Marcão atribui parte da evolução do Fluminense à participação direta dos jogadores mais experientes na preparação das partidas. Depois da vitória por 2 a 0 sobre o Corinthians, no domingo, na Neo Química Arena, o técnico explicou que mantém conversas com as principais lideranças do elenco antes de definir a estratégia para cada adversário.
Fábio, Thiago Silva, Paulo, Lucho, Ganso e Hulk foram citados pelo treinador como atletas que ajudam a avaliar as alternativas da equipe. A proposta, segundo Marcão, é combinar o planejamento da comissão técnica com a leitura de quem viveu diferentes situações no futebol e conhece, dentro de campo, as dificuldades que podem surgir durante os 90 minutos.
“São jogadores que viveram tudo”, afirmou o treinador ao explicar por que considera importante ouvi-los. Marcão disse que utiliza vídeos e apresenta possibilidades ao grupo para, a partir dessas conversas, decidir como o Fluminense deve se comportar em cada momento do jogo. A participação dos atletas, portanto, aparece como parte do processo de construção do plano, e não como substituição do trabalho da comissão.
Thiago Silva ganhou espaço na rotina da comissão
Entre os líderes mencionados, Thiago Silva ocupa uma posição especial na relação com Marcão. Desde que o treinador assumiu o comando do Fluminense, o zagueiro passou a contribuir mesmo quando não tinha condições de entrar em campo. Segundo o técnico, o defensor permaneceu no banco de reservas em algumas partidas e participou ativamente das orientações à beira do gramado.
A presença de Thiago chegou a aproximá-lo da função de auxiliar técnico em determinados momentos. Para Marcão, essa convivência também ajuda a comissão a compreender melhor as características do elenco e os comportamentos que favorecem o desempenho coletivo. O treinador ressaltou que conhecer os jogadores é fundamental para escolher uma forma de jogar que seja executável durante toda a partida.
Essa lógica vale para os demais veteranos. Marcão afirmou que uma observação feita por atletas com longa experiência pode ajudar o time a se reorganizar, recuperar o controle das ações e lidar com períodos de pressão. O objetivo é transformar a leitura individual dos jogadores em uma resposta coletiva mais rápida.
Vitória em São Paulo deu exemplo prático
O confronto com o Corinthians serviu para ilustrar a importância que Marcão dá às lideranças do elenco. Hulk marcou os dois gols do Fluminense e foi decisivo para o resultado. Ganso, que entrou durante a partida, participou da construção ofensiva com uma assistência e também ajudou a equipe a controlar o jogo na etapa final.
Na defesa, Thiago Silva teve atuação importante para conter os momentos de pressão do time paulista. Fábio também foi exigido e respondeu com intervenções que contribuíram para que o Fluminense terminasse o duelo sem sofrer gols. O goleiro disputou a partida a três dias de completar 46 anos, marca destacada no contexto da atuação para evidenciar sua longevidade em alto nível.
O desempenho dos quatro jogadores mostrou a influência dos experientes em diferentes setores. Hulk resolveu o placar, Ganso participou da articulação, Thiago Silva ofereceu segurança à linha defensiva e Fábio sustentou o resultado quando foi acionado. A vitória, assim, reforçou na prática a ideia de que as lideranças podem interferir tanto na execução quanto na leitura do jogo.
Fluminense tenta encontrar um meio-termo
Marcão também relacionou a participação dos veteranos à necessidade de definir um modelo compatível com as características do elenco. O treinador questionou se o Fluminense conseguiria atuar em transição durante todo o confronto, considerando a presença de jogadores acima da idade média do futebol brasileiro.
A solução buscada é um equilíbrio entre controlar as ações e manter força para atacar. A equipe precisa ter conforto quando estiver com a bola, organizar-se para diminuir os espaços e, ao mesmo tempo, acelerar pelos extremos quando o jogo oferecer condições. Essa combinação é trabalhada ao longo da semana entre comissão técnica e jogadores.
O treinador resumiu a ideia ao defender um time capaz de controlar o duelo sem deixar de ser incisivo. Para chegar a esse comportamento, a comissão considera as exigências do adversário, as características dos titulares e a maneira como os líderes interpretam cada cenário. As conversas ajudam a ajustar o plano para que ele não fique restrito ao papel e possa ser aplicado em campo.
Pausa muda o calendário tricolor
Após o resultado em São Paulo, o Fluminense entrou no período de pausa provocado pela Data Fifa, previsto entre 21 de setembro e 6 de outubro. O intervalo interrompe a sequência de jogos e oferece tempo para a equipe trabalhar os ajustes de organização e intensidade citados por Marcão.
O próximo compromisso informado para o time é contra o Coritiba, em 8 de outubro, no Maracanã. Até lá, a comissão terá espaço para aprofundar o modelo que começou a ser colocado em prática diante do Corinthians. A manutenção do diálogo com Fábio, Thiago Silva, Ganso, Hulk e os demais líderes aparece como uma das ferramentas usadas pelo treinador para buscar uma identidade que preserve o controle do jogo sem abrir mão da velocidade quando ela for necessária.