Mycael foi o personagem decisivo da vitória do Athletico por 2 a 1 sobre o Bahia, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. Aos 50 minutos do segundo tempo, o goleiro defendeu o pênalti cobrado por Everaldo e evitou que o adversário transformasse o empate em uma virada nos instantes finais.
A defesa ampliou uma marca expressiva do camisa 1 pelo clube. Em nove pênaltis cobrados contra ele durante o tempo regulamentar, Mycael conseguiu defender sete. O número representa 77,9% de aproveitamento, ou quase oito intervenções a cada dez penalidades enfrentadas. Apenas duas cobranças terminaram no gol do Athletico nesse recorte.
Preparação antes da cobrança
O lance contra o Bahia também mostrou a importância da preparação específica dos goleiros. Em entrevista após a partida, Mycael contou que não sabia qual jogador faria a cobrança. Luciano Juba, Everton Ribeiro e Everaldo estavam próximos da bola, o que dificultava a identificação do batedor.
Diante da dúvida, o goleiro pediu ao árbitro Anderson Daronco autorização para beber água. A pausa serviu para tentar observar as orientações do banco. Mycael procurou Felipe Faria, um dos preparadores de goleiros do Athletico, e recebeu a indicação do canto para o salto.
O trabalho, segundo o jogador, é desenvolvido em conjunto com Faria e Gregory, também integrante da preparação dos goleiros. A informação recebida, porém, não tornou a cobrança simples. Mycael avaliou que o chute de Everaldo foi curto e reconheceu que não conseguiu controlar o rebote como pretendia.
A defesa inicial foi suficiente para manter o Athletico em vantagem. Na sequência, jogadores do time paranaense ajudaram a afastar a bola e impediram uma nova finalização do Bahia. O lance terminou sob pressão, mas preservou o placar de 2 a 1.
Resposta após erro no primeiro gol
A intervenção teve peso adicional porque o próprio Mycael reconheceu ter falhado no primeiro gol sofrido pelo Athletico. Mesmo depois do erro, o goleiro conseguiu permanecer concentrado e respondeu dentro da mesma partida, justamente em um momento no qual qualquer descuido poderia custar dois pontos ao time.
O jogador explicou que o comportamento mental foi determinante para continuar atuando normalmente. Para ele, o segredo em uma cobrança é esperar o máximo possível antes de escolher o lado e, depois, reagir com explosão para alcançar a bola.
Mycael também destacou a participação dos companheiros na jogada. Embora tenha defendido o chute, ele não conseguiu direcionar o rebote para uma área segura e contou com a ajuda do grupo para encerrar o perigo. A intervenção individual e a ação coletiva garantiram que o Athletico saísse de campo com os três pontos.
Marca construída em diferentes partidas
O desempenho nas penalidades já vinha sendo observado antes do confronto com o Bahia. Três rodadas atrás, contra o Cruzeiro, Mycael defendeu uma cobrança de Matheus Pereira. Naquela mesma partida, entretanto, sofreu um gol de Kaio Jorge em outro pênalti.
A outra penalidade convertida contra o goleiro ocorreu na Série B do ano passado. Assim, o levantamento apresentado após a partida com o Bahia reúne sete defesas e dois gols sofridos em nove cobranças enfrentadas com a bola rolando.
O recorte não inclui disputas de pênaltis realizadas depois do apito final. Trata-se apenas das penalidades marcadas durante as partidas, situação em que a defesa diante do Bahia se tornou ainda mais relevante por ter acontecido nos acréscimos e com o resultado indefinido.
Retomada da titularidade
Revelado pelo Athletico e formado no CT do Caju, Mycael reassumiu a titularidade depois do período de baixa de Santos. Contra o Bahia, iniciou a terceira partida consecutiva entre os titulares, consolidando sua presença na sequência recente da equipe.
A defesa não elimina a falha no primeiro gol, mas mostra a capacidade de recuperação do goleiro durante o próprio confronto. Em vez de deixar o erro comprometer sua atuação, Mycael participou diretamente da manutenção da vantagem no lance mais delicado do jogo.
A continuidade sob as traves ainda depende das escolhas da comissão técnica antes de cada compromisso. O dado confirmado após a 28ª rodada, porém, é a marca de sete pênaltis defendidos em nove cobranças sofridas pelo Athletico em partidas oficiais com a bola em movimento. Contra o Bahia, esse rendimento apareceu no momento de maior pressão e sustentou a vitória rubro-negra.