Abel Braga não pretende voltar ao banco
O nome de Abel Braga chegou a ser considerado como uma solução interna para comandar o Internacional até o fim da temporada, caso Pezzolano fosse demitido. A possibilidade, revelada pelo Bolavip Brasil, acabou descartada pelo próprio Abel.
Atual diretor técnico do clube, o ex-treinador não pretende retomar a carreira à frente de uma equipe profissional. A rotina exigida pelo cargo também pesou contra a alternativa: a sequência de partidas e viagens nas últimas rodadas do Brasileirão seria incompatível com suas condições físicas.
Abel seguirá desempenhando sua função atual e participando das conversas sobre o futebol colorado. Assim, mesmo conhecendo o ambiente do clube e sendo um dos principais nomes de sua história, ele não será o substituto de Pezzolano em uma eventual troca.
A derrota para o Santos não provocou a saída imediata do treinador porque havia um entendimento interno de que a demissão só aconteceria naquele momento em caso de goleada. O placar de 3 a 2, portanto, não atingiu o critério estabelecido anteriormente. As conversas posteriores, porém, mantiveram aberta a possibilidade de mudança.
Pressão chegou ao CT Parque Gigante
O ambiente se agravou na reapresentação do elenco. Jogadores e dirigentes foram cobrados por integrantes de torcidas organizadas na saída do CT Parque Gigante. Para deixar o local, os atletas contaram com o apoio da Brigada Militar.
A manifestação ocorreu enquanto o grupo iniciava a preparação para o confronto em Chapecó. O episódio mostrou que a insatisfação deixou de se concentrar apenas nas redes sociais ou nas discussões internas e passou a envolver diretamente a rotina do departamento de futebol.
Apesar das críticas ao treinador, parte dos dirigentes entende que Pezzolano não é o único responsável pelo desempenho do time. Erros individuais também aparecem na avaliação da campanha. A falha de Félix Torres no lance que originou um dos gols do Santos é citada como exemplo de um problema que, na visão de integrantes da direção, não pode ser atribuído exclusivamente às decisões da comissão técnica.
A análise interna também considera que uma eventual mudança precisa ser feita com rapidez, mas sem deixar o elenco sem comando. Por isso, a intenção de parte da direção é evitar a demissão de Pezzolano antes de encaminhar um novo profissional para assumir imediatamente a equipe.
Direção discute mudanças no futebol
A crise não está restrita à comissão técnica. Fabinho Soldado também passou a ser questionado internamente. O trabalho do executivo de futebol é avaliado em meio às contratações realizadas nas últimas janelas e à dificuldade de transformar o elenco em resultados no Campeonato Brasileiro.
Reuniões lideradas pelo presidente Alessandro Barcellos trataram de possíveis alterações no departamento de futebol e no comando da equipe. De acordo com a apuração do SCInter, participaram das discussões nomes ligados ao ambiente político do clube, entre eles os pré-candidatos José Alfredo Amarante, Roberto Melo e Leonardo Aquino.
Durante os encontros, Barcellos também expôs dificuldades que afetam o planejamento colorado. Entre os assuntos abordados estiveram o transfer ban imposto pela Fifa, os obstáculos para manter os salários do elenco em dia e as limitações para buscar reforços.
Uma das sugestões discutidas foi a entrada de Roberto Siegmann no cargo de vice-presidente de futebol, que está vago desde o ano passado. Siegmann teria indicado Clemer para assumir o time em caso de saída de Pezzolano. A ideia, no entanto, não representa uma decisão tomada pelo presidente ou pelo clube.
Clemer não comanda uma equipe profissional desde 2018, enquanto Siegmann teve uma passagem curta pelo futebol colorado em 2011. Esses nomes apareceram nas conversas, mas não há confirmação de que a direção tenha escolhido essa alternativa.
Inter ainda avalia opções para o comando
Com Abel Braga fora da disputa, Lisca e Jair Ventura foram citados como possibilidades para uma eventual troca. Luis Zubeldía, Tite e Dunga também apareceram nas discussões internas, mas o Internacional ainda não definiu quem poderia assumir o cargo.
A indefinição aumenta a complexidade da decisão. O clube está ameaçado pelo rebaixamento, tem pouco tempo para reagir e enfrenta restrições financeiras e administrativas. Uma troca de treinador, nesse cenário, precisaria produzir uma resposta imediata sem contar necessariamente com reforços durante a reta final da competição.
Por enquanto, Pezzolano permanece no comando e prepara o Internacional para enfrentar a Chapecoense. O resultado na Arena Condá terá peso na avaliação da direção, mas não há confirmação de que uma derrota provocará automaticamente a demissão. O treinador chega ao compromisso pressionado, enquanto o clube procura equilibrar a necessidade de reação esportiva com a busca por uma solução viável para o futebol.