Marcão revela detalhe familiar por trás da mudança no Fluminense
Após a vitória sobre o Coritiba, treinador do Fluminense comentou os efeitos da proibição das bets e deixou contratos sob responsabilidade da diretoria.
Treinador fala em coletiva sobre mudanças e impacto nas finanças do clube.Foto: Reprodução da Internet
A vitória do Fluminense sobre o Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro, teve um assunto além do resultado e da atuação da equipe. Depois da partida, Marcão foi questionado sobre os efeitos da proibição da exploração e da publicidade de apostas esportivas no Brasil e reconheceu que a mudança atingiu pessoas ligadas ao clube.
O treinador, porém, não tratou o tema como uma questão da comissão técnica. Em vez de avaliar contratos, patrocínios ou eventuais perdas financeiras, Marcão afirmou que respeita as decisões tomadas e indicou que a diretoria é a responsável por explicar os impactos administrativos e comerciais da nova regra.
Declaração de Marcão citou famílias ligadas ao clube
Na resposta, o técnico separou a discussão sobre a regulamentação da rotina esportiva do Fluminense. Ele disse que acompanha a situação, mas reforçou que o assunto não está sob sua responsabilidade direta. A fala também trouxe a preocupação com os reflexos da medida sobre pessoas que, segundo ele, foram alcançadas pela mudança.
“Esse assunto não é nosso, não é meu. Respeitamos todas as decisões. Estamos acompanhando bem próximo. Nossos jogadores foram brilhantes, por isso eu queria muito vencer esse jogo. Isso tudo mexeu com muita gente. Mexeu com família. Mas é um assunto mais da diretoria, a gente prefere que eles se posicionem sobre isso”, declarou Marcão.
O treinador não especificou quem teria sido afetado nem explicou quais consequências concretas foram registradas. Também não apresentou números sobre redução de receitas, alterações em contratos, mudanças administrativas ou impactos na formação do elenco. Por isso, a declaração permite identificar a dimensão humana apontada por Marcão, mas não medir financeiramente os efeitos da proibição.
A manifestação ocorreu após o triunfo no Maracanã, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. Ao mencionar que os jogadores foram “brilhantes”, Marcão também tentou manter a avaliação da partida no campo esportivo. O técnico valorizou a vitória, enquanto encaminhou as perguntas sobre patrocínio e contratos para os dirigentes tricolores.
Uniforme mudou no jogo contra o Coritiba
A principal consequência visível da nova regra no Fluminense apareceu justamente no uniforme utilizado contra o Coritiba. A marca Superbet, que ocupava o espaço de patrocinadora máster, foi retirada da camisa. Em seu lugar, o clube exibiu a Superscore, uma plataforma gratuita de informações e estatísticas esportivas pertencente ao mesmo grupo empresarial.
De acordo com as informações divulgadas pelo clube, a Superscore não oferece publicidade de apostas, cotações nem recomendações para apostar. A substituição permitiu que o Fluminense mantivesse uma exposição comercial ligada ao grupo da antiga patrocinadora, mas sem a apresentação direta da marca de apostas no uniforme.
A troca de logotipo, contudo, não esclarece por si só as condições do vínculo entre as empresas e o clube. O material disponível não informa se houve redução no valor do patrocínio, renegociação completa, alteração de direitos comerciais ou encerramento do acordo original. Também não há indicação pública sobre a duração da solução adotada para a camisa tricolor.
Essa falta de detalhes impede uma conclusão sobre o tamanho do impacto financeiro para o Fluminense. A mudança mostra como a proibição alterou a exposição comercial em uma partida, mas não permite afirmar quais obrigações contratuais foram modificadas ou se houve compensação entre as partes.
Medida provisória alterou contratos de clubes
A mudança no uniforme ocorreu depois da assinatura da Medida Provisória nº 1.394/2026. O texto foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro e, conforme o material divulgado sobre a decisão, proibiu a exploração e a publicidade de apostas esportivas no país.
O cronograma informado previa a retirada de materiais publicitários e de patrocínio relacionados às casas de apostas até 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos do segmento também deveriam ter as operações suspensas, segundo as informações apresentadas sobre a medida.
Na prática, a decisão alcançou clubes da Série A que tinham empresas de apostas entre os principais anunciantes. Uniformes, placas e outros espaços de exposição passaram a exigir retirada, substituição ou adaptação. No caso do Fluminense, a consequência registrada no jogo contra o Coritiba foi a troca da marca máster pela Superscore.
A alteração envolve mais do que uma escolha visual. Acordos de patrocínio normalmente estabelecem valores, prazos, áreas de exposição e obrigações para cada parte. Como esses dados não foram informados no caso tricolor, não é possível apontar quanto o clube deixou de receber, se algum pagamento foi preservado ou quais cláusulas estão sendo discutidas.
Diretoria acompanha cenário ainda indefinido
O material de origem também informa que a medida provisória enfrenta questionamentos judiciais. Dessa forma, o ambiente regulatório permanece sujeito a novos desdobramentos, o que pode influenciar as decisões dos clubes e das empresas envolvidas. Não há, contudo, informação suficiente para afirmar qual será o resultado dessas contestações ou quando haverá uma definição definitiva.
No Fluminense, Marcão deixou o debate institucional nas mãos da diretoria e concentrou a comissão técnica nos compromissos do Campeonato Brasileiro. Até o momento, estão confirmadas a fala do treinador sobre o impacto em pessoas e famílias ligadas ao clube e a mudança de Superbet para Superscore no uniforme diante do Coritiba.
Continuam sem divulgação os valores envolvidos, o prazo da solução comercial e os efeitos contratuais da proibição. Qualquer avaliação mais precisa dependerá de um posicionamento oficial da diretoria ou de informações documentais sobre a parceria.