O placar, porém, não correspondeu inteiramente ao desempenho brasileiro. A Seleção teve amplo domínio territorial, manteve a posse de bola e passou a maior parte do jogo no campo de ataque, mas voltou a apresentar dificuldades para criar oportunidades a partir da própria organização ofensiva. Contra um adversário tecnicamente inferior, dois erros do goleiro Gurpreet também ajudaram a construir a vantagem ainda na etapa inicial.
A alternativa serviu para ampliar a observação do elenco, mas teve efeito sobre o entrosamento. O Brasil circulou a bola com segurança e encontrou pouca resistência para avançar, mas não conseguiu impor intensidade constante. O calor em Calcutá colaborou para um ritmo mais controlado, embora a falta de movimentação e de soluções para romper a defesa indiana tenha sido o principal problema.
A Índia raramente pressionou a saída brasileira e quase não ameaçou Pedro Morisco no primeiro tempo. Mesmo assim, a Seleção levou 28 minutos para abrir o placar. Estêvão aproveitou uma falha de Gurpreet e marcou o primeiro gol, em um lance que tirou o time de um início burocrático.
O gol não transformou completamente a atuação. O Brasil continuou com a bola, mas sem produzir uma sequência de chances claras. Aos 41 minutos, Pedro ampliou novamente com a participação decisiva de um erro do goleiro indiano. Gurpreet falhou nos dois gols e não retornou para a etapa final.
Alterações aumentam a efetividade
Ancelotti fez cinco substituições no intervalo. Vanderson, Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães, Douglas Luiz e Samuel Lino entraram nas vagas de jogadores que haviam iniciado o confronto. A troca aumentou a presença brasileira no ataque, mas também deixou evidente a falta de entrosamento de uma equipe formada por muitas combinações diferentes.
Samuel Lino precisou de 12 minutos para aproveitar a oportunidade. O atacante marcou o terceiro gol e passou a ser a principal referência ofensiva do Brasil na segunda etapa. No fim da partida, já aos 49 minutos, voltou a balançar as redes e fechou o placar em Calcutá.
Além de Samuel Lino, Endrick entrou no lugar de Pedro, enquanto Martinelli substituiu Andrey Santos. Douglas Luiz e Mauro Júnior também participaram da rotação, nas vagas de Gabriel Bontempo e Arthur Dias, respectivamente. As mudanças deram mais ímpeto ao time, mas reduziram a coordenação coletiva em alguns momentos.
A atuação individual de Samuel Lino se destacou justamente em um jogo no qual o funcionamento ofensivo não foi especialmente convincente. Os dois gols deram peso à participação do atacante e mostraram que ele conseguiu responder ao espaço recebido de Ancelotti. Ainda assim, o amistoso não permite concluir que ele tenha assegurado lugar entre os titulares nas próximas partidas.
Defesa é pouco exigida após o intervalo
Com dois gols de vantagem, o Brasil controlou o jogo sem precisar se expor. A Índia, que havia criado pouco antes do intervalo, conseguiu chegar ocasionalmente ao ataque na etapa final, especialmente enquanto as substituições alteravam a organização brasileira. Pedro Morisco, no entanto, respondeu bem quando foi acionado e terminou o amistoso sem sofrer gols.
A escalação brasileira teve Pedro Morisco; Matheuzinho, Marquinhos, Arthur Dias e Douglas Santos; Danilo, Andrey Santos e Gabriel Bontempo; Estêvão, Pedro e Vini Jr. Ao longo do jogo, Ancelotti aproveitou o compromisso para observar alternativas em diferentes setores, sobretudo no meio-campo e no ataque.
O resultado encerra a participação do Brasil nesta sequência de amistosos com aspectos positivos objetivos: quatro gols marcados, nenhum sofrido e mais minutos para jogadores que começaram no banco no compromisso anterior contra a Austrália. Também permitiu ao treinador testar uma formação bastante modificada e avaliar o comportamento de atletas menos utilizados.
Ao mesmo tempo, a goleada mantém uma questão técnica em evidência. A Seleção conseguiu ocupar o campo ofensivo e controlar a posse, mas teve dificuldade para acelerar a circulação e criar jogadas sem depender de erros adversários ou de momentos individuais. Os gols de Estêvão e Pedro nasceram de falhas de Gurpreet, enquanto Samuel Lino foi o responsável por dar maior contundência ao ataque no segundo tempo.
A diferença técnica entre as equipes foi suficiente para que o Brasil vencesse com tranquilidade, mesmo sem uma atuação de grande brilho. O desempenho, contudo, oferece menos margem para conclusões diante de adversários mais fortes. Por isso, o principal saldo para Ancelotti é duplo: o treinador ganhou informações sobre opções como Samuel Lino, Pedro e Andrey Santos, mas também encerrou a data Fifa com a necessidade de melhorar a criação ofensiva.
Samuel Lino deixa Calcutá como o destaque individual da vitória, enquanto o Brasil termina o compromisso com o placar favorável e uma avaliação coletiva menos entusiasmante. A goleada vale pelo resultado e pelas observações feitas, mas não elimina o alerta sobre a dificuldade de transformar domínio territorial em chances construídas.