A derrota do Grêmio para o Vasco por 2 a 1, na Arena, deixou o time gaúcho novamente em situação delicada no Campeonato Brasileiro e aumentou a pressão sobre Luís Castro. Depois de abrir o placar, criar oportunidades para ampliar e sofrer dois gols em apenas quatro minutos, a equipe perdeu a chance de ganhar distância da zona de rebaixamento.
O resultado manteve o Grêmio com 28 pontos, na 15ª colocação. O clube permaneceu fora do Z4 somente pelo saldo de gols, enquanto o Vasco entrou em campo ocupando a 17ª posição, com 25 pontos. A proximidade entre as equipes dava ao confronto peso direto na luta pela permanência na elite.
Na entrevista coletiva após a partida, Luís Castro reconheceu que o desempenho no Brasileirão está abaixo do esperado. O treinador, contudo, diferenciou a campanha nacional dos resultados obtidos pelo clube em outras competições da temporada. Para ele, o título do Campeonato Gaúcho e a classificação para as semifinais da Copa do Brasil representam avaliações positivas do trabalho.
Castro admite campanha ruim no Campeonato Brasileiro
O técnico afirmou que já havia deixado clara sua avaliação sobre o rendimento do Grêmio no torneio nacional. Segundo Castro, o trabalho no Brasileirão “não é bom”, enquanto o desempenho no estadual e na Copa do Brasil foi considerado satisfatório. A declaração ocorreu em meio a perguntas sobre a oscilação da equipe e sobre comentários anteriores a respeito da temporada.
O português também demonstrou irritação com a forma como os questionamentos foram conduzidos. Em determinado momento da coletiva, acusou parte da imprensa de buscar repercussão e engajamento a partir da fase difícil vivida pelo clube. Castro disse conhecer a dinâmica das redes sociais e afirmou que determinadas perguntas seriam feitas para provocar respostas com potencial de gerar cortes e discussões.
“Eu sei que neste momento o que vende é sangue”, declarou o treinador. Na sequência, ele se recusou a responder a uma pergunta apresentada por outro repórter. O episódio tornou a coletiva mais tensa e colocou novamente a relação entre o técnico e as cobranças externas no centro das atenções.
Vantagem mínima não foi protegida pelo Grêmio
Dentro de campo, a principal frustração apontada por Castro foi a incapacidade de transformar as chances criadas em uma vantagem maior. O Grêmio vencia por 1 a 0 e teve duas oportunidades para chegar ao segundo gol, mas não conseguiu concluir o jogo quando ainda controlava o placar.
A resposta do Vasco veio em um intervalo de quatro minutos. A virada alterou completamente o cenário da partida e impediu que o Grêmio alcançasse uma distância mais confortável em relação aos concorrentes que lutam contra o rebaixamento. Para o técnico, o segundo gol poderia ter mudado tanto o resultado quanto a leitura sobre o momento da equipe no campeonato.
“Poderíamos chegar mais à frente e tivemos possibilidade de chegar mais à frente, do 2 a 0 por duas vezes e não conseguimos fechar o jogo”, afirmou Castro. O treinador resumiu o sentimento depois do apito final como “desilusão” e reconheceu que a derrota tornou a situação mais difícil do que seria caso o time tivesse confirmado a vitória.
A avaliação também expôs um problema recorrente da partida: o Grêmio conseguiu construir vantagem, mas não sustentou o resultado até o fim. Contra um adversário diretamente envolvido na briga contra a parte inferior da tabela, a perda dos três pontos teve impacto imediato na classificação e manteve o clube sob risco próximo.
Diretoria havia reafirmado confiança no treinador
A pressão sobre Luís Castro ocorre apesar de manifestações públicas de apoio da diretoria. Antes do duelo com o Vasco, o CEO Alex Leitão afirmou que o treinador permaneceria no cargo até o fim da temporada e declarou que ele contava com a confiança da direção.
A posição foi apresentada por Leitão durante o sorteio dos mandos de campo das semifinais da Copa do Brasil, em evento realizado na Confederação Brasileira de Futebol. Na ocasião, o executivo também sustentou que o Grêmio não pretendia priorizar uma competição em detrimento da outra. O clube, portanto, buscava conciliar a campanha no mata-mata com a necessidade de pontuar no Brasileirão.
A classificação para a semifinal da Copa do Brasil havia proporcionado alívio ao treinador, especialmente depois da eliminação do maior rival. A campanha no torneio nacional, porém, não eliminou a preocupação com a tabela do Campeonato Brasileiro. A derrota para o Vasco reforçou a distância entre o desempenho considerado positivo nas copas e a irregularidade apresentada na liga.
Grêmio encara o Botafogo no próximo jogo
O Grêmio terá pouco tempo para reagir. O próximo compromisso será contra o Botafogo, na quarta-feira seguinte, às 19h30, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. A partida é válida pela 21ª rodada atrasada do Campeonato Brasileiro.
O duelo fora de casa aparece como a primeira oportunidade de resposta após o revés na Arena. Com 28 pontos e vantagem mínima sobre a zona de rebaixamento, o Grêmio precisa voltar a pontuar para evitar que a pressão sobre o elenco e a comissão técnica aumente. O desafio de Luís Castro será preparar a equipe para transformar as chances criadas em gols e impedir que novas vantagens sejam desperdiçadas.
Enquanto segue na disputa da Copa do Brasil, o clube terá de administrar uma situação esportiva mais urgente no campeonato nacional. A diretoria mantém o respaldo ao treinador, mas a posição na tabela e a sequência de resultados tornam o confronto com o Botafogo importante para a recuperação do Grêmio.