Millán ganha espaço e mira Libertadores ao lado de Thiago Silva
Zagueiro colombiano superou início difícil, tornou-se opção importante na defesa do Fluminense e revelou desejo de ajudar o capitão a buscar o título continental.
Julián Millán transformou um começo de poucas oportunidades em uma disputa real por espaço na defesa do Fluminense. Contratado em março junto ao Nacional, do Uruguai, o zagueiro colombiano passou a ser utilizado com mais frequência e encontrou em Thiago Silva uma referência técnica e também uma motivação especial para a campanha tricolor na Libertadores.
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Em entrevista exclusiva ao ge, Millán afirmou que seria especial conquistar o torneio continental ao lado do capitão. O defensor entende que Thiago Silva, pela idade e pela trajetória construída no futebol, pode estar se aproximando da parte final da carreira. Por isso, deseja contribuir para que o camisa 3 alcance um título que ainda não conquistou pelo Fluminense.
“Seria lindo se ele pudesse encerrar conquistando uma Libertadores”, declarou Millán. A fala não representa apenas admiração pessoal. O colombiano também destacou que a convivência diária com Thiago ajuda em sua formação e influencia a maneira como encara os jogos e os treinamentos.
Colombiano precisou esperar por espaço
A adaptação ao clube não foi imediata. Millán chegou ao Rio de Janeiro como uma aposta do Fluminense no mercado sul-americano, mas teve participação limitada nos primeiros meses. Sob o comando de Luis Zubeldía, que deixou o cargo em 13 de agosto, o zagueiro atuou pouco mesmo quando a defesa ainda não tinha uma formação considerada definitiva.
O próprio jogador admitiu que atravessou um período de desânimo. Ele, porém, afirmou que manteve o trabalho e procurou aproveitar as oportunidades quando elas apareceram. A sequência também foi interrompida por uma lesão sofrida depois de ganhar espaço: o colombiano ficou aproximadamente seis semanas afastado.
O retorno ocorreu em um momento de problemas físicos entre os defensores do elenco. Com Ignácio lesionado e outros jogadores alternando presença na equipe, Millán passou a dividir a titularidade com Thiago Silva e voltou a ser considerado uma alternativa importante pelo lado esquerdo da zaga.
Características mudaram a composição da defesa
Canhoto e com 1,90 m, Millán oferece uma característica que interfere diretamente na montagem do setor defensivo. A presença de um zagueiro pela esquerda permite que Thiago Silva atue no lado direito, posição em que jogou durante grande parte da carreira. Antes disso, o capitão vinha precisando se deslocar para a esquerda quando formava dupla com Ignácio.
A combinação entre os dois foi testada em um momento decisivo da temporada. Na partida de ida contra o Platense, pela Libertadores, Thiago e Millán formaram a dupla que ajudou o Fluminense a vencer por 2 a 0 no Maracanã. De acordo com o Extra, aquela foi apenas a segunda vez que os dois começaram juntos na temporada, mas o entrosamento não era visto como um problema por causa das características complementares.
O contexto também envolvia a lesão de Ignácio, que vinha sendo titular e apresentava bom desempenho sob o comando de Marcão. O defensor sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda e tinha previsão de retorno em cerca de duas semanas, durante a Data Fifa. Com isso, Millán ganhou uma oportunidade relevante justamente em um confronto eliminatório.
Thiago Silva também explicou que administra a carga física aos 41 anos e procura selecionar algumas partidas. O zagueiro relatou que, em determinados treinamentos, não participa de toda a atividade e que sua experiência permite fazer uma leitura mais rápida das jogadas, reduzindo a necessidade de correr para realizar coberturas.
Desempenho aéreo virou diferencial
O jogo aéreo é um dos principais argumentos de Millán na disputa por uma vaga. No Campeonato Uruguaio de 2025, pelo Nacional, ele terminou como líder em cortes pelo alto. A característica continuou aparecendo no Fluminense: em setembro, foi o jogador com mais cortes no Brasileirão, segundo o levantamento mencionado na entrevista.
Essa capacidade ajudou a equipe a enfrentar um problema que vinha incomodando o sistema defensivo. Além da imposição física, o colombiano passou a ser visto como uma opção capaz de proteger a área e atacar cruzamentos adversários. A evolução, contudo, não elimina a concorrência com Ignácio, Freytes e os demais zagueiros do elenco.
Millán também espera contribuir no ataque. Antes de chegar ao Fluminense, marcou gols por Santa Fe, da Colômbia, e Nacional. No clube carioca, ainda não balançou as redes, mas disse que continua aguardando a oportunidade para marcar o primeiro. Para ele, a reta final da temporada pode abrir espaço para esse momento, desde que a equipe consiga transformar as chances em resultados.
Regra para estrangeiros amplia concorrência
O zagueiro ainda comentou a mudança no limite de estrangeiros relacionados em competições nacionais. Em 2026, os clubes podem relacionar até nove jogadores estrangeiros. A regra prevê redução para oito em 2027 e queda gradual até cinco em 2030.
O Fluminense tem nove estrangeiros no elenco, cenário que torna a disputa interna mais acirrada a partir da próxima temporada. Millán reconheceu que a medida pode dificultar a situação dos jogadores de outros países, mas afirmou que não concentra sua atenção no assunto. A prioridade, segundo o defensor, é seguir evoluindo e aproveitar o espaço conquistado dentro de campo.
Com a defesa ainda submetida a mudanças por lesões e escolhas da comissão técnica, Millán tenta consolidar sua posição no time. A parceria com Thiago Silva, além de oferecer equilíbrio entre os lados da zaga, tornou-se uma das vias encontradas pelo Fluminense para buscar segurança na Libertadores. Para o colombiano, ajudar o capitão a conquistar o troféu acrescenta um significado especial à reta decisiva.