Nino revela condição do Zenit que travou acordo com Palmeiras e Fluminense
Zagueiro contou que Palmeiras e Fluminense tentaram repatriá-lo, mas o Zenit adiou a negociação e depois impôs exigências fora da realidade brasileira.
Por Renato SilvaPublicado em 07/10/2026 às 16:42Atualizado em 07/10/2026 às 16:43
O Palmeiras chegou a avançar pela contratação de Nino, mas encontrou no Zenit um obstáculo que não conseguiu superar. O zagueiro revelou que o clube russo não aceitava discutir sua saída antes da definição do campeonato nacional, condição que tirou dos brasileiros o tempo necessário para concluir a negociação.
A história foi contada pelo próprio jogador em entrevista ao canal de Felipe Melo no YouTube. Nino explicou que Palmeiras e Fluminense manifestaram interesse em dezembro de 2025, quando os dois clubes avaliavam a possibilidade de trazer o defensor de volta ao futebol brasileiro.
O retorno ao país também tinha peso familiar para o atleta. Nino é pai de Antônio, que tem síndrome de Down, e afirmou que ele e a esposa consideram o Brasil um ambiente mais favorável para o desenvolvimento do filho, inclusive em relação à fala e ao acompanhamento cotidiano.
Zenit adiou a decisão sobre a saída
O ponto decisivo da negociação foi a postura adotada pelo Zenit. Segundo Nino, o clube russo informou que só aceitaria vendê-lo depois que o título nacional estivesse definido. A disputa terminou apenas em junho, meses depois do momento em que Palmeiras e Fluminense demonstraram interesse.
Essa exigência impediu que o Palmeiras mantivesse a negociação aberta por tanto tempo. O clube brasileiro precisava definir seu planejamento para a temporada e não podia esperar indefinidamente por uma autorização que dependia do encerramento da competição russa.
“O título só se resolveu em junho, então o Palmeiras não podia esperar até junho e desistiu da contratação. Pós-título, o Zenit disse que toparia vender, mas nas condições deles”, afirmou o defensor durante a entrevista.
Na prática, o Zenit preservou Nino durante a reta decisiva do campeonato. A direção não tratou a transferência como uma negociação comum de mercado, mas como uma possibilidade subordinada às necessidades esportivas do próprio elenco. Quando o título foi definido, o cenário para os clubes brasileiros já havia mudado.
Palmeiras tentou negociar diretamente na Rússia
A movimentação do Palmeiras não ficou restrita a sondagens ou conversas preliminares. O clube enviou um representante à Rússia com o objetivo de tentar destravar a transferência. Mesmo com a iniciativa, a diretoria alviverde não conseguiu convencer o Zenit a liberar o zagueiro nas condições desejadas.
Nino também afirmou que já havia alcançado um acordo contratual com o Palmeiras. Isso significa que a dificuldade principal não estava nos termos pessoais com o jogador, mas na relação entre os clubes. A autorização para a saída e o valor da operação permaneceram como os principais entraves.
Uma reportagem do Fato Paulista mencionou uma oferta de aproximadamente R$ 40 milhões feita pelo Palmeiras e recusada pelo Zenit. Já as informações reproduzidas pelo UOL apontaram que, depois da conquista do título, o clube russo passou a considerar uma venda por quase R$ 120 milhões. Como os valores não aparecem de forma idêntica nos relatos disponíveis, é possível afirmar apenas que a exigência financeira posterior ficou muito acima do que o Palmeiras pretendia investir.
A diferença econômica ajuda a explicar por que a viagem do representante não produziu um acordo. O Zenit tinha contrato longo com o defensor e, depois de manter o jogador durante a disputa nacional, passou a negociar a partir de uma posição mais favorável. Para o Palmeiras, aceitar a pedida significaria alterar de maneira significativa o planejamento financeiro para o setor defensivo.
Barboza foi a alternativa encontrada
Sem conseguir concluir a operação por Nino, o Palmeiras voltou ao mercado em busca de outra solução para a defesa. O clube fechou com Barboza, que estava de saída do Botafogo, em uma negociação estimada em cerca de R$ 20 milhões.
A contratação mostra o efeito prático da demora imposta pelo Zenit. O Palmeiras precisava reforçar a posição, mas não tinha como esperar até junho para saber se Nino seria liberado, nem como acompanhar uma eventual mudança de preço depois da definição do campeonato russo.
O episódio também deixou claro que o interesse pelo zagueiro não era exclusivo do clube paulista. O Fluminense, onde Nino construiu parte importante da carreira no futebol brasileiro, igualmente tentou repatriá-lo. Ainda assim, o jogador disse que as tratativas não chegaram ao ponto de obrigá-lo a escolher entre as duas equipes.
“As negociações não chegaram ao ponto de eu ter que escolher. Foram tratativas entre clubes, mas pelo lado do Zenit, não avançaram”, relatou Nino. Dessa forma, o desfecho não foi determinado por uma preferência pública do atleta por Palmeiras ou Fluminense, mas pela falta de acordo entre as diretorias.
Vínculo até 2028 aumenta o controle russo
Nino tem contrato com o Zenit até junho de 2028. A duração do vínculo dá ao clube russo margem para rejeitar propostas, escolher o momento de uma possível venda e estabelecer condições financeiras próprias, sem a necessidade de aceitar uma saída imediata.
O defensor, de 29 anos, deixou o futebol brasileiro para atuar no Zenit depois de se destacar no Fluminense. A possibilidade de retorno ganhou força por razões esportivas e familiares, mas não avançou porque os interesses dos clubes envolvidos não coincidiram no mesmo período.
Para o Palmeiras, a consequência foi a necessidade de encontrar rapidamente outro nome para a defesa. Para Nino, a permanência na Rússia não encerrou a possibilidade de voltar ao Brasil no futuro, especialmente porque ele próprio afirmou que a família mantém as portas abertas para uma mudança que favoreça o desenvolvimento do filho.
Por enquanto, porém, não há indicação de novo acordo com Palmeiras ou Fluminense. O que ficou confirmado pelo relato do zagueiro é que existiu interesse dos dois clubes, houve tentativa presencial do Palmeiras e chegou a haver entendimento contratual com o jogador. A transferência não saiu porque o Zenit condicionou a negociação ao fim do campeonato e, depois, apresentou exigências financeiras que os brasileiros não aceitaram.