O recorde negativo que manchou a história da Argentina em uma final
A seleção argentina protagonizou um fato inédito e preocupante ao passar todo o tempo regulamentar de uma decisão de Copa do Mundo sem chutar ao gol adversário.
A final da Copa do Mundo disputada no MetLife Stadium entrou para os livros de estatísticas da FIFA por um motivo incomum e negativo. Pela primeira vez desde que o órgão passou a contabilizar dados oficiais de partidas, em 1966, uma equipe que disputou a decisão do torneio não conseguiu realizar uma única finalização durante os 90 minutos do tempo regulamentar.
O desempenho ofensivo da Argentina foi praticamente nulo diante da organização tática da Espanha. O domínio espanhol foi tão absoluto que o goleiro Unai Simón encerrou o confronto sem ter feito qualquer defesa, um cenário que ilustra a dificuldade dos sul-americanos em criar jogadas de perigo ou sequer ameaçar a meta europeia.
A ineficiência argentina ficou evidente logo nos primeiros 45 minutos. Ao chegar ao intervalo sem registrar um único chute, a equipe estabeleceu uma marca inédita de esterilidade ofensiva em finais. O primeiro tempo da partida, aliás, foi marcado por um volume de jogo extremamente baixo, com apenas três finalizações totais, todas pertencentes aos espanhóis.
O controle espanhol foi o fator determinante para neutralizar qualquer tentativa de avanço argentino. Com um plano de jogo sólido, a Espanha conseguiu isolar o ataque adversário, impedindo que os atacantes encontrassem espaços para arrematar. Essa estratégia garantiu que a defesa espanhola não fosse testada em momento algum durante o tempo normal.
Para encontrar um precedente de baixa produtividade ofensiva em decisões, é necessário retroceder até a Copa de 1990. Naquela ocasião, em Roma, a Argentina também teve dificuldades extremas contra a Alemanha Ocidental, conseguindo apenas uma finalização em todo o jogo, que ocorreu através de uma cobrança de falta de Diego Maradona.
A marca negativa atual supera, portanto, o desempenho histórico da equipe de 1990. O empate em 0 a 0 no tempo regulamentar foi um reflexo fiel da incapacidade argentina de agredir o oponente, algo que só foi alterado na prorrogação, quando a Espanha conseguiu balançar as redes com Ferran Torres.
O gol de Ferran Torres não apenas garantiu o título de bicampeã mundial para a Espanha, mas também selou o destino de uma partida onde a Argentina foi uma mera espectadora no campo ofensivo. O resultado final consolida a superioridade espanhola e deixa um registro estatístico que dificilmente será esquecido pelos torcedores e analistas de futebol.