Martinelli na Seleção expõe caminhos da geração de Xerém
Grupo do Fluminense que brilhou na base revelou quatro jogadores para o Brasil e hoje reúne atletas em clubes da Inglaterra, Rússia, Estados Unidos e Brasil.
A presença de Martinelli na Seleção Brasileira recolocou no centro das atenções uma das gerações mais marcantes formadas em Xerém. Com jogadores nascidos entre 2001 e 2002, o grupo do Fluminense conquistou títulos nas categorias de base, levou quatro nomes ao time nacional e seguiu por caminhos muito diferentes depois da formação no clube.
Martinelli é atualmente o principal elo entre aquela equipe e o elenco tricolor. Titular no meio-campo, ele permanece no Fluminense e agora divide espaço na Seleção com outros atletas que também passaram pela base do clube. André, Luiz Henrique e João Pedro completam a lista de jogadores daquela geração que foram chamados para defender o Brasil.
O goleiro Marcelo Pitaluga é o outro integrante do grupo que continua ligado ao Fluminense. Depois de deixar o clube em 2020 para assinar com o Liverpool, o jogador foi repatriado em 2025. Sem espaço como titular, ocupa atualmente a condição de reserva.
Quatro jogadores chegaram à Seleção
A geração ganhou força ainda nas categorias inferiores. A equipe venceu os campeonatos que disputou no sub-17, conquistou o Campeonato Carioca e alcançou as decisões da Copa do Brasil e da Taça BH. O desempenho ajudou a projetar jogadores que, nos anos seguintes, deixaram o futebol brasileiro por valores relevantes.
Entre eles está João Pedro. O atacante saiu do Fluminense em 2018, mas permaneceu no Rio de Janeiro até completar 18 anos, em 2020. Naquele momento, foi negociado com o Watford por 11,5 milhões de euros. Depois de atuar pelo clube inglês e pelo Brighton, transferiu-se para o Chelsea em 2024, por 55 milhões de libras. Está em sua terceira temporada pela equipe londrina.
João Pedro também foi chamado por Carlo Ancelotti para a Seleção, mas acabou cortado por causa de uma lesão. Assim, a convocação de Martinelli mantém em evidência a conexão entre a atual equipe brasileira e a geração que se destacou no Fluminense.
André construiu uma trajetória diferente na Inglaterra. Volante de referência durante sua passagem pelo time profissional do Fluminense, ele disputou 197 partidas e marcou quatro gols. As atuações renderam convocações para a Seleção e fizeram do jogador a maior venda da história do clube carioca: 22 milhões de euros, além de outros 3 milhões em metas.
O meio-campista defende hoje o Wolverhampton, mas atua na Championship, a segunda divisão inglesa. O destino atual contrasta com o período em que André se consolidou no Fluminense e alcançou o futebol internacional como um dos nomes mais importantes de sua geração.
Luiz Henrique teve o currículo mais completo
Luiz Henrique também ganhou projeção no time principal tricolor. O atacante fez 120 jogos pelo Fluminense antes de ser negociado com o Betis, em 2022. A operação foi acertada por 8 milhões de euros fixos, com possibilidade de mais 5 milhões em bônus.
Após a passagem pelo futebol espanhol, ele voltou ao Brasil para defender o Botafogo. Pelo clube, conquistou o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, recebeu o prêmio de Rei da América e passou a ser convocado para a Seleção. Na sequência, foi vendido ao Zenit, da Rússia.
Dos jogadores da geração, Luiz Henrique foi o único a disputar uma Copa do Mundo. A trajetória inclui, portanto, títulos nacionais e continentais, reconhecimento individual, convocações e participação no principal torneio do futebol mundial.
Outros destinos dentro e fora do Brasil
Nem todos os nomes do grupo tiveram a mesma sequência no Fluminense. O zagueiro Davi Alves recebeu poucas oportunidades no time profissional, encerrou o vínculo com o clube no ano passado e atualmente defende o Nova Iguaçu.
Calegari está no LA Galaxy, embora tenha participado pouco dos jogos da equipe. Desde a saída do Fluminense, o lateral também passou por Famalicão, de Portugal, e Eyupspor, da Turquia, antes de chegar ao futebol dos Estados Unidos.
Luan Freitas deixou o clube no ano passado e hoje atua pelo Fortaleza. O zagueiro não conseguiu se firmar no time principal tricolor, mas atravessa um momento de maior participação no futebol cearense: soma 32 jogos em 2026 e integra a campanha da equipe na busca pelo acesso.
Marcos Pedro percorreu outra rota. Depois de passar por empréstimos por falta de espaço no elenco principal, transferiu-se em definitivo para o FC Noah, da Armênia, em 2024. Disputou 12 partidas e marcou um gol pelo clube antes de seguir para o Metropolitano, de Santa Catarina.
Wallace também deixou o Fluminense em 2024 e acumulou experiências em diferentes países e equipes. Atuou pelo Chadormalou Ardakan, do Irã, pelo Volta Redonda e pelo KF Vora, da Albânia. Atualmente está no Piauí, pelo qual soma 23 jogos e três gols em 2026.
O caso de Marcos Paulo reúne a maior distância entre a expectativa inicial e o caminho percorrido até agora. Considerado o jogador mais promissor do grupo, ele deixou o Fluminense com 79 partidas e 14 gols para defender o Atlético de Madrid. Depois, passou por sete empréstimos e hoje pertence ao Juventude. Em 2026, tem 36 jogos e cinco gols, enquanto participa da disputa pelo acesso à elite nacional.
A geração de Xerém, portanto, produziu trajetórias que vão da permanência no Fluminense à presença em grandes clubes europeus e à busca por espaço em mercados menos tradicionais. Martinelli, André, Luiz Henrique e João Pedro chegaram à Seleção, enquanto outros integrantes ainda constroem suas carreiras em diferentes níveis do futebol. O grupo permanece como exemplo da capacidade da base tricolor de revelar talentos, ainda que o desenvolvimento profissional de cada jogador tenha seguido direções distintas.