A disputa pela Taça das Bolinhas ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026. A 12ª Vara Cível Federal de São Paulo reconsiderou a decisão que determinava a entrega definitiva do troféu ao São Paulo, acolheu um recurso apresentado pelo Flamengo e retirou o efeito da ordem anterior.
Com a mudança, a peça continuará sob custódia da Caixa Econômica Federal. A decisão também indicou que a Justiça Federal do Rio de Janeiro é o foro competente para analisar a destinação do troféu. Na prática, o São Paulo não receberá a taça neste momento, enquanto a discussão sobre o direito de posse permanece aberta.
Recurso muda o destino imediato do troféu
O entendimento adotado em São Paulo revogou a determinação de entrega e indeferiu o pedido formulado pelo clube paulista. A decisão levou em consideração a existência de uma determinação anterior da Justiça Federal fluminense para que a Caixa mantivesse o objeto sob depósito.
A instituição financeira, portanto, seguirá responsável pela guarda da Taça das Bolinhas até que o processo avance no tribunal apontado como competente. A medida evita que o troféu seja transferido para qualquer um dos clubes antes de uma definição judicial sobre o caso.
Em nota, o Flamengo afirmou estar confiante no reconhecimento definitivo de seus direitos sobre a peça. O clube carioca também declarou que a reconsideração ocorreu após os argumentos apresentados no recurso e que continuará defendendo sua posição no processo.
A manifestação rubro-negra, contudo, não representa uma decisão final favorável ao clube. O despacho da Justiça Federal de São Paulo apenas suspendeu a entrega ao São Paulo e encaminhou a discussão sobre a competência e o destino do troféu para a esfera judicial do Rio de Janeiro.
A origem da disputa entre Flamengo e São Paulo
A Taça das Bolinhas é oficialmente chamada de Troféu Copa Brasil. Criada em 1975 pela então Confederação Brasileira de Desportos, com oferecimento da Caixa Econômica Federal, ela tinha regras específicas para ser entregue em definitivo.
O regulamento previa que o primeiro clube a conquistar o Campeonato Brasileiro três vezes consecutivas ou cinco vezes alternadas a partir daquele ano ficaria com o prêmio. Até que um time alcançasse uma dessas marcas, os campeões recebiam apenas uma réplica em miniatura da taça.
O conflito entre Flamengo e São Paulo está ligado à interpretação sobre quem foi o primeiro clube a cumprir esses critérios. O principal ponto de divergência é o peso do Campeonato Brasileiro de 1987 na contagem de títulos nacionais do Flamengo.
O clube carioca considera a conquista da Copa União daquele ano como parte de sua trajetória de títulos brasileiros. Com esse entendimento, o Flamengo afirma ter alcançado o quinto campeonato nacional em 1992. Essa posição chegou a ser reconhecida pela Confederação Brasileira de Futebol, que, em 2011, declarou Flamengo e Sport campeões daquela edição.
A definição, porém, foi contestada judicialmente. Decisões posteriores, mantidas pelo Supremo Tribunal Federal em 2018, estabeleceram o Sport como único campeão brasileiro de 1987. Para efeito da disputa judicial pela Taça das Bolinhas, esse entendimento retirou o torneio da contagem utilizada pelo Flamengo.
O São Paulo passou então a sustentar que foi o primeiro clube a cumprir o regulamento. O Tricolor conquistou seu quinto título brasileiro em 2007 e defende que, diante do reconhecimento judicial sobre a edição de 1987, passou a ser o primeiro pentacampeão nacional apto a receber o troféu em definitivo.
O que acontece a partir de agora
A decisão de 13 de julho não encerra o processo nem define o proprietário da Taça das Bolinhas. O efeito imediato é impedir a entrega ao São Paulo e preservar a guarda da peça pela Caixa Econômica Federal.
A Justiça Federal do Rio de Janeiro deverá examinar a questão apontada como central pela decisão paulista: qual interpretação deve prevalecer para determinar o clube com direito ao troféu e qual instância deve conduzir o julgamento. O processo ainda envolve tanto a competência judicial quanto o mérito das alegações de Flamengo e São Paulo.
Para o Flamengo, a decisão representa a manutenção de uma posição processual que impede a transferência do objeto enquanto o caso não for resolvido. Para o São Paulo, a revogação da ordem de entrega interrompe, por enquanto, a tentativa de obter a posse definitiva com base no título brasileiro conquistado em 2007.
A controvérsia, que se prolonga há anos, continua diretamente ligada às diferentes interpretações sobre o campeonato de 1987 e aos critérios estabelecidos para a premiação. Até uma decisão definitiva, a Taça das Bolinhas permanecerá fora da posse dos dois clubes e sob responsabilidade da Caixa.