Carbonero começou a transição para o novo comando do Internacional diante de uma questão tática que pode definir seu espaço no time. O atacante colombiano pediu à comissão técnica para voltar a atuar aberto pela esquerda, função na qual consegue explorar velocidade, drible e confrontos individuais. A preferência, porém, não coincide totalmente com o primeiro modelo trabalhado por Eduardo Baptista.
O pedido foi feito ainda durante o período em que Paulo Pezzolano comandava a equipe, segundo apuração da GZH reproduzida pelo SCInter. Carbonero teria demonstrado desconforto com a função mais centralizada e próxima da área, ocupada em parte da temporada, e indicado que se sente mais confortável quando recebe a bola na faixa lateral do campo.
A diferença entre o que o jogador deseja executar e o que o novo treinador está testando interfere diretamente na disputa por posições. Nos primeiros trabalhos de Baptista, a amplitude é dada principalmente pelos alas. Bernabei aparece pela esquerda, enquanto Braian Aguirre ocupa o corredor direito. Com os lados preenchidos por esses jogadores, os atletas de ataque ficam mais próximos do centroavante Alerrandro.
O desenho que reduz o espaço pela ponta
A estrutura inicial ajuda a explicar por que Carbonero não esteve entre os titulares da formação principal observada no começo do trabalho de Baptista. O colombiano solicita uma posição aberta, mas o sistema já utiliza os alas para oferecer largura, profundidade e avanço pelos corredores. Assim, a disputa não ocorre apenas entre jogadores que exercem exatamente a mesma função: ela depende também da maneira como o treinador pretende organizar o time.
Na prática, manter Bernabei e Aguirre como responsáveis pela amplitude empurra os atacantes para zonas interiores. Isso cria a possibilidade de Carbonero atuar mais perto de Alerrandro, mas exige do colombiano comportamentos diferentes dos que ele considera mais naturais. Em vez de iniciar as jogadas junto à linha lateral, teria de participar de combinações por dentro e buscar a área com maior frequência.
O primeiro cenário não representa uma decisão definitiva sobre o futuro do jogador na equipe. O trabalho de Baptista ainda está em fase inicial, e o treinador pode alterar a distribuição dos atletas conforme avance a implementação de suas ideias. Até agora, contudo, os testes indicam que a preferência de Carbonero não é a prioridade estrutural do sistema.
Produção sustenta importância no elenco
A mudança de posição não está relacionada, de acordo com o material apurado, a uma queda de rendimento que tenha eliminado o colombiano dos planos. Carbonero soma 35 partidas na temporada, sete gols e seis assistências. Os números mostram participação frequente nas ações ofensivas do Internacional e mantêm o atacante como uma alternativa relevante para a comissão técnica.
O desempenho mais recente reforça essa condição. Na vitória por 2 a 1 sobre a Chapecoense, Carbonero marcou um gol e deu uma assistência. Mesmo depois de ter contribuído diretamente para o resultado, ele não apareceu entre os titulares nos primeiros testes realizados pelo novo treinador. A sequência indica que a discussão atual envolve principalmente o encaixe tático, e não a falta de produção ofensiva.
Aberto pela esquerda, o colombiano pode receber a bola de frente para o marcador, acelerar em direção ao fundo ou cortar para dentro depois de vencer o duelo individual. Essa característica é diferente da exigida de um jogador posicionado próximo ao centroavante, que precisa ocupar espaços entre os defensores, combinar em zonas congestionadas e aparecer em condições de finalizar.
A comissão técnica também considera outras possibilidades para aproveitá-lo. Carbonero pode ser utilizado como segundo atacante, ocupar uma faixa mais avançada do meio-campo ou entrar durante os jogos para aumentar a velocidade do setor ofensivo. A utilização como alternativa no decorrer das partidas ganha espaço especialmente em cenários nos quais o adversário esteja mais desgastado, embora a fonte não indique uma definição sobre essa estratégia.
Próximos testes devem esclarecer a disputa
O principal ponto de observação será a capacidade de Baptista de conciliar a presença dos alas com as características de Carbonero. Se Bernabei e Aguirre permanecerem como os responsáveis pela ocupação dos corredores, o colombiano tende a disputar funções mais internas ou uma vaga entre as opções para o segundo tempo. Nesse desenho, sua participação dependerá de adaptação a uma posição diferente ou de mudanças durante as partidas.
Também existe a possibilidade de o treinador ajustar a estrutura para abrir espaço a um atacante de lado. Essa alternativa, no entanto, ainda não foi confirmada e não pode ser tratada como tendência definida. O que está estabelecido nos primeiros trabalhos é a escolha por um time com amplitude fornecida pelos alas e atacantes mais próximos de Alerrandro.
Por isso, o pedido de Carbonero passou a ser um dos pontos de atenção da formação do novo Internacional. O jogador quer recuperar a liberdade para atuar pela esquerda, enquanto Baptista iniciou o trabalho com uma organização que prioriza a ocupação dos corredores por outros atletas. Com sete gols e seis assistências em 35 jogos, o colombiano continua tendo peso no elenco, mas começa a nova etapa precisando encontrar um lugar compatível com um sistema que, neste momento, não foi montado ao redor de sua função preferida.