Jogadores de Remo e Grêmio disputam a posse de bola em campo.Foto: Reprodução da Internet
O Remo decidiu tornar pública a insatisfação com decisões de arbitragem no Campeonato Brasileiro após o empate por 1 a 1 com o Grêmio, na quarta-feira (7), no Mangueirão. No dia seguinte ao confronto, o clube divulgou um vídeo nas redes sociais reunindo diferentes lances contestados ao longo da competição e cobrou maior uniformidade nos critérios adotados durante as partidas.
A manifestação teve como principal ponto um lance ocorrido ainda no começo do primeiro tempo contra o Grêmio. Yago Pikachu tentou fazer um cruzamento dentro da área, e a bola atingiu o braço do zagueiro Kannemann. O árbitro Davi de Oliveira Lacerda não marcou pênalti, e o VAR, sob responsabilidade de Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro, não recomendou a revisão da jogada no monitor.
Na publicação, o Remo questionou: “Até quando?”. A mensagem também citou a Lei Geral do Esporte e relacionou o pedido do clube à necessidade de preservar o fair play, expressão usada para defender o jogo limpo e a adoção de critérios coerentes nas competições.
Remo reúne outros episódios contestados
O vídeo não ficou restrito ao duelo com o Grêmio. A equipe paraense recuperou reclamações feitas em partidas anteriores da Série A, numa tentativa de mostrar que o episódio do Mangueirão seria parte de uma sequência de decisões que, na avaliação do clube, precisam de esclarecimentos.
Contra o Atlético-MG, no empate por 3 a 3 pela terceira rodada, o Remo contestou a anulação de um gol de Leonel Picco. A jogada foi invalidada por causa de um toque de mão de João Pedro na origem do lance. O clube também levantou dúvidas sobre um possível impedimento no gol de empate do adversário.
Outra situação mencionada ocorreu diante do Palmeiras, pela 15ª rodada. Na ocasião, o Remo questionou a não marcação de um possível pênalti sobre Patrick, após disputa com Marlon Freitas. O confronto com o Athletico-PR, pela 17ª rodada, também entrou na compilação. O episódio envolveu Marcelinho, advertido com cartão amarelo por simulação.
As jogadas tiveram interpretações diferentes no decorrer do campeonato. Até o momento descrito no material, não havia reconhecimento oficial da Confederação Brasileira de Futebol de que as decisões citadas estivessem erradas. A avaliação do ex-árbitro e comentarista PC de Oliveira, que considerou penalidade no lance entre Pikachu e Kannemann, representa uma análise externa, e não uma revisão oficial da entidade.
Clube pede acesso aos registros do VAR
Além da divulgação nas redes sociais, o departamento jurídico do Remo solicitou à CBF acesso aos áudios e aos vídeos da análise do VAR no lance contra o Grêmio. O objetivo é obter esclarecimentos sobre a interpretação adotada pela equipe de arbitragem e entender os critérios usados para não recomendar a revisão no campo.
O pedido ocorre depois de um confronto importante na luta contra o rebaixamento. O empate no Mangueirão manteve o Remo na 19ª colocação, com 24 pontos, segundo a informação posterior à partida. O clube ainda tinha nove rodadas pela frente e precisava reduzir a distância para os adversários que estavam fora da zona de descenso.
Antes do duelo, o cenário já era de pressão para os dois times. O Remo vinha de uma sequência de dez partidas sem vencer no Brasileirão, com três empates e sete derrotas. O Grêmio, por sua vez, ocupava a 17ª posição e também buscava pontuar para se afastar da parte inferior da tabela. A igualdade, portanto, não resolveu a situação de nenhuma das equipes e ampliou o peso dos próximos compromissos.
Reação acontece em momento delicado
A cobrança do Remo também se insere em uma mudança recente no comando técnico. Thiago Carpini havia assumido a equipe depois da saída de Léo Condé e estreado com derrota por 2 a 1 para o Santos, na rodada anterior ao encontro com o Grêmio. O treinador teve o período da Data Fifa para trabalhar o elenco, mas a sequência sem vitórias continuava sendo um dos principais problemas do time.
O clube ainda enfrentava limitações no elenco. Zé Welison e Gabriel Poveda cumpriam suspensão, enquanto Matheus Felipe, João Lucas e Mayk eram baixas por problemas físicos. Jajá aparecia como dúvida, e Alef Manga havia deixado o Remo durante a pausa internacional. Esses fatores compunham um contexto esportivo difícil, embora a manifestação divulgada pelo clube tenha se concentrado na arbitragem.
Do lado gremista, o confronto marcou o início da quinta passagem de Renato Portaluppi pelo clube. O treinador retornou ao comando da equipe na reta final da temporada e também precisou lidar com desfalques. Diego Caito e Marlon estavam fora por questões físicas; Jovane Cabral havia sofrido uma lesão muscular; Gustavo Martins e Erick Noriega cumpriam suspensão; Pedro Gabriel não estava disponível; e Matheus Nascimento era baixa por desconforto no tornozelo.
Mesmo sem alterar o resultado do jogo, a iniciativa do Remo abriu uma nova frente de cobrança institucional. O clube passou a reivindicar transparência sobre a análise do lance e uniformidade na arbitragem, enquanto aguardava os desdobramentos do pedido encaminhado à CBF. Até que os registros sejam disponibilizados ou haja manifestação oficial, as jogadas permanecem como decisões contestadas pelo time paraense, sem confirmação formal de erro.
O empate por 1 a 1 e a reação do Remo podem ser conferidos também na cobertura do resultado entre Grêmio e Remo. O episódio da arbitragem se soma às discussões sobre o campeonato e mantém o clube atento tanto à luta contra o rebaixamento quanto às respostas que espera da entidade responsável pelo torneio.