O Vasco avançou no processo para mudar o controlador de sua Sociedade Anônima do Futebol. Em reunião realizada na terça-feira (6), o Conselho Deliberativo aprovou a proposta de transferência de 90% das ações da SAF para a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa ligada aos empresários Marcos Lamacchia e Mário Junqueira.
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A decisão representa um avanço relevante para a estrutura do futebol vascaíno, mas não encerra a operação. A aprovação do Conselho Deliberativo ainda precisa ser submetida aos sócios estatutários em Assembleia Geral Extraordinária. Até o momento, não há data definida para essa nova votação.
Conselheiros aprovam proposta por ampla maioria
A votação terminou com 175 votos favoráveis, 26 contrários e três abstenções. Ao todo, 204 conselheiros participaram da análise do negócio, que prevê a transferência do controle majoritário da Nova SAF para a Almirante Participações.
Com a estrutura apresentada, o clube associativo permanecerá com 10% das ações. Essa participação também inclui direitos especiais previstos no contrato da operação, mantendo o Vasco dentro da composição societária mesmo após uma eventual mudança de controle.
O resultado do Conselho, portanto, autoriza o prosseguimento do processo, mas não equivale à conclusão da venda. A transferência só poderá ser oficializada depois que os sócios avaliarem e aprovarem a proposta na Assembleia Geral, considerada a última etapa interna para validar a operação.
Os termos divulgados apontam para um pacote de investimentos e responsabilidades financeiras que pode ultrapassar R$ 2 bilhões quando considerados os aportes destinados ao futebol, os recursos para infraestrutura e a assunção de dívidas e obrigações da SAF.
Para o futebol, a previsão é de um aporte anual de R$ 100 milhões até alcançar R$ 500 milhões. O contrato também estabelece R$ 150 milhões para obras e melhorias na estrutura do centro de treinamento do elenco profissional e das categorias de base.
Além dos valores fixos, a Almirante Participações assumiria os ativos esportivos e as dívidas da SAF. A empresa também teria a obrigação de colocar recursos adicionais caso faltem valores para cumprir compromissos relacionados à recuperação judicial, a débitos tributários, a obrigações extraconcursais, ao fluxo de caixa ou à infraestrutura.
Essa responsabilidade adicional é estimada em aproximadamente R$ 1,5 bilhão dentro da projeção total do negócio. O montante, porém, está relacionado às obrigações previstas no contrato e não deve ser interpretado como um pagamento único pela aquisição das ações.
Regras para uso de São Januário e distribuição de lucros
A proposta também trata da utilização de São Januário. A Almirante Participações teria exclusividade sobre o estádio até 2030, mediante o pagamento de R$ 3 milhões por ano pelo uso do local. Em caso de obras, haveria ainda uma contrapartida anual adicional de R$ 2 milhões.
Outro ponto previsto é a proibição de distribuição de dividendos aos acionistas durante dez anos. A regra busca direcionar os recursos gerados pela operação para o próprio futebol e para o desenvolvimento da estrutura da SAF, em vez de permitir a retirada de lucros no período estabelecido.
O contrato também impediria a venda da participação da Almirante durante esse mesmo intervalo. Caso algum aporte obrigatório não seja realizado, o Vasco teria uma procuração para executar a dívida contra a empresa e seus próprios sócios, conforme os termos divulgados.
Próxima decisão caberá aos sócios
A operação ocorre depois do rompimento do Vasco com a 777 Partners e em meio aos procedimentos relacionados à recuperação judicial do clube e da SAF. Por isso, a aprovação do Conselho Deliberativo funciona como uma etapa política e societária importante, mas ainda depende do cumprimento de exigências internas e jurídicas.
O Ministério Público já apresentou parecer favorável à homologação do leilão da SAF realizado pela Justiça em 25 de setembro. Essa manifestação integra o contexto jurídico do processo, mas não substitui a votação que ainda será realizada pelos sócios estatutários.
Também existe uma apuração da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol sobre eventual controle ou influência significativa de um mesmo grupo em Vasco e Palmeiras. A questão está relacionada ao fato de Marcos Lamacchia ser enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
O regulamento da agência impede que uma mesma pessoa física ou jurídica tenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube. Enquanto a investigação estiver em andamento, Vasco e Palmeiras foram proibidos de realizar negócios entre si.
A Almirante Participações afirmou que fará as adequações que forem determinadas pela agência durante o período do mandato de Leila Pereira no Palmeiras, previsto até dezembro de 2027. O tema, portanto, permanece como um dos pontos de atenção no caminho até a conclusão da mudança de controle.
Agora, o futuro da proposta depende da convocação da Assembleia Geral Extraordinária. Se os sócios aprovarem o acordo, a Almirante Participações poderá assumir 90% da Nova SAF, enquanto o Vasco associativo conservará os 10% restantes e os direitos especiais previstos no contrato. Até que essa votação ocorra, a operação continua aprovada apenas pelo Conselho Deliberativo e ainda não está oficialmente concluída.