Atualmente à frente do Colorado, Baptista reencontrará o Mirassol pela primeira vez em um duelo na elite nacional. A partida também colocará frente a frente o treinador e uma instituição que ganhou projeção durante sua passagem, com conquistas, acessos e campanhas que ajudaram a estabelecer uma nova dimensão esportiva para o clube.
Eduardo Baptista chegou ao Mirassol em um momento de reconstrução. O clube disputaria a Série D em um calendário alterado pela pandemia de Covid-19, enquanto o treinador buscava estabilidade depois de passagens curtas por equipes como Palmeiras, Fluminense, Athletico-PR, Vila Nova e CSA.
A aposta deu resultado. Em sua primeira campanha pelo Leão, Baptista conduziu o time ao título da Série D. Foram 24 partidas, com 15 vitórias, cinco empates e quatro derrotas. O Mirassol terminou a primeira fase na vice-liderança de seu grupo e avançou no mata-mata diante de Caxias, Brasiliense, Aparecidense e Altos.
A classificação contra a Aparecidense garantiu ao clube um acesso inédito. Na decisão, o Mirassol venceu o Floresta nos dois jogos e confirmou a conquista. O desempenho levou a diretoria a renovar o vínculo do treinador por mais uma temporada, sinal de que o trabalho era visto como parte de um projeto mais amplo.
O início da transformação do Mirassol
A passagem de Baptista não se resumiu ao título nacional. O treinador esteve inserido em uma fase de crescimento que, anos depois, levaria o Mirassol a disputar pela primeira vez a Libertadores. Por isso, o reencontro desta sexta-feira é tratado internamente como uma ocasião de memória, mas também como um capítulo de uma trajetória que ainda produz efeitos no clube.
O período começou antes mesmo da conquista da Série D. Em 2020, o Mirassol surpreendeu no Campeonato Paulista ao eliminar o São Paulo nas quartas de final. Mesmo depois de perder 18 jogadores durante a pandemia, o time venceu o Tricolor no Morumbi e terminou a competição na terceira colocação, sua melhor campanha no estadual até então.
Na temporada seguinte, o clube voltou a alcançar a semifinal do Paulista sob o comando de Baptista. A eliminação para o São Paulo, desta vez com goleada, impediu uma nova decisão, mas não apagou a avaliação positiva sobre o desempenho do Mirassol na competição.
Vitória sobre o Grêmio fechou ciclo
O treinador também esteve à frente de uma das vitórias mais simbólicas do Mirassol na Copa do Brasil. Pouco antes de deixar o clube para aceitar uma proposta do Juventude, Baptista comandou a equipe em uma partida contra o Grêmio. O time paulista atuou com um jogador a menos por mais de meia hora, mas conseguiu vencer e eliminar o adversário.
O resultado encerrou a passagem do técnico com outra marca relevante. A classificação ganhou peso porque ocorreu em um cenário de desvantagem numérica e diante de um adversário tradicional. O desempenho ajudou a consolidar a imagem de Baptista como um dos personagens do processo que elevou o Mirassol no futebol nacional.
A campanha na Série C, por outro lado, ficou abaixo do esperado. Depois do título da quarta divisão, o clube terminou na 16ª colocação geral. Ainda assim, o acesso obtido anteriormente e a sequência de campanhas expressivas no Paulista e na Copa do Brasil mantiveram o trabalho como um marco para a instituição.
Mirassol vive outro momento
Desde a saída de Baptista, o Mirassol seguiu avançando até alcançar a principal competição continental de sua história. O reencontro com o técnico, portanto, acontece em um contexto diferente daquele vivido no início da década. O clube já não é apenas uma equipe em busca de espaço nas divisões nacionais, mas uma das forças que ampliaram sua presença no cenário brasileiro.
O duelo contra o Internacional terá, assim, dois componentes. No campo, Mirassol e Colorado estarão envolvidos em uma disputa importante para suas campanhas no Brasileirão. Fora dele, o jogo reunirá o presente do clube paulista e o profissional que participou diretamente da primeira etapa de sua transformação.
O vínculo entre as partes também ajuda a dimensionar o caminho percorrido pelo Mirassol. O time que foi campeão da Série D, conquistou um acesso inédito e eliminou o Grêmio ainda sob o comando de Baptista tornou-se, alguns anos depois, participante da Libertadores. O treinador, agora no banco adversário, será lembrado por ter ajudado a iniciar esse processo.
Antes do encontro com o Internacional, o torcedor pode relembrar outro capítulo recente da trajetória do clube no conteúdo do Mirassol em uma partida com um jogador a menos. A memória da campanha que eliminou o Grêmio também aparece no contexto da decisão do clube na Copa do Brasil, tema abordado pelo FutNet News.
Quando a bola rolar, a história ficará em segundo plano diante da necessidade de pontuar. Ainda assim, a presença de Eduardo Baptista dará ao confronto um significado adicional: o Mirassol reencontrará um treinador que esteve no começo da revolução responsável por conduzi-lo a um patamar inédito.