O relógio do Estádio Monumental de Núñez não marcou apenas o andamento de Argentina x Benim. Na noite de terça-feira, 6 de outubro de 2026, cada minuto também aproximou Lionel Messi do fim de uma história construída ao longo de mais de duas décadas. Diante de milhares de torcedores, o camisa 10 fez sua última partida pela seleção argentina em uma celebração que terminou com vitória por 3 a 0 e lágrimas dentro e fora do campo.
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A despedida foi preparada desde antes do apito inicial. O estádio, em Buenos Aires, recebeu arquibancadas lotadas, bandeirões, máscaras com o rosto do craque e cânticos dedicados ao capitão. Os ingressos foram esgotados em poucas horas, em uma demonstração da dimensão que o último compromisso de Messi pela Albiceleste alcançou entre os torcedores.
Uma noite de emoção no Monumental
A comoção apareceu ainda no caminho para o estádio. Messi foi flagrado chorando dentro do ônibus da delegação, enquanto o técnico Lionel Scaloni também demonstrou emoção durante o aquecimento. No momento do hino nacional, jogadores e integrantes da comissão técnica voltaram a se emocionar, reforçando o caráter especial da partida.
Nas arquibancadas, a torcida transformou o Monumental em um cenário de homenagem. O público não celebrou apenas o jogador que estava em campo, mas também a trajetória de um atleta que durante muitos anos foi submetido a comparações com Diego Maradona e questionado por não repetir com a seleção o mesmo sucesso que alcançava no futebol europeu.
Messi deixou Rosario ainda jovem, cresceu no Barcelona e construiu uma carreira repleta de conquistas no clube espanhol. Pela Argentina, porém, o caminho foi mais irregular. As derrotas em finais, as críticas e até a breve renúncia à seleção fizeram parte de uma relação que demorou a encontrar equilíbrio. A mudança veio com os títulos e com a consolidação do capitão como principal referência da geração.
O jogo que encerrou a trajetória
O amistoso contra o Benim teve o início atrasado em 30 minutos e terminou sem gols no primeiro tempo. A equipe africana chegou a criar uma oportunidade perigosa aos 18 minutos, mas não aproveitou. Na etapa final, a Argentina acelerou e Messi passou a participar diretamente da construção do resultado.
Logo no começo do segundo tempo, o camisa 10 cobrou escanteio e Nicolás Otamendi abriu o placar. Depois, Messi iniciou a jogada que terminou com o gol de Nico Paz, jovem apontado como possível sucessor da camisa 10 argentina. A participação em dois lances decisivos preparou o momento mais simbólico da noite.
Aos 25 minutos da etapa final, Messi sofreu ou recebeu a oportunidade de cobrar um pênalti e bateu no ângulo. O gol levou o Monumental à celebração máxima. O capitão correu para ser abraçado pelos companheiros, enquanto a torcida tentava prolongar uma cena que, por definição, representava o encerramento de um ciclo.
O árbitro chileno Fernando Véjar encerrou o confronto aos 49 minutos do segundo tempo. O placar de 3 a 0 confirmou o desfecho festivo, mas o resultado ficou em segundo plano diante do significado da partida. Messi participou dos três gols e terminou sua passagem pela seleção com uma última atuação diretamente ligada à vitória.
Os números e os títulos pela seleção
Messi se despede da Argentina com 208 partidas e 126 gols, marcas que dimensionam sua importância para a equipe nacional. O gol diante do Benim foi o último de uma coleção que o coloca como maior artilheiro da história da seleção. Ao longo desse período, também acumulou 70 assistências, segundo os dados reunidos sobre sua trajetória.
O capitão conquistou quatro títulos pela equipe principal: a Copa América de 2021, a Finalíssima, a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024. A conquista no Catar ocupa lugar central nessa história porque encerrou a espera pelo troféu que durante anos parecia faltar para completar sua relação com o país.
Antes dos títulos pela seleção principal, Messi já havia vencido o Mundial Sub-20 de 2005 e conquistado a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Essas conquistas fizeram parte de uma trajetória internacional extensa, iniciada muito antes de o jogador se tornar o capitão e o principal símbolo da geração campeã mundial.
A Copa do Mundo de 2022 também alterou a percepção de parte dos torcedores argentinos. Durante anos, a exigência de que Messi fosse uma espécie de novo Maradona pesou sobre sua passagem pela seleção. Depois do título mundial, a comparação perdeu força: o craque passou a ser reconhecido pelo que construiu com sua própria identidade.
O fim de um ciclo histórico
A despedida no Monumental reuniu elementos de uma celebração e de uma despedida definitiva. Houve festa nas arquibancadas, homenagens preparadas pela Associação de Futebol Argentino e pelo River Plate, além da presença de torcedores que levaram ao estádio imagens e símbolos do jogador. Também houve lágrimas, porque a partida marcou o fim de uma presença que parecia permanente.
O legado de Messi na Argentina vai além dos troféus e dos recordes. Sua trajetória atravessou períodos de frustração, críticas e cobrança, mas terminou associada à conquista dos principais títulos possíveis pela seleção. O jogador que por muito tempo foi cobrado para repetir Maradona conseguiu, ao final, estabelecer uma referência própria na história do futebol argentino.
Com o apito final em Buenos Aires, a Argentina não perdeu apenas um atacante ou um capitão. A equipe encerrou a era de seu principal protagonista nas últimas duas décadas. Messi deixou o campo com uma vitória, três participações em gols e o último gol de sua trajetória internacional pela seleção. Para os torcedores, ficou a lembrança de uma noite em que o fim de uma era foi celebrado como a confirmação de um legado.