O Palmeiras deixou Porto Alegre com um empate sem gols diante do Grêmio, neste domingo, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado levou o time paulista aos 57 pontos e manteve a equipe próxima da liderança, mas também interrompeu a possibilidade de pressionar o Flamengo com uma vitória. Para João Martins, o principal problema esteve na conclusão das jogadas.
O auxiliar comandou o Palmeiras à beira do campo porque Abel Ferreira cumpria suspensão aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Depois da partida, Martins reconheceu o mérito do goleiro gremista, mas afirmou que a comissão técnica e os jogadores precisam assumir a responsabilidade pela falta de precisão no ataque.
O Palmeiras terminou o confronto com 31 finalizações, sendo dez na direção do gol, segundo os números citados pelo Terra. A equipe também acertou duas bolas no travessão. Mesmo com o volume ofensivo e as oportunidades criadas, não conseguiu marcar e saiu da Arena do Grêmio com apenas um ponto.
“Quando um goleiro tem o rendimento que ele teve, é difícil não dar mérito, não dar os parabéns. Mas temos que olhar para a nossa ineficiência ou falta de eficácia no que é mais importante no futebol, que é fazer gol”, afirmou João Martins na entrevista depois do jogo.
O auxiliar também destacou que o Palmeiras chegou a obrigar o adversário a trabalhar em diferentes momentos da partida. Na avaliação da comissão, a atuação não foi suficiente para garantir a vitória porque o time não transformou a superioridade territorial e o número de chutes em gols. A cobrança, portanto, não ficou restrita ao desempenho do goleiro rival.
“Assumimos a nossa responsabilidade pela falta de eficácia e damos os parabéns ao Weverton por ter feito o jogo que fez hoje. Chutamos 31 vezes, precisávamos de mais quatro ou cinco para ver se uma delas entrava. Infelizmente não conseguimos”, acrescentou o português.
Empate mantém Palmeiras na briga pelo título
Com a igualdade, o Palmeiras alcançou 57 pontos e ficou com a mesma pontuação do Flamengo de forma momentânea. O time carioca ainda enfrentaria o Red Bull Bragantino pela rodada e levava vantagem no número de vitórias antes do compromisso. Assim, o empate representou a perda de uma oportunidade, mas não tirou o clube da disputa pelo Campeonato Brasileiro.
João Martins evitou tratar o tropeço como uma mudança definitiva no cenário da competição. Segundo ele, o Palmeiras ainda tem um confronto direto pela frente e trabalha internamente com a ideia de que restam 16 decisões na temporada. A contagem mencionada pelo auxiliar foi usada para reforçar a necessidade de analisar a campanha partida a partida.
“Faltam 16 finais. Jogo a jogo, já colocamos esse objetivo internamente. Hoje, infelizmente, não conseguimos o nosso objetivo, mas mais vale um ponto do que nenhum. Ainda ficamos a um jogo de distância, ainda temos o confronto direto, por isso está tudo em aberto”, declarou.
O ponto conquistado mantém o Palmeiras dependente da sequência do campeonato e dos resultados dos concorrentes, mas a atuação em Porto Alegre mostrou dois lados do momento da equipe. De um lado, o time teve capacidade para criar e finalizar; de outro, não conseguiu concluir com eficiência suficiente para transformar o desempenho em vantagem na tabela.
Comissão não pretende escolher uma competição
O empate aconteceu poucos dias depois da partida contra a LDU, em Quito, pelas quartas de final da Libertadores. O deslocamento internacional e o intervalo curto até o compromisso pelo Brasileirão fizeram parte do contexto analisado por João Martins. O auxiliar, porém, afirmou que o desgaste não seria usado como justificativa para o resultado.
“Este jogo hoje, apesar de termos sido bons e ineficazes, nós sabíamos que era um jogo de risco. Vínhamos do Equador, tivemos uma noite de sono, mas, mesmo assim, fisicamente e mentalmente, a equipe lutou bem”, explicou. Ele também mencionou o calor e reconheceu que partidas do campeonato nacional disputadas entre confrontos eliminatórios podem ser mais complexas.
O Palmeiras continua envolvido em três competições: o Campeonato Brasileiro, a Libertadores e a Copa do Brasil. Na avaliação da comissão técnica, o calendário exige controle da preparação, mas não altera o objetivo de competir em todas as frentes. Martins descartou a definição de uma prioridade entre os torneios.
“Nós não vamos priorizar nada. Vamos fazer jogo a jogo, dar o nosso melhor, pensando em nós. Nós não controlamos o trabalho dos outros. E isso é o mais importante, é nisso que temos que focar”, afirmou.
O auxiliar ainda disse que o grupo terá de enfrentar a reta final sem buscar desculpas nas circunstâncias do calendário. A orientação é manter a competitividade tanto nos jogos de mata-mata quanto nas rodadas do Brasileiro, nas quais cada ponto pode interferir diretamente na disputa pela liderança.
“Vamos lutar com unhas e dentes por todos os jogos. Faltam 16”, completou João Martins. A frase resume a postura adotada pelo Palmeiras após o empate: reconhecer a falha ofensiva, preservar a confiança na briga pelo título e manter o planejamento voltado às três competições.
Agora, o elenco terá uma pausa provocada pela Data Fifa. O próximo compromisso está marcado para 8 de outubro, às 21h30 (de Brasília), contra o Bahia, no Nubank Parque, pelo Campeonato Brasileiro. Até lá, a comissão terá tempo para trabalhar a recuperação física e buscar soluções para o problema mais evidente deixado pelo jogo em Porto Alegre: a dificuldade de converter o volume de oportunidades em gols.
O 0 a 0, portanto, não afastou o Palmeiras da disputa, mas aumentou a importância da eficiência nas próximas rodadas. A equipe mostrou produção ofensiva para competir, porém precisará melhorar a execução se quiser transformar atuações como a apresentada contra o Grêmio em vitórias na reta decisiva da temporada.