Rossi teve atuação decisiva na vitória do Flamengo, mantendo o time na liderança do Brasileirão.Foto: Reprodução da Internet
Agustín Rossi deixou o Maracanã com uma resposta dentro e fora de campo. Depois de ser questionado pelo lance que antecedeu o empate do Flamengo com o Santos, o goleiro teve participação decisiva na vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro, e aproveitou a entrevista após o clássico para rebater a tentativa de transformar um episódio coletivo em responsabilidade individual.
O resultado manteve o Flamengo na liderança do Brasileirão, com 64 pontos, um à frente do Palmeiras. Mais do que os três pontos, a atuação recolocou Rossi no centro de uma discussão que ganhou força nos últimos dias: até que ponto um erro em uma jogada específica pode definir a avaliação sobre um goleiro em uma temporada de alta pressão.
Contra o Fluminense, o argentino fez pelo menos duas defesas importantes e ajudou o time a terminar a partida sem sofrer gols. A atuação aconteceu poucos dias depois do empate por 2 a 2 diante do Santos, em uma partida na qual o Flamengo chegou a abrir vantagem de dois gols antes de ceder a igualdade.
Rossi rejeita responsabilidade isolada
No jogo contra o Santos, Rossi tentou sair jogando com os pés e tocou para Jorginho na entrada da área. Pressionado, o volante acabou tocando a bola com a mão. Após revisão do VAR, foi marcado pênalti, e Jorginho recebeu cartão vermelho. Neymar converteu a cobrança e iniciou a reação santista, concluída posteriormente com outro pênalti.
O lance provocou críticas ao goleiro, mas Rossi afirmou que a jogada precisa ser analisada dentro do funcionamento coletivo da equipe. Para ele, o Flamengo vinha utilizando uma ideia de construção desde a defesa e, em outros momentos da mesma partida, conseguiu sair de situações de pressão com qualidade.
Na avaliação do argentino, a discussão sobre um único culpado é injusta porque envolve decisões de vários jogadores. A saída, o posicionamento dos companheiros, a pressão adversária e a sequência do lance fazem parte do mesmo problema. O goleiro também ponderou que, se o Flamengo tivesse vencido por 2 a 1, a repercussão sobre a falha provavelmente seria muito menor.
A defesa feita por Rossi se aproximou da manifestação de Leonardo Jardim. O técnico também evitou atribuir o episódio a um atleta específico e explicou que o posicionamento coletivo do Flamengo reduziu as opções de passe na jogada. O treinador afirmou que sua função é proteger os jogadores e analisar a estrutura do time, e não procurar um responsável isolado por cada resultado negativo.
Atuação no clássico muda o ambiente
O cenário mudou rapidamente no clássico. A vitória sobre o Fluminense, com gol de Carrascal, permitiu ao Flamengo recuperar a confiança depois do empate em Santos. Rossi foi um dos principais personagens do resultado, especialmente pelas intervenções realizadas durante a partida.
Após o gol, o goleiro comemorou junto de Andrew, Dyogo Alves e do preparador Thiago Eler. O momento chamou atenção porque mostrou a proximidade entre os jogadores que disputam espaço no setor. Rossi explicou que a relação entre os goleiros é construída diariamente, com trabalho e conversas sobre as partidas, independentemente de quem começa como titular ou fica fora do banco de reservas.
Essa convivência ganhou relevância em um período de cobrança intensa. Para Rossi, a pressão faz parte de atuar no Flamengo, mas o apoio interno ajuda o elenco a atravessar momentos de crítica. O argentino afirmou que pessoas próximas aos jogadores acabam acompanhando as manifestações nas redes sociais e sofrem com ataques direcionados aos atletas.
O goleiro classificou como exagerada a tentativa de buscar um culpado após o gol sofrido contra o Santos. Ele também lembrou que falhas fazem parte da rotina de qualquer jogador da posição e pediu equilíbrio na avaliação dos lances. A atuação diante do Fluminense, nesse sentido, funcionou como uma resposta esportiva mais forte do que qualquer justificativa.
Gramado do Maracanã também foi tema
Além da própria atuação, Rossi comentou as condições do gramado do Maracanã. O campo passou por uma troca completa depois da partida da NFL realizada no estádio no fim de setembro. O goleiro reconheceu a existência de placas e desníveis, mas avaliou que a superfície melhorou bastante em relação ao estado anterior.
Segundo o relato, a grama utilizada continua sendo a Bermuda Celebration. O processo de preparação ocorreu antes do confronto entre Fluminense e Coritiba, com um intervalo de dez dias e a presença da Data Fifa nesse período. Rossi destacou que ainda faltam ajustes para que o campo alcance a melhor condição, mas considerou possível jogar com mais segurança, inclusive quando a grama está molhada.
Está prevista uma nova mudança após o encerramento do Campeonato Brasileiro. A intenção é substituir a Bermuda Celebration pela Celebration Hybrid, variedade apresentada como mais resistente a sombra, frio e seca. Essa alteração, porém, não interfere na avaliação feita pelo goleiro sobre o gramado utilizado na vitória do Flamengo.
Flamengo volta o foco para a Libertadores
Com o triunfo no clássico, o Flamengo encerrou a preparação imediata para um compromisso ainda mais importante. A equipe enfrenta o Estudiantes na quinta-feira, às 21h30, em La Plata, na Argentina, pelo jogo de ida da semifinal da Libertadores.
O confronto terá significado especial para Rossi, que é argentino e já atuou pelo Estudiantes. O goleiro também teve bom desempenho no estádio em uma edição anterior da competição, quando defendeu o Flamengo nas quartas de final de 2025. Ainda assim, ele tratou o reencontro com cautela e ressaltou a dificuldade do duelo.
Rossi definiu a semifinal como uma disputa que exige concentração máxima e classificou os dois jogos como verdadeiras decisões para o clube. O Flamengo busca chegar novamente à final da Libertadores, mas o goleiro afirmou que a equipe precisa continuar trabalhando e corrigindo detalhes mesmo depois de uma vitória importante no Campeonato Brasileiro.
O próximo desafio, portanto, reúne duas dimensões para Rossi. No campo, ele tentará manter o nível apresentado contra o Fluminense e ajudar o Flamengo a iniciar a semifinal em vantagem. Fora dele, seguirá convivendo com a cobrança sobre a saída de bola e com a necessidade de transformar uma atuação convincente em estabilidade para a sequência decisiva da temporada.
A vitória no clássico não apaga o empate com o Santos, mas muda o ponto de partida para a análise do goleiro. Em vez de permanecer associado apenas ao lance do pênalti, Rossi chega à Argentina respaldado por defesas importantes, por um jogo sem sofrer gols e pela confiança renovada dentro do elenco.