Resultados recentes do Palmeiras deixa Abel Ferreira preocupado.Foto: Reprodução da Internet
O Palmeiras chega à reta decisiva do Campeonato Brasileiro com um contraste que chama atenção: a equipe de Abel Ferreira tem conseguido criar oportunidades, mas não transforma o volume ofensivo em gols na mesma proporção. Nos dois compromissos mais recentes, contra Grêmio e Bahia, o time finalizou 57 vezes e marcou apenas uma vez.
O dado ajuda a explicar por que o desempenho recente acendeu um alerta, mesmo com a vitória sobre o Bahia. O Palmeiras venceu por 1 a 0, alcançou 60 pontos e reduziu para um ponto a distância em relação ao Flamengo, mas deixou o campo com a sensação de que poderia ter construído uma vantagem mais confortável.
O levantamento do SofaScore citado na apuração mostra que o Palmeiras teve 24 finalizações no alvo nos dois jogos analisados. Ainda assim, o aproveitamento foi de apenas 1,75%, com um gol a cada 57 tentativas. O número não indica falta de presença no ataque, mas evidencia uma dificuldade na etapa final das jogadas.
Contra o Grêmio, em Porto Alegre, o time paulista terminou o confronto com 31 finalizações, sendo dez na direção da meta. A equipe também teve 72% de posse de bola e acertou a trave em duas oportunidades. Mesmo controlando boa parte da partida, não conseguiu superar o goleiro adversário e ficou no empate sem gols.
O resultado daquele confronto já mostrava a diferença entre dominar as ações e conseguir transformar esse domínio em vantagem no placar. O Palmeiras teve a bola, ocupou o campo ofensivo e finalizou com frequência, mas saiu sem marcar.
Na partida seguinte, o roteiro apresentou semelhanças. O Palmeiras venceu o Bahia por 1 a 0, em jogo disputado no Allianz Parque, mas produziu o suficiente para balançar as redes mais vezes. Foram 26 finalizações, com 14 chutes no alvo.
O único gol saiu aos sete minutos do primeiro tempo. Flaco López aproveitou uma jogada pelo alto e marcou de cabeça, colocando o Verdão em vantagem logo no início. Depois disso, a equipe continuou encontrando espaços e criando situações perigosas, mas não conseguiu ampliar a diferença.
Vitor Roque e Andreas Pereira acertaram a trave, enquanto Jhon Arias também apareceu em lances de perigo. O goleiro Ronaldo foi exigido em diferentes momentos e evitou que o mandante construísse um placar mais elástico. A atuação ofensiva, portanto, produziu chances, mas terminou limitada a um gol.
O problema ganha importância pelo momento vivido pelo Palmeiras. Com 60 pontos, o clube se aproximou do Flamengo na briga pela liderança após o empate do rival com o Santos. Em uma disputa equilibrada, partidas nas quais o time controla o jogo, mas não amplia o placar, podem representar uma oportunidade perdida de abrir vantagem.
A questão não está apenas em marcar muitos gols. A eficiência também influencia o controle das partidas. Quando uma equipe desperdiça chances e mantém o adversário vivo, qualquer lance pode alterar o resultado. Foi o que ocorreu diante do Bahia: mesmo com diversas finalizações no alvo, o Palmeiras precisou administrar uma vantagem mínima.
Os números recentes também colocam a responsabilidade sobre os jogadores que participam da conclusão das jogadas. A construção ofensiva tem gerado volume, conforme mostram as 57 finalizações, mas a equipe precisa melhorar a precisão dos arremates, o aproveitamento das oportunidades e a capacidade de transformar pressão em vantagem no placar.
Abel terá novos desafios pela frente
O próximo compromisso do Palmeiras será contra o Corinthians, no domingo (11), no Allianz Parque. O clássico também marcará o retorno de Abel Ferreira ao banco de reservas após cumprir suspensão. Além da rivalidade do confronto, o duelo surge como uma nova oportunidade para o time corrigir o baixo aproveitamento recente.
A sequência da temporada será ainda mais exigente. O Palmeiras disputa a liderança do Campeonato Brasileiro e também terá pela frente as semifinais da Libertadores e da Copa do Brasil. Nessas competições, especialmente em confrontos eliminatórios, a capacidade de aproveitar as chances pode ser determinante.
O desempenho contra Grêmio e Bahia não aponta ausência de criação. Pelo contrário: o time finalizou muito, teve posse, acertou a trave e obrigou os goleiros adversários a trabalhar. O alerta está na distância entre produzir jogadas e concluir com eficiência.
Para Abel Ferreira, o desafio imediato será encontrar soluções para que o domínio territorial e o volume de finalizações resultem em placares mais seguros. Com a disputa nacional equilibrada e decisões importantes no calendário, o Palmeiras não pode depender apenas da superioridade nas estatísticas. Precisa fazer esse controle aparecer também no resultado.