A eliminação no clássico contra o Atlético-MG provocou novas cobranças no Cruzeiro. Durante a madrugada e a manhã desta quinta-feira (3), torcedores espalharam faixas de protesto em Belo Horizonte, com mensagens dirigidas aos jogadores, ao técnico Artur Jorge e ao diretor executivo de futebol Bruno Spindel.
O ato ocorreu dois dias depois da derrota por 2 a 1 na Arena MRV. O Cruzeiro saiu na frente com gol de Kaio Jorge, mas sofreu a virada e deixou a Copa do Brasil diante do maior rival. A queda interrompeu um período de maior tranquilidade no clube, que vinha de uma arrancada no Campeonato Brasileiro e de resultados recentes considerados positivos.
Mensagens foram colocadas em área de acesso ao Mineirão
As faixas foram vistas em um viaduto de Belo Horizonte. Os relatos dos veículos consultados divergem quanto à identificação do local: a Band apontou o bairro Caiçara, enquanto o R7 informou a Avenida Abrahão Caram, acesso ao Mineirão, com visibilidade também para quem passava pela Avenida Antônio Carlos.
Apesar da diferença na localização descrita, as publicações convergem sobre o conteúdo das manifestações e sobre o momento em que elas apareceram. Três faixas foram expostas com críticas fortes ao elenco e aos responsáveis pelo futebol do clube.
Uma das mensagens dizia “Elenco caro e pipoqueiro!”. Outra atacava os jogadores por causa da relação entre salários e comprometimento, com a frase: “Jogador é p... Não tem amor, é só dinheiro”. O tom das cobranças indicou insatisfação com um grupo que, na visão dos torcedores responsáveis pelo protesto, não correspondeu às expectativas nas partidas decisivas.
Artur Jorge também foi diretamente citado. A faixa “Artur Jorge burro e covarde” refletiu a revolta com as decisões tomadas durante o clássico. Bruno Spindel, executivo de futebol ligado à montagem do elenco, apareceu em outra mensagem: “Spindel, veio pra quê? Rua!”.
Substituições após expulsão aumentaram a pressão
A atuação no segundo tempo ajudou a concentrar as críticas no treinador. Depois da expulsão do zagueiro Villalba, o Cruzeiro tentou preservar a vantagem mínima. Artur Jorge retirou Gérson, Matheus Pereira e Kaio Jorge para reforçar a marcação e proteger o resultado.
A estratégia, porém, não funcionou. O time perdeu presença ofensiva e acabou sofrendo dois gols do Atlético-MG. A virada determinou a eliminação e transformou as escolhas feitas após o cartão vermelho em um dos principais pontos de contestação entre os torcedores.
O resultado teve peso adicional por ter acontecido contra o maior rival e em um confronto eliminatório. O Cruzeiro chegou a controlar parte da partida depois de abrir o placar, mas não conseguiu sustentar a vantagem quando ficou com um jogador a menos. A reação nas ruas de Belo Horizonte veio justamente após a equipe deixar escapar uma classificação que esteve ao alcance durante o jogo.
Temporada passa a depender do Brasileirão
A Copa do Brasil foi a segunda competição eliminatória da qual o Cruzeiro se despediu na temporada. Antes da queda para o Atlético-MG, a equipe havia sido eliminada da Copa Libertadores nas oitavas de final pelo Flamengo. No confronto, houve empate por 1 a 1 no Mineirão e derrota celeste por 2 a 1 no Maracanã.
Com as duas eliminações, o Campeonato Brasileiro se tornou o único torneio do Cruzeiro até o fim da temporada de 2026. A equipe ocupa a sexta posição, com 39 pontos, três a menos que o Fluminense, atualmente em quarto lugar, conforme os dados divulgados sobre a classificação.
A disputa por uma vaga na próxima edição da Libertadores passou a concentrar o objetivo esportivo do clube. A posição atual mantém o Cruzeiro próximo da parte de cima da tabela, mas a pressão aumentou após a saída das copas. O time precisará continuar pontuando no campeonato enquanto tenta recuperar a confiança perdida no clássico.
O ambiente havia melhorado depois de uma sequência de resultados positivos no Brasileirão. A arrancada reduziu as críticas e criou uma trégua entre a equipe e parte da torcida. A derrota para o Atlético-MG, no entanto, reabriu questionamentos sobre o trabalho da comissão técnica, a resposta do elenco em jogos decisivos e a formação do grupo.
Diretoria conversa com jogadores antes do próximo jogo
Na manhã desta quinta-feira, a diretoria do Cruzeiro e Pedro Lourenço, dono da SAF, reuniram-se com os jogadores. O encontro aconteceu no mesmo dia em que as faixas foram expostas e serviu como resposta interna ao momento de cobrança.
As informações disponíveis apontam que o trabalho recebeu um voto de confiança, mesmo com a pressão provocada pela eliminação. A reunião colocou a direção e o elenco diante da necessidade de reagir rapidamente, já que o calendário não prevê uma pausa prolongada para administrar o impacto da derrota.
O próximo compromisso será contra o Athletico-PR, no domingo (6), às 16h, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. A partida será a primeira do Cruzeiro depois da queda para o Atlético-MG e também marcará o reencontro do time com sua torcida após as eliminações nas duas copas.
O duelo terá importância esportiva pela disputa nas primeiras posições e também representará a oportunidade imediata de resposta do elenco e de Artur Jorge. O Cruzeiro chega ao jogo pressionado pelas faixas, mas ainda envolvido na briga por uma colocação que pode levá-lo novamente à Libertadores.