Millán ganha espaço e acirra disputa na zaga do Fluminense
Após boas atuações contra Vasco e Platense, zagueiro colombiano aproveita sequência com Marcão e aumenta a concorrência por vaga ao lado de Thiago Silva.
Julián Millán aproveitou a sequência recebida no Fluminense para transformar uma oportunidade circunstancial em disputa concreta por titularidade. O zagueiro colombiano começou entre os titulares nos últimos três jogos da equipe e voltou a ter atuação segura na vitória sobre o Platense, pela partida de ida das quartas de final da Libertadores. Foi a primeira vez que ele completou uma partida ao lado de Thiago Silva.
A evolução ocorreu durante o período em que Marcão assumiu o comando do time. Desde a mudança no banco, Millán participou de cinco dos seis jogos do Fluminense e iniciou três deles, de acordo com levantamento do ge. A sequência representa o momento de maior utilização do defensor desde sua chegada ao clube.
Clássico contra o Vasco mudou o cenário
Antes do compromisso continental, Millán já havia apresentado números relevantes no clássico contra o Vasco. Na vitória por 1 a 0, o colombiano foi o defensor tricolor com mais contribuições defensivas e teve papel importante para conter as jogadas aéreas do adversário.
O zagueiro realizou 12 cortes em bolas cruzadas na direção da área do Fluminense. Também registrou uma interceptação, três recuperações e um bloqueio de finalização. Ao todo, foram 14 ações defensivas e 66 ações com a bola, além de 90% de eficiência nos passes, segundo dados do SofaScore reunidos pelo Terra.
Os números ajudam a explicar por que Millán passou a ser considerado uma alternativa mais forte para a defesa. A equipe vinha enfrentando dificuldades para proteger a área em lances pelo alto, e a capacidade do colombiano de atacar cruzamentos ofereceu uma resposta imediata a um problema específico do setor.
O desempenho no clássico também ocorreu em um momento de necessidade. A equipe precisou alterar a formação defensiva em razão do acúmulo de lesões entre os zagueiros, abrindo espaço para jogadores que até então tinham menos minutos. Millán aproveitou a oportunidade e manteve o nível na partida seguinte.
Parceria com Thiago Silva pesa na avaliação
Além da imposição física na área, Millán oferece características que complementam a composição da zaga. Canhoto, ele atua preferencialmente pelo lado esquerdo e permite uma distribuição mais natural dos jogadores na linha defensiva. Sem sua presença, o Fluminense pode utilizar uma dupla formada por dois zagueiros destros.
O colombiano também contribui na saída de bola. Quando Thiago Silva não esteve em campo, Millán assumiu parte da responsabilidade pelo primeiro passe a partir da defesa. Contra o Platense, mesmo formando dupla com o capitão, participou da construção das jogadas e mostrou que sua utilidade não se limita aos duelos defensivos.
Depois da partida pela Libertadores, Millán falou sobre a oportunidade de dividir a defesa com Thiago Silva. Em discurso indireto, afirmou que procura ouvir e aprender com o companheiro, a quem acompanha desde a passagem pela seleção brasileira e pelo futebol europeu. Sobre a possibilidade de ser titular, disse estar à disposição da comissão técnica e deixou a decisão para o treinador.
A presença de Thiago Silva também dá peso à disputa. O capitão era o nome mais estável da defesa, enquanto a outra vaga passou por diferentes ocupantes ao longo do período recente. A boa fase de Millán amplia as possibilidades de Marcão justamente em uma posição na qual o entrosamento e o equilíbrio entre os lados são importantes.
Lesão interrompeu início da temporada
O caminho do colombiano até a atual sequência foi marcado por uma lesão muscular de grau 3 na parte posterior da coxa direita. O problema aconteceu no primeiro jogo do Fluminense depois da Copa do Mundo e o afastou dos gramados por aproximadamente um mês.
Millán voltou na vitória contra o Palmeiras, em 17 de agosto. A partir daí, passou a receber mais minutos, até ganhar espaço na sequência que incluiu partidas contra Athletico-PR, Vasco e Platense. A retomada coincidiu com a necessidade de mudanças no sistema defensivo e com a ausência de jogadores que vinham sendo utilizados com maior frequência.
Antes da lesão, o zagueiro ainda buscava uma sequência sob o comando de Zubeldía. A interrupção impediu que ele aproveitasse imediatamente a expectativa criada após sua contratação, mas o retorno devolveu ao treinador uma alternativa com características diferentes para o setor.
Ignácio e Freytes seguem na concorrência
Até a ascensão de Millán, Ignácio e Thiago Silva formavam a dupla mais consolidada do Fluminense. Ignácio havia aproveitado uma série de problemas físicos no elenco para assumir o posto ao lado do capitão. Agora, precisa lidar com a concorrência direta do colombiano.
Freytes também faz parte da disputa. O argentino esteve lesionado no período em que Millán ganhou oportunidades, e o retorno dos defensores aumenta o número de combinações disponíveis para Marcão. A definição da dupla dependerá das escolhas da comissão técnica e da avaliação sobre o momento de cada jogador.
Contratado em março, Millán chegou ao Fluminense depois de uma passagem de destaque pelo Nacional, do Uruguai, clube pelo qual foi eleito o melhor jogador do Campeonato Uruguaio. A negociação foi informada em 5 milhões de dólares, valor equivalente a R$ 26,3 milhões, e o defensor soma nove partidas pelo time brasileiro desde a chegada.
Com atuações seguras contra Vasco e Platense, o colombiano deixou de ser apenas uma opção para completar o elenco. A força na bola aérea, a capacidade de iniciar jogadas e o fato de ser canhoto colocaram seu nome no centro da disputa por uma vaga ao lado de Thiago Silva. Em meio à campanha do Fluminense na Libertadores, Marcão passou a contar com uma concorrência mais aberta na zaga.