Pezzolano aponta dívidas e restrições financeiras como causas de sua saída do Internacional.Foto: Reprodução da Internet
Paulo Pezzolano falou pela primeira vez publicamente desde que deixou o Internacional e apresentou sua versão sobre os fatores que influenciaram a passagem pelo clube. Em entrevista à rádio uruguaia Carve Deportiva, o treinador afirmou que o cenário financeiro do Colorado limitou o planejamento esportivo e dificultou a montagem do elenco para o Campeonato Brasileiro.
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Demitido pouco mais de três semanas antes da entrevista, Pezzolano saiu do Beira-Rio com o time na zona de rebaixamento. A equipe passou a ser comandada por Eduardo Baptista, mas o uruguaio aproveitou a conversa para comentar não apenas os resultados, como também as condições encontradas no clube e a repercussão de sua saída entre os torcedores.
Pezzolano aponta restrições no planejamento do Inter
De acordo com o treinador, o Internacional atravessa um dos períodos econômicos mais difíceis de sua história recente. Ele mencionou dívidas acumuladas e afirmou que o clube teve dificuldades para contratar durante a temporada. Na avaliação do uruguaio, esse contexto reduziu as opções disponíveis para a comissão técnica em uma competição marcada por investimentos elevados de outros participantes.
“Saímos de um clube gigante que está passando um momento muito duro, é o ano mais complicado economicamente, com muitas dívidas, muitos problemas que não se pôde contratar durante o ano”, declarou Pezzolano.
O técnico também citou os transfer bans enfrentados pelo Colorado. Essas punições impedem o registro de novos jogadores enquanto pendências determinadas não são resolvidas. A referência ao bloqueio reforça a avaliação de que a dificuldade para reforçar o grupo teve impacto direto nas alternativas esportivas disponíveis durante a campanha.
Pezzolano ainda relacionou o momento financeiro ao processo eleitoral do clube e afirmou que os problemas foram acumulados ao longo dos anos. Apesar das críticas ao cenário, o uruguaio agradeceu ao presidente Alessandro Barcellos, a Abel Braga e a Fabinho Soldado pelo trabalho desenvolvido durante sua passagem pelo Internacional.
Treinador defende desempenho apesar da posição na tabela
Embora tenha reconhecido que os resultados não foram suficientes, Pezzolano fez uma distinção entre o trabalho realizado no dia a dia e a colocação alcançada pelo time. O treinador afirmou que os indicadores da equipe apontavam para uma campanha melhor do que a observada na classificação.
“O trabalho no dia a dia foi espetacular”, disse o uruguaio. Segundo a análise apresentada por ele, o Inter teria números compatíveis com uma posição entre o quinto e o sexto lugares. Na prática, porém, a equipe permaneceu na parte inferior da tabela e terminou a passagem do técnico na 17ª colocação, com 32 pontos, conforme o cenário informado na entrevista.
A declaração expõe uma diferença entre desempenho estatístico e resultado efetivo. Mesmo que os números de uma equipe possam sugerir produção superior, a classificação é definida pelos pontos conquistados em campo. Foi justamente essa distância entre a avaliação interna do trabalho e a realidade do campeonato que marcou a saída do treinador.
Pezzolano também comentou a pressão que envolve os profissionais do futebol brasileiro. Para explicar a mudança rápida na percepção das torcidas, afirmou: “Para o torcedor no Brasil ou você é Deus ou é o pior”. A frase foi usada no contexto de uma avaliação que, segundo ele, pode variar de acordo com os resultados obtidos pela equipe.
Reação dos torcedores surpreendeu o uruguaio
Outro ponto destacado na entrevista foi a forma como os colorados reagiram após a demissão. Pezzolano contou que esperava receber críticas nas redes sociais, mas encontrou mensagens de apoio e manifestações de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no clube.
O treinador relatou ainda que alguns torcedores demonstraram esperança de vê-lo novamente no Internacional no futuro. A repercussão positiva, mesmo depois de uma campanha abaixo das expectativas na tabela, foi apresentada por ele como um dos aspectos mais marcantes da passagem pelo Beira-Rio.
Esse retorno ajuda a separar a avaliação sobre a pessoa do treinador da cobrança pelos resultados. Pezzolano deixou o cargo em um momento de pressão esportiva, mas afirmou ter preservado uma relação de respeito com parte da torcida. Não há, no material disponível, indicação de que exista negociação para um eventual retorno ao clube.
Pezzolano está livre, mas sem negociação iniciada
Atualmente sem clube, o técnico revelou ter recebido sondagens, inclusive de equipes brasileiras. Ele, no entanto, afirmou que nenhuma negociação havia sido iniciada até o momento da entrevista. A informação indica apenas contatos preliminares e não representa proposta, acordo ou definição sobre o próximo destino profissional do uruguaio.
No Internacional, a responsabilidade pela reação no campeonato passou a ser de Eduardo Baptista. O clube permanecia na 17ª posição, com 32 pontos, quando a entrevista foi publicada. O cenário esportivo e as restrições financeiras citadas por Pezzolano formam o pano de fundo da tentativa colorada de escapar da zona de rebaixamento.
As declarações do ex-treinador, portanto, recolocam a crise do Inter em duas frentes: a necessidade de somar resultados para sair da parte inferior da tabela e as limitações administrativas que, segundo ele, afetaram a formação do elenco. Pezzolano encerrou sua passagem defendendo o trabalho realizado, mas reconhecendo que a campanha não produziu a pontuação necessária para sustentar sua permanência.