Rodrigo Caio não acompanhou Filipe Luís no trabalho no Monaco por entender que ainda não tinha domínio suficiente do inglês para exercer uma função em comissão técnica. A decisão foi tomada antes de uma eventual mudança para a Europa e está ligada à forma como o ex-zagueiro pretende atuar no futebol: com participação efetiva no dia a dia, e não apenas como alguém próximo do treinador.
Em entrevista ao ge, Rodrigo explicou que a possibilidade de Filipe trabalhar fora do Brasil já era discutida entre os dois antes da saída do Flamengo. A relação construída no clube carioca e o período compartilhado na comissão técnica, porém, não foram suficientes para superar a limitação no idioma.
O ex-jogador afirmou que sempre foi transparente com Filipe Luís sobre a falta de fluência. Na avaliação dele, aceitar o convite sem conseguir conversar diretamente com atletas e profissionais da equipe poderia limitar sua contribuição no ambiente de trabalho.
“Sempre deixei claro para ele (Filipe) que eu não sou fluente no inglês e que eu não iria com ele somente porque… ‘ah, você é bom’. Eu quero me comunicar bem, quero passar meu trabalho, quero ser alguém dentro da comissão que possa acrescentar, como fiz no Flamengo”, declarou.
Preparação inclui aulas e contato diário com o idioma
A barreira linguística não encerrou o projeto de Rodrigo Caio de trabalhar fora do país. O ex-zagueiro decidiu transformar o estudo do inglês em parte central de sua preparação profissional. Atualmente, faz aulas particulares três vezes por semana, realiza atividades todos os dias e procura ampliar o contato com a língua em sua rotina.
O objetivo é alcançar segurança para participar das conversas que fazem parte de uma comissão técnica. Para Rodrigo, a comunicação não se resume a entender instruções básicas: envolve apresentar ideias, dialogar com jogadores, acompanhar discussões internas e contribuir para as decisões do grupo.
Essa preparação também explica por que ele preferiu não aceitar uma oportunidade antes de se sentir pronto. O ex-jogador não descartou o futebol internacional, mas indicou que uma nova experiência no exterior dependerá de uma condição considerada essencial por ele: conseguir trabalhar em inglês com autonomia.
O retorno ao futebol está planejado para a próxima temporada, embora ainda não exista um destino definido. Até lá, Rodrigo pretende concluir essa etapa de estudos e avaliar oportunidades compatíveis com o tipo de função que deseja exercer.
Rodrigo não quer ser treinador principal
Embora tenha conquistado a Licença A da CBF Academy, Rodrigo Caio não planeja assumir o comando de uma equipe como treinador. A formação amplia sua preparação para o futebol, mas não alterou a preferência profissional apresentada na entrevista.
“Ser técnico eu não penso, nem agora e nem no futuro”, afirmou.
A intenção é continuar como integrante de uma comissão técnica, caminho iniciado ao lado de Filipe Luís no Flamengo. A experiência no clube serviu como primeiro passo depois do encerramento da carreira de jogador e deu ao ex-zagueiro contato direto com a rotina de planejamento, treinamento e acompanhamento do elenco.
Por isso, a escolha de não ir ao Monaco não representa uma desistência da carreira fora das quatro linhas. Rodrigo apenas estabeleceu uma condição para o próximo trabalho: ter capacidade de comunicação suficiente para não ocupar um espaço de maneira limitada.
Saída do Flamengo foi vinculada à permanência de Filipe
Rodrigo Caio também falou sobre a saída do Flamengo no mesmo dia da demissão de Filipe Luís, em março. Ele havia sido convidado pelo treinador para fazer parte da comissão e decidiu deixar o clube quando o trabalho foi interrompido.
O ex-zagueiro reconheceu a ligação pessoal com Filipe, mas afirmou que a decisão não foi motivada somente por amizade ou lealdade. Segundo seu relato, tratou-se de uma escolha baseada nos princípios que orientaram a parceria profissional entre os dois.
“O Felipe me convidou, o trabalho foi espetacular e, a partir do momento que ele sai, minha consciência e meu coração pediram para sair junto. Não foi só questão de lealdade, mas de princípios”, disse.
Antes de deixar o clube, Rodrigo relatou ter conversado diretamente com Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo. Ele também afirmou que as portas da instituição permaneceram abertas. A declaração indica que o fim do vínculo com a comissão não foi apresentado por ele como um rompimento com o clube.
A passagem pelo Flamengo é, até agora, a referência mais recente do trabalho de Rodrigo como integrante de comissão técnica. Ao mesmo tempo, ele não pretende retornar imediatamente ao mercado nem aceitar qualquer função apenas para voltar à atividade. O estudo do inglês passou a ser tratado como uma preparação necessária para que uma nova oportunidade tenha condições de continuidade.
Ex-zagueiro segue acompanhando o Flamengo
Mesmo fora da rotina do Ninho do Urubu, Rodrigo Caio continua próximo do Flamengo. Na entrevista, demonstrou carinho pelos antigos companheiros, elogiou o elenco rubro-negro e comentou o trabalho de Leonardo Jardim.
Ao falar sobre a Libertadores, mencionou o desejo de ver uma eventual final entre Flamengo e Palmeiras, desde que os dois clubes avancem na competição. Em um possível confronto, apontou o Flamengo como favorito, mas ponderou que uma decisão pode apresentar características e cenários próprios.
A opinião sobre o clube reforça a ligação mantida com o Flamengo, mas não define o próximo passo profissional. Neste momento, Rodrigo concentra-se no inglês e na preparação para voltar a uma comissão técnica na próxima temporada. O futebol internacional continua entre as possibilidades, desde que ele esteja pronto para se comunicar e contribuir no mesmo nível exigido pelo trabalho.