A permanência do uruguaio não significa que o clube tenha encerrado a avaliação sobre o trabalho. Reuniões realizadas no CT Parque Gigante mantiveram a pressão sobre Pezzolano e também atingiram o executivo de futebol Fabinho Soldado, que havia defendido a continuidade da comissão técnica após o revés.
O momento esportivo é agravado pela eliminação para o Grêmio nas quartas de final da Copa do Brasil. A combinação entre o desempenho no Brasileirão e a queda no clássico aumentou a cobrança de torcedores, conselheiros e grupos de oposição sobre a direção do Internacional.
Inter discute substitutos, mas evita demissão imediata
Conforme apuração do Bolavip, Tite, Luis Zubeldía, Lisca e Dunga foram citados internamente como possibilidades para uma eventual troca. A lista, porém, representa uma avaliação de mercado, não um acordo com qualquer um dos profissionais nem uma decisão definitiva pela saída de Pezzolano.
A direção trabalha com a ideia de não dispensar o treinador sem ter um substituto encaminhado. A preocupação é evitar uma mudança sem planejamento em uma reta final de Campeonato Brasileiro que, segundo a apuração, tem 12 rodadas restantes. Um novo comandante teria pouco tempo para conhecer o elenco, alterar a equipe e buscar uma resposta imediata.
O calendário curto não é o único obstáculo. O Internacional atravessa um ano eleitoral, o que pode reduzir a segurança de um treinador contratado na gestão atual. Um profissional que assumisse agora poderia chegar sem garantia de continuidade na próxima administração, fator que dificulta a negociação com nomes de maior projeção.
O contexto financeiro e administrativo também pesa nas conversas. O Zona Mista relata salários atrasados e um transfer ban que impede o registro de novos reforços, além da presença do clube na zona de rebaixamento. A soma desses fatores torna o trabalho menos atrativo e limita as alternativas disponíveis para uma eventual mudança.
Declaração de Fabinho não encerra a pressão
Depois da partida contra o Santos, Fabinho Soldado afirmou que Pezzolano continuaria no cargo. O dirigente disse que o técnico estava motivado para reagir e destacou a necessidade de vencer a Chapecoense, adversária do próximo compromisso mencionado nas apurações.
Fabinho também reconheceu a insatisfação existente no clube e afirmou que a direção tentava mobilizar o Internacional para os desafios seguintes. A manifestação pública serviu para sustentar a permanência imediata do treinador, mas não impediu que o futuro da comissão técnica continuasse em debate nos bastidores.
De acordo com o Bolavip, havia um entendimento interno para que Pezzolano fosse mantido mesmo em caso de derrota para o Santos. Uma saída imediata poderia ocorrer se o Internacional sofresse uma goleada. Como o placar terminou em 3 a 2, o uruguaio não foi demitido após o jogo, embora a pressão tenha aumentado.
A repercussão alcançou o presidente Alessandro Barcellos. Segundo o Zona Mista, movimentos de oposição, conselheiros e torcedores passaram a cobrar uma reação da direção, especialmente pela preocupação com a permanência do clube na Série A. A entrevista do executivo, portanto, não foi tratada como garantia de estabilidade para o treinador.
Bruno Silva aparece como alternativa interna
Entre as possibilidades discutidas está uma solução de perfil diferente. Bruno Silva, campeão da Libertadores pelo Internacional, afirmou ao Bolavip que aceitaria comandar a equipe caso Pezzolano deixasse o cargo. A ideia envolveria a formação de uma comissão técnica com Guiñazú, também integrante do grupo campeão continental pelo clube em 2010.
A eventual escolha teria como principal ponto de apoio a identificação dos ex-jogadores com o Internacional. Ainda assim, Bruno Silva apenas manifestou disposição para assumir o trabalho. Não há indicação, no material apurado, de contratação, convite formal ou acordo para uma mudança no comando.
Abel Braga também foi considerado anteriormente para dirigir o time até o fim da temporada, mas descartou voltar à função de treinador. A rotina de viagens e compromissos das rodadas restantes foi apontada como um dos motivos. Abel continua ligado ao futebol do clube em outra função, sem assumir a equipe à beira do campo.
Chapecoense surge como próximo teste
Com Pezzolano mantido provisoriamente, o elenco tinha folga na segunda-feira e a reapresentação estava prevista para terça-feira. A preparação seria voltada ao confronto com a Chapecoense, marcado para sábado, compromisso que passou a concentrar a atenção imediata do departamento de futebol.
A equipe chega ao próximo jogo pressionada pela sequência negativa no Brasileirão e pela necessidade de interromper a queda de rendimento. O duelo também servirá como referência para a direção avaliar se a continuidade do trabalho pode produzir uma reação ou se será necessário acelerar a busca por outro treinador.
Por enquanto, não há confirmação de troca. Pezzolano permanece no cargo, enquanto Tite, Zubeldía, Lisca, Dunga e uma alternativa com Bruno Silva e Guiñazú aparecem em diferentes níveis das discussões internas. A decisão do Internacional depende da avaliação sobre o risco de manter o uruguaio e da capacidade de encaminhar um substituto em meio à crise esportiva, financeira e política do clube.