelo contra o Cruzeiro, no sábado, às 21h, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro.
“Cebolinha chega bem, treina com o grupo, não está no ideal, mas vamos ver se a gente já o aproveita”, afirmou o treinador ao explicar a situação do atacante. A decisão dependeria da evolução apresentada nos treinamentos e da avaliação da comissão técnica.
Critério passa a ser desempenho nos treinos e jogos
Com mais jogadores à disposição, Cuca indicou que a definição da equipe será orientada pelo momento de cada atleta. O treinador afirmou que a concorrência deve aumentar e que o Santos não precisa limitar seu planejamento aos 11 titulares.
“A competitividade vai crescer e joga o melhor. O fiscal de tudo é o jogador, sabe que vai jogar quem está melhor. Você não joga só com 11, joga com 16. Lesão, suspensão, momento, a gente usa todo mundo”, declarou.
A lógica apresentada pelo técnico altera o problema que vinha sendo exposto publicamente durante boa parte da temporada. Antes, a preocupação central era encontrar alternativas suficientes para montar o time e fazer mudanças ao longo dos compromissos. Agora, a comissão técnica passa a administrar também a disputa por espaço entre os atletas.
O aumento da concorrência pode afetar diferentes momentos das partidas. Jogadores que começarem no banco podem ser usados para mudar o ritmo do confronto, enquanto titulares terão de sustentar desempenho para conservar suas posições. A avaliação, segundo Cuca, não ficará restrita ao histórico ou ao status de cada nome no grupo.
Diretoria atende pedido, mas mercado ainda pode mexer
Cuca reconheceu o esforço da diretoria para modificar a composição do elenco. “Estamos muito contentes com os jogadores que chegaram. Sei do esforço da direção para servir o treinador, o que eu faço é para fazer o melhor pelo Santos. Fui atendido”, disse.
Em outra manifestação, o técnico indicou que considera o grupo suficientemente encorpado para o planejamento imediato. “Sou grato a eles, porque encorparam o elenco. Os que estavam sabem que era importante. Se não vier mais ninguém, estamos muito contentes”, afirmou.
A declaração não encerrou, porém, a possibilidade de uma nova negociação. O Santos mantinha conversas para contratar Philippe Coutinho, jogador livre no mercado, e Neymar participava dos contatos com o objetivo de tentar convencê-lo a defender o clube na Vila Belmiro. Essa tratativa aparecia como uma frente ainda em andamento, separada das quatro chegadas já anunciadas.
O reforço do elenco acontece em um período de resultados que ampliou a confiança no trabalho. A vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG deixou o Santos em vantagem nas quartas de final da Sul-Americana, enquanto a equipe também buscava reagir no Campeonato Brasileiro. A sequência diante de duas competições torna relevante a possibilidade de alternar peças sem abandonar a competitividade.
O próximo compromisso citado para a equipe é contra o Cruzeiro, na Vila Belmiro. A partida também poderia marcar a primeira aparição de Cebolinha, caso o atacante fosse relacionado. Até lá, Arthur, Lima e Rodinei já representam opções incorporadas ao time, enquanto os demais jogadores passam a conviver com uma disputa interna mais intensa.
Depois de meses em que Cuca cobrou mais alternativas, o Santos chega à reta decisiva com um cenário diferente. A comissão técnica ganhou reforços, aumentou as possibilidades de escalação e terá de transformar essa quantidade de opções em decisões coerentes para manter o time competitivo nas duas frentes.